Você é um mentiroso!

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Não interessa qual seja a justificativa, você é um mentiroso. Apesar da mentira estar enraizada no mundo desde seus primórdios, atualmente estamos ainda mais acostumados a normalizá-la e relativizar a verdade. Ninguém se escandaliza mais tanto com a mentira, principalmente quando se trata das “inofensivas”, que aparentam não causar nenhum grande impacto nas situações do dia a dia. Mas mesmo que se no final das contas não causarem, será que isso as torna menos problemáticas?

Tem gente que mente para fugir de alguma punição na escola ou emprego. Outras que mentem para fazer alguém se sentir bem. Tem gente ainda que mente para esconder coisas graves. E tem gente que mente para evitar um caos que pode até mesmo colocar pessoas em risco de vida. Seja na melhor ou na pior das intenções, no entanto, a mentira sempre será um pecado. Não por uma mera inflexibilidade de Deus, mas por sua própria natureza. O Catecismo ensina: “A mentira é condenável em sua natureza. É uma profanação da palavra que tem por finalidade comunicar a outros a verdade conhecida” (CIC, parágrafo 2485).

Jesus é a Verdade

A partir do momento que Jesus proclama que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14, 6), qualquer coisa que se oponha a isso é automaticamente uma desordem que fere o coração de Deus. É claro que existem mentiras mais graves que outras, mas ela se torna um pecado mortal quando fere gravemente as virtudes da justiça e da caridade. Pode parecer algo sutil, mas toda mentira é uma violência contra nossos irmãos e a nós mesmos.

Reflita nesse momento sobre mentiras de estimação que você conta todos os dias. Se a verdade sobre elas fosse tão inofensiva, não teria porque mentir. Então, concluímos que não existe mentira totalmente inofensiva, isso é uma ilusão. O inimigo tem tentado nos impor tudo isso porque quando nos habituamos com pequenas mentiras, abrimos uma brecha para que outras de suas artimanhas penetrem nos nossos pensamentos.

O pai dos mentirosos

A primeira tática do diabo para romper a relação de confiança que existia entre Adão, Eva e o Senhor foi justamente a mentira. Em Gênesis 3, diz a serpente a Eva: “Oh, não! – tornou a serpente – vós não morrereis! Mas Deus bem sabe que, no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão, e sereis como deuses, conhecedores do bem e do mal” (Gen 3, 4-5).  Foi após essa mentira contada, que Eva comeu o fruto.

É por isso que o Senhor enfatiza inúmeras vezes no seu Evangelho, sobre o demônio: “Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando diz a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8, 44).  Por isso, quem mente mesmo em pequenas situações, está se colocando como amigo do pai da mentira.

Nas coisas pequenas…

Jesus também exorta: “Aquele que é fiel nas coisas pequenas será também fiel nas coisas grandes. E quem é injusto nas coisas pequenas, sê-lo-á também nas grandes” (Lc 16, 10). Portanto, se não somos capazes de ser verdadeiros no simples, quem dirá em coisas importantes? Se nossas palavras não são sinceras no cotidiano, que valor têm elas diante de um sim a uma vocação, um casamento ou uma promessa? Esse é o perigo das pequenas mentiras! Elas deformam nosso coração e nossa sensibilidade àquilo que é verdadeiro.

E se um dia você passar por situações de vida ou morte, lembre-se de pedir a sabedoria do Espírito de Deus. Nesses casos, a omissão da verdade pode ser justificada. Mas lembre-se que muitos mártires morreram por se recusar a mentir, e outros santos foram sábios em não precisar usar de inverdades para sair de situações de risco.

De todo modo, um cristão sem apreço pela Verdade não é um verdadeiro cristão. Ainda que seja difícil abandonar o vício da mentira, que nós possamos pelo menos tornar nossos corações admiradores da Beleza da Verdade. Já é um primeiro passo para que nos tornemos atentos quando, no dia a dia, a vontade de mentir apareça. Na prática, elas podem parecer inofensivas. Mas a longo prazo e no nosso coração, elas são extremamente perigosas para nossa própria santidade e para a conservação dos valores cristãos no mundo de hoje.

 

Giovana Cardoso
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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