Você sabe o que é dependência afetiva?

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dependente afetivo

Hino do dependente afetivo

“Nem estou dormindo mais, já não saio com os amigos, sinto falta dessa paz que encontrei no seu sorriso. Qualquer coisa entre nós vem crescendo pouco a pouco e já não nos deixa sós, isso vai nos deixar loucos. Se é amor, sei lá só sei que sem você parei de respirar e é você chegar pra esse turu, turu, turu, turu, vir me atormentar”

Essa música da dupla Sandy e Junior está presente na minha playlist de viagem. É sempre cantada com emoção e com super performance para ser mais legal. Você deve achar estranho tê-la nomeado como “Hino do dependente afetivo” e ainda mais estranho dizer que gosto dela. Fique até o final comigo que vou te explicar a referência e vamos juntos refletir sobre dependência afetiva nos nossos relacionamentos.

Um relacionamento, seja ele amoroso ou fraterno, exige uma entrega livre, uma certa vulnerabilidade baseada em confiança, onde partilhamos do sagrado do nosso coração na esperança de encontrar um apoio, uma companhia na caminhada dessa vida. Todos nós, em certa medida, almejamos por esse encontro de corações amigos que amam as mesmas coisas e detestam as mesmas coisas que nós; almejamos encontrar um coração cúmplice que, tornando-se uma só carne no compartilhar de sonhos, percorra conosco o caminho para o céu até o fim da jornada aqui na Terra. 

Acontece que, no decorrer desse caminho, o desejo do encontro perfeito, do relacionamento dos sonhos, sofre a contaminação do pecado daquilo que é imaturo, falho, ferido, mal resolvido em nós e na nossa história de vida. Essa contaminação pode nos colocar em situações que nos ferem mais do que alegram. E aqui quero falar especificamente do papel de dependente afetivo que assumimos por conta dessa contaminação dos nossos desejos na busca da felicidade.

É importante dizer que todos somos dependentes de alguém. Sim, dependemos do motorista do ônibus, do pecuarista que cuida dos boizinhos na roça que vão virar o churrasco do fim de semana, do entregador de encomendas dos correios, do meu chefe que paga meu salário, enfim, esse é o tipo de dependência comum que vivemos no ordinário da vida, isso não é ruim. Agora, quando falamos de ser dependente afetiva e emocionalmente de alguém, já temos algo mais grave e um ponto que precisa de atenção.

Vamos lá!!! O que é de fato ser dependente afetivo e o que a música de Sandy e Junior tem a ver com isso?

Ser dependente afetivo é isso aqui: “Se é amor, sei lá/Só sei que sem você parei de respirar.” Vejam vocês o que uma busca corrompida pela felicidade pode nos causar: colocar a nossa vida na mão do outro de tal forma que “sem ele não consigo respirar”. Ou ainda: “Nem estou dormindo mais/Já não saio com os amigos/Sinto falta dessa paz/Que encontrei no seu sorriso”.

Reflita um pouco se você não conhece ou já conheceu alguém que age assim nos relacionamentos. Talvez você seja essa pessoa! E aqui não falo só de relacionamento amoroso; nas amizades e na família isso também acontece. 

O normal da vida seria que nos nossos relacionamentos entendêssemos quem somos e qual o lugar que o outro ocupa na nossa vida. Não é saudável eu me referenciar exclusivamente no outro, de maneira que sem ele fico perdido, sem rumo, não sabendo nem escolher o sabor da pizza na lanchonete porque sempre como o sabor preferido do outro. E ainda pior é quando penso que “sem o outro eu paro de respirar”. 

Não pretendo aqui fazer um tratado psicológico sobre dependência afetiva, apenas chamar você à reflexão sobre o assunto. Quero que reflita sobre como tem vivido seus relacionamentos, pois é lícito buscar a felicidade, o amor.

Deus nos criou para isso: amar e sermos amados.

Buscamos a felicidade, temos o desejo de encontros que nos ajudem nessa busca, mas isso pode ser corrompido, nos levando a entregar a responsabilidade dessa busca exclusivamente para o outro e nos colocando no papel de dependentes, afetiva e emocionalmente, dessa pessoa. Até aqui Sandy e Junior nos ajudaram! Acredito que tenha o bastante para iniciar uma reflexão sobre o assunto. Falamos sobre o problema; agora vamos para a solução!

A solução para o problema da dependência afetiva é simples: mude-se para o deserto, viva como um eremita distante das pessoas. Seus problemas estarão resolvidos!! Mas espera, no deserto não tem internet e você não vai conseguir ler meus textos, então melhor procurarmos outro caminho. E pasmem, quero indicar um caminho de dependência!!! 

É isso mesmo que você leu. Cura-se a dependência afetiva com outra dependência. Explico. Essa outra dependência é a dependência do Cristo que venceu o pecado e recapitula nossa busca corrompida pela felicidade, nos devolvendo a identidade de filhos feitos “à Sua imagem e semelhança”.

Vejam que coisa maravilhosa temos aqui. Cristo devolve a nossa identidade de maneira que, conhecendo quem sou segundo o coração de Deus, não preciso me referenciar pelas criaturas. A minha vida já não depende de outro ser humano falho como eu, mas dAquele que é Perfeito, em quem de fato devo me referenciar para ser “imagem e semelhança”.

Nessa dependência faz sentido cantar: “Só sei que sem você parei de respirar”.

Sem a vida do Espírito em nós, nossas referências de amor ficam corrompidas, nossa vivência dos relacionamentos corre o risco de cair em ilusões criadas e vivermos como imagem e semelhança do outro e não do Deus de amor que nos criou.

Parece uma solução simplista demais para algo tão sério como é a dependência afetiva, que pode ter consequências bem ruins, causar feridas emocionais e até físicas em casos mais extremos; no entanto, como eu disse anteriormente, quis trazer aqui pontos de reflexão para começarmos a identificar o problema e iniciar um processo de cura a partir de então.

Eu desisto de entender/É um sinal que estamos vivos/Pra esse amor que vai crescer/Não há lógica nos livros/E quem poderá prever/Um romance imprevisível”

Convido você a não fazer como o trecho da música diz: “Eu desisto de entender”; não desista de entender seus sentimentos, suas motivações, não desista de entender você!

Dependa de Deus para que possa viver a poesia da vida sem se perder nas ilusões criadas pelo pecado, que devastam nosso coração.

Santa Teresinha vai dizer: “eu sou o que Deus pensa de mim”, e é assim que termino essa reflexão de hoje, com essa frase de alguém que soube ser dependente, recapitulou em Cristo o sentido da dependência e nos deixa esse ensinamento para uma vida plena e feliz.

Obrigada por permanecer na leitura até o fim. Coloque aqui nos comentários o que achou da reflexão, quero saber o que acha sobre o assunto.

Que o Bom Deus nos abençoe! Até a próxima.

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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