Vaticano à ONU: Querem a igualdade da mulher? Não menosprezem o “gênio feminino”

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O reconhecimento do papel especial e integral da mulher no progresso da humanidade não pode passar por cima da dignidade das mulheres como esposas, mães e como uma voz dos vulneráveis, disse recentemente uma autoridade do Vaticano às Nações Unidas.
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O Observador Permanente da Santa Sé ante a Organização das Nações Unidas (ONU), Dom Bernardito Auza, lamentou que a “contribuição essencial das mulheres ao desenvolvimento da sociedade, através de sua dedicação a sua família e a criação da próxima geração não é reconhecida adequadamente”.

“Às vezes seu serviço invisível e muitas vezes heroico é inclusive menosprezado como um modelo antiquado e insalubre da vida feminina”, criticou.

Em duas conferências à comunidade internacional sobre a dignidade da mulher, realizadas nos dias 13 e 18 de março, Dom Auza assinalou que “tais críticas não vêm de uma valorização verdadeira da mulher em sua totalidade e sua verdadeira igualdade, em complementariedade e reciprocidade, com o homem”.

O Observador Permanente da Santa Sé ante a ONU também rejeitou a ideia de que a igualdade das mulheres requer que as mulheres realizem todos os mesmos papéis que os homens.

“O verdadeiro respeito pela mulher começa em aceita-la com todos os aspectos de sua humanidade. Isso envolve criar as condições para que ela viva livre e plenamente”.

Nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, em março se celebra o Mês da História das Mulheres, e inclui a celebração do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

Dom Auza destacou que ao promover os direitos e igualdade das mulheres, o papel da família não deve ser esquecido.

O Prelado enfatizou que as mulheres têm um grande número de dons e talentos para oferecer à sociedade, incluindo “não só os aspectos que compartilham em comum com o homem, mas também os dons únicos que pertencem a ela como mulher”, tais como a capacidade de ser mãe.

Esta, indicou, não é apenas uma capacidade física, mas abrange a capacidade de “uma forma de vida espiritual, educativa, afetiva, de criação e cultural”, seja ou não a mulher uma mãe física.

Esta “especial sabedoria para velar pela dignidade intrínseca de todos, para alimentar a vida e o amor e para desenvolver os dons dos outros” é a que se referiu São João Paulo II como o “gênio feminino”, explicou Dom Auza.

Ao minimizar o papel da família e da maternidade, indicou, as sociedades se arriscam a negar a dignidade humana das mulheres como toda uma classe, e advertiu que “o valor e dignidade única da maternidade em algumas sociedades é insuficientemente defendido, apreciado e promovido, deixando as mulheres cultural e legalmente em uma posição de escolher entre seu desenvolvimento intelectual e profissional e seu crescimento pessoal como esposas e mães”.

Quando a família “é ignorada ou atacada, devemos colocar-nos de pé e defendê-la sinceramente e com respeito por todos, e corajosamente advogar por melhores estruturas e políticas que apoiem as mulheres trabalhadoras que desejam ter filhos ou que querem dedicar-se, parcial ou totalmente, aos cuidados de suas famílias”, assinalou.

Dom Auza também destacou que tanto a maternidade como a família são afirmadas na Declaração Universal dos Direitos humanos.

Em seu discurso de 18 de março, o Prelado se estendeu sobre estes temas, discutindo o papel das mulheres no desenvolvimento humano. O Prelado elogiou o trabalho de numerosas mulheres –incluindo o da Dra. Carolyn Woo, presidente e chefe executiva do Catholic Relief Services; da Magalie Dresse, proprietária do Caribbean Craft Haiti; e da Irmã Norma Pimentel, diretora executiva do Catholic Charities of the Rio Grande Valley – junto com santas e beatas por seu papel em ajudar o desenvolvimento das pessoas.

O gênio feminino, disse Dom Aúza, está relacionado profundamente com a “solidariedade no cuidado dos vulneráveis e em criar um mundo melhor”. Os governos são os responsáveis por assegurarem uma sociedade justa e o respeito pelos direitos de todas as pessoas, “alguns membros de nossa família humana caem em dificuldades ou têm deficiências e outros fatores de risco que, inclusive sociedades justas e bem ordenadas, podem passar por cima ou prestar menos atenção”.

Em casos como estes, “necessitam-se pessoas que se interessem, que os tratem com o amor que corresponde com a plenitude de sua dignidade humana”, uma tarefa para a qual as mulheres estão singularmente sintonizadas, explicou.

Este cuidado das pessoas, continuou, teve um impacto profundo sobre o desenvolvimento e história humana. Toda a civilização, disse, “tem uma dívida impagável de gratidão às menos registradas ou inclusive desconhecidas contribuições de mulheres que formaram as civilizações, como o silencioso, mas constante fluxo das águas profundas que dão forma aos rios”.

O desenvolvimento humano começa, disse, “nas relações entre os seres humanos e na forma como os seres humanos cuidam uns dos outros”, um campo muito influenciado pelo gênio feminino das mulheres.

A humanidade pode “aprender dele e ajudar a que este gênio se expanda e assuma uma maior influência para o bem dos indivíduos e da sociedade de hoje, e para a melhora das pessoas e nações do amanhã”, assegurou.

ACI Digital

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