Tenho a vida toda para me converter?

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A palavra conversão tem um significado de mudança, de transformação, alteração de sentido. É usada para tantas áreas: no trânsito, no marketing, em finanças, na religião, mas hoje quero trazer uma reflexão para que possamos pensar em conversão para a nossa vida.

Estamos no início do ano e o assunto do momento são as metas, aliás, quais são suas metas para o ano de 2021? Já fez um planejamento de quais áreas da sua vida precisam de um novo rumo? Pensa em fazer um novo curso? Pretende aprender uma nova habilidade? O que traçou para sua vida profissional? Quais são seus objetivos para a sua vida social? E afetiva? Agora a minha pergunta mais importante, quais são suas metas concretas de conversão na sua relação com Deus?

Essa conversão tem um conceito mais complexo, vai além de uma mudança de hábito, de estratégias, é espiritual, por isso é urgente. Não se pode procrastinar e perder tempo, pois o que está em jogo aqui é a nossa salvação. Exige de nós esforço, luta, transformação de valores, ideias e ideais; é uma profunda mudança de coração, sob a graça de sermos enxertados na Palavra de Deus. Uma transformação interior que evidencia a vitória da graça sobre o nosso “homem velho”.

O primeiro passo para viver essa conversão é saber que é um processo. Não posso simplesmente ter uma experiência com Deus hoje e amanhã dizer que já sou um convertido, é um longo caminho que, na verdade, durará a vida toda. Eu preciso dar passos concretos todos os dias, como quem caminha em direção ao céu. Nesse caminho haverá quedas, mas o importante é levantar e seguir. São João Paulo II nos ensina que “santo é aquele que mesmo caindo não desiste de levantar.”

Depois disso, o segundo passo é reconhecer que somos pecadores, reconhecer nossa fragilidade e até mesmo a nossa falta de vontade diante da mudança. “Eu quero, mas…” Esse tipo de pensamento precisa ser colocado diante de Deus com verdade, para que Ele possa transformar a nossa vida. Muitas vezes queremos os resultados, mas não nos determinamos em ações concretas. Digo isso por ser a primeira a me identificar com essas palavras, eu quero emagrecer, mas… preciso estudar, mas… preciso rezar mais, ter intimidade com Deus, mas… E assim coloco obstáculos e dificuldades porque não quero desafiar minha vontade, nem abrir mão do pecado, adiando a salvação e a graça na minha vida.

Reconhecendo nossa verdade, de que somos fracos e por vezes frouxos, o terceiro passo é contar com a graça do Espírito Santo, Ele é o Deus que nos habita pelo batismo, o Deus que nos santifica, que fortalece nossa fraqueza, “pois, quando sou fraco, então é que sou forte” (2Cor, 12, 10). A mudança verdadeira vem do coração, mas é o Espirito que nos transforma. Não conseguimos mudar plenamente sem a graça de Deus, daí a necessidade da vida de oração, de pedirmos com fé como o salmista: “Criai em mim um coração que seja puro, dai-me de novo um espírito decidido. Ó Senhor, não me afasteis de vossa face, nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!” (Sl 50, 2).

Por fim, quero dizer que é necessário ter pressa! Precisamos diariamente desse “espírito decidido”. Aliás, deixo aqui uma pergunta: Quantas vezes você traçou metas para o seu novo ano, mas elas não chegaram ao final do mês de janeiro? Meu Deus, porque é tão difícil se converter nos dias de hoje?

Quero deixar aqui essa questão, para que nossa reflexão seja séria e profunda: eu quero de fato me converter? O que me falta? O que estou esperando? Faça também uma profunda reflexão sobre a morte, não com temor, mas a tendo como sua amiga, sua aliada. Se entendermos que só temos o hoje, talvez nos dediquemos com mais afinco em nossa conversão, é ilusão acharmos que temos a vida inteira pela frente, “porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite.” (1 Ts 5,2)

Sabemos que estamos no mundo, e que ele diariamente nos oferece milhões de oportunidades, porém somos configurados àquilo que buscamos. Se você reza, se assemelha a Cristo, mas se não busca essa intimidade, vai sendo dia a dia “engolido” pelo mundo e seus valores, independente de quem você é na Igreja. Pode ser, inclusive, consagrada como eu, mas se não formos enxertados na videira, que é Cristo, seremos seduzidos e arrastados pelo mundo.

Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.” (Jo 15, 4-5)

Que movidos pela graça do Espírito Santo possamos caminhar juntos rumo a esse grande objetivo, o céu. A nós, importa mudar o sentido, seguir por outra direção, mesmo que precisemos caminhar contra a corrente. Quem tem um objetivo bem definido e uma estratégia bem traçada chegará ao seu destino, com o impulso da nossa vontade, determinação e a ação da graça de Deus, alcançaremos a nossa meta.

Vanessa Ozelin de Oliveira
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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