A juventude em busca da paz!

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Tem muito tempo que nós jovens não temos o direito de ouvir e muito menos de buscar a Palavra de Deus. As pressões veladas para que não tenhamos qualquer tipo de contato com a Palavra de Deus e para que não respondamos com fidelidade à Vontade do Criador para nossas vidas, vem ocorrendo insistentemente em nossa sociedade e pouco fazemos para tentar mudar esse fato e, muitas vezes, até nos excluímos dessa magnífica e gloriosa batalha contra os inimigos de Deus e de Sua Igreja.


A revolução, provocada pelo mal, traz profundas marcas de terror em nossa sociedade ocidental cristã. A inversão de valores toma conta do cotidiano em nossas vidas, boas maneiras do passado não são mais repetidas ou sequer recomendadas, o homem masculino e a mulher feminina vêm sumindo aos poucos, a sabedoria e os feitos dos antigos anciãos não são mais contados com glórias e acabam deixando de ser exemplo para os mais novos que têm o dever da construção do amanhã em nossa sociedade. E você ainda acha que estamos melhores hoje do que ontem? Seria muita tolice dizer que sim! Não digo isso para lhe ofender, mas para provocar na sua alma a verdadeira vontade de Deus dentro de sua vida.

Quando olhamos para o mundo nos dias de hoje percebemos claramente seu afastamento dos propósitos de Deus. Essa revolução cultural que não passa de uma oposição radical à sabedoria, mantém muitos jovens voltados ao sentimentalismo exacerbado, provocando neles uma embriaguez, não alcoólica, mas psicológica que os faze seguir, ao extremo, seus instintos, abandonando de vez a linha da fé e da razão. Posso relatar ao leitor vários casos de pessoas ou até fatos históricos em que foram tomadas decisões baseadas em instintos sentimentalistas que acabaram tendo resultados desastrosos. Também não estou querendo dizer que sentimentos são ruins ou inaceitáveis, o católico que não sente indignação, horror, perplexidade ou tristeza com esses ataques diários aos princípios de Deus em nossa sociedade, promovidos pelos meios de comunicação, políticos, juízes, etc, não tem compromisso com a Verdade em Cristo e tampouco compromisso para que se faça a vontade de Deus assim na terra como no céu.

Estão querendo fazer dos jovens meros indivíduos irracionais como animais, cachorros ou qualquer outro animal que você preferir, que não são racionais e agem através de seus instintos. Vejam os programas destinados para o nosso público ou os jornais, revistas, livros e por aí vai, praticamente todo esse “besteirol sexual” pode ir para o lixo. Quem não tem ou já teve um colega que só pensava na garota que iria conquistar no dia seguinte? Ou aquela colega que na hora da “balada” só saía de casa com roupas curtas, com barriga de fora ou com decotes exagerados? Certa vez um grupo de amigas minhas foi a um aniversário que comemorei fora da minha casa e minha avó, que estava na festa, fez um comentário sobre a roupa de algumas das meninas dizendo: “Vestem-se elas como outrora se trajavam as mulheres de má vida dos piores antros”. Bem! Eu nunca mais me esqueci disso, “mulher de má vida dos piores antros”, traduzindo para o popular “uma prostituta da pior zona”, mas infelizmente hoje essa é a realidade em alguns ambientes.

Está na hora de dizermos “não!” para essas coisas que tentam nos impôr goela abaixo e deixar que a Palavra de Deus tome conta de nossas vidas para que sejamos fiéis à nossa vocação.

Quando se usa a palavra vocação, bom número de pessoas pensa imediatamente em vocação religiosa, ou em seminário ou convento. Quem assim age incorre numa grande simplificação. Porque “vocare”, em latim, significa chamar, e o substantivo derivado – vocação – significa chamado. Todos os homens são chamados por Deus para realizar algo na vida: e, a par das vocações religiosas, existe também a vocação do fiel leigo que é convidado a instaurar no seu lugar de atuação, na Medicina, no Direito, na Academia militar, no curso acadêmico, o Reino de Deus.

