Um “eu te amo” não capaz de conter todo o significado de amar

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As palavras ganham força e significado quando vêm acompanhadas de atitudes concretas. Um “eu te amo” não é capaz de conter todo o significado de amar. É muito bom ouvir “eu te amo”, porém, é melhor ainda quando, sem dizer uma palavra, o testemunho exala amor. O amor por si só é movimento, doação, entrega, renúncia. Deus é amor! Há maior demonstração de amor do que a entrega de Cristo na Cruz pela humanidade? É Ele que vai nos ajudar nesse itinerário do amor.

Nas Sagradas Escrituras encontramos várias passagens onde Jesus ensina que amar é sair da zona de conforto.  Quando Pedro pergunta a Jesus: “Senhor, quantas vezes devo perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes? Respondeu Jesus: Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt. 18, 21-22). Aqui, Jesus revela que para amar é preciso dar um passo a mais, sair da lógica humana e abraçar a lógica do Reino. Santa Catarina de Sena vai dizer: “Pelo amor, o homem se torna um outro Cristo. É pelo amor que o homem se une a Deus”.

Amor em movimento

Em Cristo, o amor ganha um novo significado; Ele nos ensina a amar verdadeiramente. Em toda a sua missão mostrou que os gestos arrastam e exorcizam todo o mal. Jesus se importa com seu povo, está atento aos detalhes, se compadece e toma atitudes concretas de amor para a salvação dos seus.

 O pecado, ao contrário, nos paralisa, cria uma barreira para que a graça alcance a nossa vida e, por conseqüência a do outro. “Tendes ouvido o que foi dito, olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-te a túnica, cede-lhe também a capa” (Mt. 5, 38). 

O amor em movimento leva-nos a exercitar a paciência e a fugir da vingança. Como é um desafio no mundo de hoje! Basta dar uma zapeada pelas redes sociais, quantos discursos de ódio… em um dia, vemos as celebridades declarando amor eterno, já em outro, se matando judicialmente. Não só no mundo dos famosos, mas no trabalho, na escola, com os vizinhos, nas relações familiares. Será que desaprendemos a amar?

Deixe o amor vencer

Amar a quem nos ama é fácil, mas o significado do amor se agiganta quando  conseguimos transpor as barreiras das diferenças, das inimizades, quando deixamos o amor vencer. “Só se ama verdadeiramente o próximo quando se ama a Deus no próximo, seja porque Deus vive nele, seja para que Deus viva nele. Isto é amor. Amar por outro motivo não é amor”, já explicava Santo Agostinho. 

No sermão da montanha Jesus vai dizer: “amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos do vosso Pai do Céu” (Mt 5, 44-45). Precisamos pedir a graça ao Espírito Santo de Deus, para que possamos ser movidos pela graça e não pela carne! “Deixai-vos conduzir pelo Espírito e não satisfareis os apetites da carne, pois os desejos da carne se opõem aos do Espírito” (Gl, 5, 16-17).

É pela vida de oração que nos abrimos à graça. É necessário parar, reservar um tempo para a intimidade com Deus. É nesse diálogo de amor que seremos instruídos e impulsionados a fazer o bem. Um bem que salta das palavras e é semeado na ação. “Quem semeia na carne, da carne colherá corrupção; quem semeia no Espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens” (Gl.6,8-10)

Andressa Silva
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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