Vocação: Escolha ou Descoberta?

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Vocação

Vocação, qual escolher? Muitas pessoas reduzem “vocação” à escolha de uma profissão, como se ela bastasse e desse sentido à vida, empregando tempo, esforço e ânimo para fazê-la acontecer; porém, vocação mesmo não se trata essencialmente de uma escolha, mas de uma descoberta.

A principal vocação que temos vem antes de uma profissão, é o chamado da nossa vida, somos preparados desde o nascimento para ela. Sim, essa vocação pessoal um dia nos alcança e nos desafia, traz o sentido da nossa vida, aquele que nos deve reger, que deseja nos levar ao objetivo último para o qual fomos criados: a feliz e eterna comunhão com Deus!

Tudo isso é verdade, mas eu posso escolher segui-la ou não. É a minha resposta, em minha liberdade, que fará com que minha vocação aconteça. Ela é um meio privilegiado de chegar ao objetivo esperado; daí sua importância!
Muito mais abrangente que uma profissão ou até um estado de vida, a vocação pessoal abraça toda a identidade. Deixo aqui um breve testemunho de como aconteceu comigo.

A vocação pessoal abraça toda minha identidade

Nasci numa família católica por parte de mãe e protestante por parte de pai. Fui batizada e fiz minha primeira comunhão na Igreja Católica, mas depois não continuaram a obra começada. Minha primeira comunhão foi aos 9 anos, (fiz em 6 meses por conta dos preparativos da visita do então papa João Paulo II ao Brasil) e na época isso para mim se reduziu em decorar as orações de um caderninho de catecismo; não tinha consciência do que estava fazendo de fato, infelizmente.

Passei muitos anos longe da igreja, meus pais não eram de ir e muito menos me levar. Porém havia em meu coração uma sede de Deus que eu não conseguia nomear. Eu e minha amiga de infância saíamos nos finais de semana procurando uma igreja em que pudéssemos nos identificar. Fomos em algumas denominações protestantes, mas por fim acabei frequentando a presbiteriana com meu pai, quando ele decidiu retornar à igreja. Mesmo assim, no fundo, me sentia “fora do ninho”.

Foi quando comecei a namorar “um católico” que tudo mudou. Através da leitura da palavra de Deus em um retiro que fui com ele, recebi o primeiro chamado: Isaias 43, e tive minha primeira experiência quando ouvi o próprio Jesus me dizer ao coração: “Você me procurou em tantos lugares e eu sempre estive aqui.” Ali selou minha volta à igreja Católica. Fiz minha crisma e em pouco tempo estava frequentando os grupos de oração.

Servindo no grupo de oração da minha paróquia, conheci a comunidade El Shaddai (hoje El Shaddai – Pantokrator), através do Curso de Doutrina, mas ainda não sabia o que era vocação. Deus foi me guiando com muita paciência, me levando cada vez mais “para dentro”, “para perto Dele” e fui me deixando ir.

Me casei e engravidei durante o decorrer do Curso de Doutrina, e no final do ano de 2000, quando minha filha era ainda um bebezinho de 3 meses, recebemos (eu e meu marido) o convite do André (nosso fundador) para fazermos o encontro vocacional. Foi uma alegria para mim! Me dispus a ir, mesmo sem entender direito o que aquilo significava.

Nesse encontro, numa das orações que foram ministradas, senti um novo chamado através de uma visualização: me vi num mar à noite e um farol aceso numa pequena ilha, me chamando àquela luz. Era para mim, náufraga na vida, que aquele farol brilhava. Eu entendi o chamado, e a partir dessa experiência, nunca tive dúvidas da minha vocação. Hoje já se passaram 20 anos e a luz desse farol, cada vez mais intensa, me alimenta, me acolhe, me desafia, me encoraja, cuida de mim.

Foi assim que Deus me encontrou, me chamou e me colocou “debaixo de Suas asas” nessa luz maravilhosa do meu Carisma! Dentro dele, minhas outras vocações encontram maior brilho: meu matrimônio, minha maternidade, minha profissão! Dentro dele descobri minha missão! Tudo encontra na luz desse Farol seu sentido mais profundo, pois ela tem iluminado todas as coisas para mim, me levado a um encontro diário com Deus, me colocado a caminho do céu, me ensinado a amar!

Sou profundamente feliz por ter sido alcançada pela minha vocação e por ter nadado em direção àquele Farol, decidindo habitar nele até o fim da minha vida nesta terra!

Rosana Vitachi
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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