A maior vocação da História não foi um chamado à reclusão num claustro ou à vida sacerdotal. Foi a Anunciação do anjo para Nossa Senhora, convidando-a para ser mãe, e Mãe de Deus o que a unia de modo misterioso à Santíssima Trindade e à missão de seu Filho. Contudo, o chamado imediato era para ser simplesmente mãe: gerar em seu seio o Salvador, amamentá-Lo, vesti-Lo, protegê-Lo da fúria assassina de um Herodes, dar-Lhe os rudimentos da primeira educação. Ou seja, em grau sublime, a mesma vocação que, em grau comum tem a mais humilde das mães.

O mesmo pode dizer-se de São José, que não foi nem sacerdote nem religioso, mas pai adotivo do Menino Jesus e esposo de Maria Santíssima. Ele devia ocupar-se da manutenção da Sagrada Família com seu oficio de carpinteiro, e exercer junto aos seus a autoridade que todo pai tem em seu lar.

Por isso a vida da Igreja está cheia de santos e santas que não foram nem sacerdotes nem freiras, mas que se santificaram na vida civil, realizando os mais diversos ofícios. E, como não se pode pensar que atingiram a perfeição fazendo o contrário do que Deus queria deles, é necessário ver que eles receberam da Divina Providência a vocação específica de se santificarem nos afazeres do mundo.
De fato, nos planos de Deus, como numa magnífica peça de teatro, cada um de nós tem um papel a desempenhar nessa luta. Uns têm um papel mais central, outros, mais escondido. Mas todos nós temos que contribuir, cada um em seu lugar, para o esplendor dessa imensa peça que é a História da Humanidade, cujo conjunto deve espelhar a grandeza de seu Autor.

Aliás, Deus não é apenas o Autor dessa grande História. Ele é, sobretudo, o principal Ator. O centro da História foi a Vida, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. O nascimento do Divino Redentor a dividiu. Essa presença de Nosso Salvador na História não se interrompeu com Sua gloriosa Ascensão aos Céus, mas continuou através da Igreja Católica, o Corpo Místico de Cristo do qual Ele é a Cabeça que prolonga Sua ação redentora na vida dos homens.

A Igreja Católica é, pois, a principal personagem no atual desenrolar do grande teatro da História, abrindo para os fiéis o imenso vigor das graças sobrenaturais de que Ela é depositária, e que distribui abundantemente através dos Sacramentos. Mas, Deus deseja que os benefícios da Redenção não sejam apenas sobrenaturais. Ao santificar os homens com sua graça, a Divina Providência incita-os a desenvolver todas as suas capacidades humanas, intelectuais, morais e artísticas, gerando uma civilização terrena que, por suas obras, cante as grandezas de Deus, do mesmo modo que a natureza manifesta as glórias do Criador. Cada um de nós tem que contribuir com algo na construção dessa “Cidade de Deus” descrita por Santo Agostinho, e para qual deve tender a sociedade dos homens.

Nossa vocação individual é precisamente aquela contribuição única que cada um de nós deve dar à vida coletiva, e sem a qual ela não produziria o mesmo efeito de conjunto, como numa peça de teatro, um grande ator.

Alguém disse que, quando Deus quer realizar uma grande obra religiosa, suscita um santo e uma ordem religiosa. Mas, quando quer realizar uma grande obra temporal, suscita todo um povo. Para se ter uma noção da veracidade desse fato, basta pensar no que representaram Grécia e Roma para a civilização ocidental, desde a Antiguidade pagã até hoje, ou então no papel que desempenharam Carlos Magno e o povo franco para a construção da Idade Média, Idade da Luz.
É tempo de despertar em nós essa vontade de lutar por Cristo e que você tenha sempre a certeza de que “não lhe faltarás o socorro dos céus nessa jornada e você serás sempre um bom filho aos olhos do Pai”. Temos que, a exemplo de São Paulo, combater um bom combate. Mas, para isso, precisamos de combatentes.
Deixe-se encontrar por Cristo e com o alto ideal de vida que Ele lhe propõe, despertando de alguma forma esse desejo de não se deixar sujar pelas mazelas que o mundo oferece, mas de estar com Cristo onde a luta se travar.

Mário Dias S. de Oliveira
Diretor de Políticas Institucionais
Instituto Juventude pela Vida

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