O Espírito do Pentecostes é o Espírito que animou a Criação, diz o Papa na Missa de Pentecostes

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Graças ao Espírito Santo recebido no Pentecostes, a Igreja é católica desde o primeiro momento e abraça o mundo inteiro”: sublinhou-o Bento XVI, na homilia da missa, na basílica de São Pedro. Começando por evocar o Salmo responsorial, o Papa pôs em destaque que o Espírito do Pentecostes é o Espírito que animou a Criação. Criação e Redenção constituem um só mistério de amor e salvação:
“o Espírito criador de todas as coisas, e o Espírito Santo que Cristo fez descer do Pai sobre a comunidade dos discípulos, são um e mesmo (Espírito): criação e redenção pertencem-se reciprocamente e constituem, em profundidade, um único mistério de amor e de salvação. Para nós cristãos, o mundo é fruto de um ato de amor de Deus, que fez todas as coisas e do qual Ele se alegra porque é ‘coisa boa’, ‘coisa muito boa’. Portanto Deus não é o totalmente Outro, inominável e obscuro. Deus revela-se, tem um rosto. Deus é razão, Deus é vontade, Deus é amor, Deus é beleza”.

Passando depois à segunda leitura (da primeira Carta aos Coríntios), Bento XVI fez notar que também aqui se adverte a relação entre o Pai e o Filho, no mistério do Espírito Criador. O Espírito Santo é Aquele que nos faz reconhecer Cristo como o Senhor.
Finalmente o Evangelho “oferece uma maravilhosa imagem para clarificar a ligação entre Jesus, o Espírito Santo e o Pai: o Espírito Santo é representado como o sopro de Jesus Cristo ressuscitado”. “O Espírito Santo, Criador, é ao mesmo tempo Espírito de Jesus Cristo, de tal modo, porém, que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um só e único Deus”.

E, à luz da primeira Leitura (observou o Papa) podemos ainda acrescentar: “o Espírito Santo anima a Igreja. Esta não deriva da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade organizativa. A Igreja é – sim – o Corpo de Cristo, animado pelo Espírito Santo”.

Com o acontecimento do Pentecostes exprime-se um novo Sinai, o dom de um novo Pacto, em que a aliança com o povo de Israel se estende a todos os povos da Terra. E este facto é referido por são Lucas através do elenco de tantas diferentes populações. É-nos assim dito uma coisa muito importante:
“que a Igreja é católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é o fruto da inclusão sucessiva de diversas comunidades. De facto, desde o primeiro instante o Espírito Santo criou-a como a Igreja de todos os povos. Ela abraça o mundo inteiro, ultrapassa todas as fronteiras de raça, classe, nação; abate todas as barreiras e une os homens na profissão do Deus uno e trino. Desde o início a Igreja é una, católica e apostólica: é esta a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida. Ela é santa, não graças à capacidade dos seus membros, mas porque o próprio Deus, com o seu Espírito, a cria e santifica sempre”.

E Bento XVI concluiu a homilia de Pentecostes recordando a “belíssima expressão” do Evangelho do dia: “Os discípulos rejubilaram ao ver o Senhor”.

“Estas palavras são profundamente humanas. O Amigo perdido está de novo presente, e quem antes estava perturbado e ansioso, agora alegra-se. Mas (a expressão) diz muito mais ainda. Porque o Amigo perdido não vem de um lugar qualquer, mas sim da noite da morte, que Ele atravessou! Ele não é uma pessoa qualquer, mas o Amigo e ao mesmo tempo Aquele que é a Verdade que faz viver os homens. E isto dá, não uma alegria qualquer, mas a própria alegria, dom do Espírito Santo”.

 

Rádio Vaticano

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