Tudo está consumado

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“Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: Tudo está consumado. Inclinou a cabeça e entregou o espírito.” (Jo 19,30). Do alto da cruz, no apogeu de Sua Paixão, as últimas palavras de Cristo manifestam que tudo esta concluído, tudo foi feito.

Ao dizer que tudo está consumado, a obra da salvação foi confirmada. Deus em Sua divina perfeição, tinha para nós um plano, um desígnio de amor benevolente. O Pai, conhecendo a nossa iniquidade, precisou ir ao extremo, entregando Seu Filho pelos nossos pecados. Independente de qualquer mérito da nossa parte: “Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, foi Deus que nos amou a nos e enviou o seu Filho como vítima de propiciação pelos nossos pecados” (1 Jo 4, 10).

O sacrifício consumado na cruz

O desígnio salvífico de Deus, só se torna possível na entrega obediente de Jesus. “É o amor até o fim que confere ao sacrifício de Cristo o valor de redenção e reparação, de expiação e satisfação.” (CIC, 616). Jesus veio até nós e nos conheceu, e ainda assim nos amou.

Foi por este amor, que Cristo se entrega livremente ao sacrifício perfeito. Jesus é o verdadeiro sacerdote, que ao oferecer um único sacrifício, redime toda a humanidade e para sempre. É por ofertar Seu próprio sangue preciosíssimo que o plano de redenção foi consumado.

Neste sacrifício, Cristo leva à perfeição e ultrapassa todos os sacrifícios, o que o torna único. “Sua sanctissima passione in ligno crucis nobis justificationem meruit – Pela sua santíssima paixão no madeiro da cruz, Ele mereceu-nos a justificação” – ensina o Concílio de Trento, sublinhando o carácter único do sacrifício de Cristo como fonte de salvação eterna.” (CIC, 617)

A redenção

“A morte de Cristo é, ao mesmo tempo, o sacrifício pascal que realiza a redenção definitiva dos homens  por meio do “Cordeiro que tira o pecado do mundo”, e também o sacrifício da Nova Aliança que restabelece a comunhão entre o homem e Deus, reconciliando-o com Ele pelo “sangue derramado pela multidão, para a remissão dos pecados”. (CIC, 613)

Aos olhos e a razão humana é impossível explicar ou entender o sacrifício de Jesus. Nenhum de nós, nem mesmo os Santos seriam capazes de tomar sobre si os próprios pecados e se oferecer em remissão. Sem a entrega perfeita de Jesus, que mesmo sem ter nenhum pecado, toma para si o pecado de toda a humanidade, jamais teríamos conhecido a redenção.

Hoje, mais de dois mil anos já se passaram. Nenhum de nós pode ver ou sentir pessoalmente a intensidade da cruz. Além disso, o fato de celebrarmos a Paixão todos os anos, pode nos levar a nos acostumarmos com ela. Talvez, olhar para o Cordeiro imolado no alto da Cruz, já não nos impacte a ponto de encontrarmos o real sentido deste momento.

Cristo venceu! O bem superou o mal, a morte foi redimida pela Vida. Não devemos nunca nos acostumarmos com isso. Neste dia, te convido a clamar ao Espirito Santo um olhar restaurado, um coração humilde e uma razão desarmada.  Ame a Cruz e permita-se ser amado por ela. Acolha o sangue derramado por você. Reconhecendo-se não merecedor, abrace a redenção.

Tudo está consumado! Louvado seja! Cristo venceu!

Fonte: Catecismo da Igreja Católica §599,604,613 a 617

Vanessa Cícera S. Ramos
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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