The Batman e o sentido do sofrimento

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O sofrimento causado pela perda dos pais foi a semente que deu vida ao famoso vigilante mascarado de Gotham City, The Batman. Ops! Antes de entramos no assunto de nossa conversa de hoje, cabe um aviso aqui. Possivelmente você verá alguns spoilers no texto, mas não fiquem bravos meus caros leitores, pois, isso contribuirá para uma leitura mais ampla acerca do filme. Dito isso, prossigamos.

Para quem ainda não assistiu o novo filme do Batman, segue uma sinopse para introdução ao nosso assunto.

Batman (The Batman, no original) segue o segundo ano de Bruce Wayne (Robert Pattinson) como o herói de Gotham, causando medo nos corações dos criminosos da sombria cidade. Com apenas alguns aliados de confiança – Alfred Pennyworth (Andy Serkis) e o tenente James Gordon (Jeffrey Wright) – entre a rede corrupta de funcionários e figuras importantes do distrito, o vigilante solitário se estabeleceu como a única personificação da vingança entre seus concidadãos. Durante uma de suas investigações, Bruce acaba envolvendo a si mesmo e Gordon em um jogo de gato e rato, ao investigar uma série de maquinações sádicas em uma trilha de pistas enigmáticas estabelecida pelo vilão Charada. Quando o trabalho acaba o levando a descobrir uma onda de corrupção que envolve o nome de sua família, pondo em risco a própria integridade e as memórias que tinha sobre seu pai, Thomas Wayne, as evidências começam a chegar mais perto de casa, precisando, Batman, forjar novos relacionamentos, para assim desmascarar o culpado e fazer justiça ao abuso de poder e à corrupção que há muito tempo assola Gotham City. (Adoro cinema. Batman, 2022. Disponível em:
https://www.adorocinema.com/filmes/filme-211012/)

Para além das questões técnicas do filme, preciso dizer que o achei muito bom e tive vários insights que compartilho com vocês aqui.

O pequeno Bruce Wayne ficou órfão após o assassinato de seus pais. A dor e o sofrimento causado por essa perda fez com que ele, na vida adulta, se tornasse o Batman. Na primeira cena do filme, o Batman, luta com uma turma de bandidos e eles perguntam “Quem é você? ” Ao que ele responde “Eu sou a Vingança”.

Eis o ponto que desejo tratar. Bruce Wayne estava em busca de vingança, se tornou o Batman para vingar a morte de seus pais e que nenhum outro garoto pudesse viver com a mesma dor que ele carrega em seu coração, no que parece um luto sem fim.

Quantas vezes nós somos esses “vingadores”, somos assolados por situações de grande sofrimento que geram feridas aparentemente incuráveis e nos tornamos pessoas amargas, revoltadas, justiceiras, tristes, buscando a todo tempo sanar a nossa dor e apontamos os erros alheios revestidos com a virtude da caridade, afinal de contas é justo combater o mal, a infidelidade no mundo.

O filme acompanha o Batman na busca pelo vilão Charada que comete os crimes numa forma de vingança pelos sofrimentos que viveu causados pela corrupção e crime organizado da cidade. Detalhe que o Charada também era órfão e deixa claro que quer ajudar o Batman no seu trabalho de “vingador”.

Percebam que vilão e herói tem histórias e ideais parecidos e porque eles não se juntam e formam uma equipe de justiceiros?

Aqui temos algo interessante, Batman busca vingança para que ninguém mais sofra, quer ajudar a cidade a ser melhor em alguma medida. Já o Charada quer que todos sofram o tanto quanto, ou mais ele mesmo sofreu. Vejam vocês que o desejo até nobre do Batman inspira o vilão de maneira contrária. No fundo as intenções do nosso herói são nobres, mas contaminada por um sofrimento, uma dor que não foi ressignificada.

Numas das cenas finais, onde o Charada foi preso, mas reuniu seguidores para terminar seu plano, parece que o vilão vencerá, e aparece o Batman e seus amigos (a mulher gato e o agente Gordon) para deterem os criminosos. E remetendo a primeira cena do filme, o Batman, tira a máscara de um deles e pergunta “quem é você? ” E o cara responde “somos a vingança”.

É nesse momento que nosso herói se dá conta dos frutos gerados por ele e termina o filme dizendo que vai continuar a sua busca por justiça, mas agora de maneira diferente. Aquilo que estava em desordem interior é ressignificado e ganha o sentido correto.

O filme acompanha essa trajetória de amadurecimento do Batman ao mostrar um clima sombrio e escuro, sempre com cenas de chuva e escuridão, para terminar com um dia claro, não radiante com sol e céu azul, mas cinza claro, como que mostrando o vislumbre de um processo novo que começou a partir dali.

Vejam meus amigos, as tragédias da nossa vida e as feridas que tivemos na nossa história não nos determinam; sempre podemos fazer a escolha entre ser vilão ou herói a partir do sentido que damos para nosso sofrimento.

Te convido a olhar atentamente e sem medo para a dor mais profunda do seu coração, aquela ferida inflamada que parece nunca cicatrizar e tem turvado seu olhar, suas ações e tem feito colher frutos amargos assim como o Batman, achando que estava fazendo uma coisa boa e até estava mesmo, mas contaminado pela amargura. Olhe para isso e deixe o Senhor tocar essa chaga. Deixe-o curar e ressignificar essa dor.

Meus amigos, não tenham medo! Deus nosso Pai Misericordioso e Bom tem um final feliz preparado para cada um de nós. Entregue suas dores à Ele, ressignifique seu sofrimento a partir do sofrimento redentor de Cristo e vamos juntos a caminho do nosso felizes para além da eternidade!

Deus nos abençoe.

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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