Formação: Vida Consagrada, dom precioso para a Igreja

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Na Festa da Apresentação de Jesus no Templo, de que a Liturgia faz memória dia 02 de fevereiro, celebramos um mistério da vida de Cristo, ligado ao preceito da lei mosaica que prescrevia aos pais, quarenta dias depois do nascimento do primogênito, de subir ao Templo de Jerusalém para oferecer seu filho ao Senhor e para a purificação ritual da mãe (cf. Ex 13, 1-2.2.11-16; Lv 12, 1-8). Também Maria e José cumpriram um rito, oferecendo, segundo a lei um casal de rolinhas ou de pombos. Lendo os fatos mais em profundidade compreendemos que naquele momento é Deus que apresenta seu Filho Unigênito aos homens, mediante as palavras do velho Simeão e da profetiza Ana.
Juntamente com esta festa litúrgica, o papa João Paulo II, a partir de 1997, quis que fosse celebrado em toda a Igreja um dia especial da Vida Consagrada. De fato, a oblação do Filho de Deus – simbolizada pela sua apresentação no Templo – é modelo para todo homem e mulher que consagra toda a sua vida ao Senhor. Tríplice é o objetivo deste dia: sobretudo louvar e agradecer ao Senhor pelo dom da vida consagrada; em segundo lugar, promover o conhecimento e a estima pela Vida Consagrada por parte de todo o Povo de Deus; enfim, convidar os que dedicaram plenamente a própria vida à causa do Evangelho a celebrar as maravilhas que o Senhor realizou neles.
A vida consagrada testemunha e expressa de maneira forte o buscar-se recíproco entre Deus e homem, o amor que os atrai; a pessoa consagrada, pelo fato de existir, é como uma ponte rumo a Deus para todos aqueles que a encontram, um chamado, um recomeço. E tudo isso pela força da mediação de Jesus Cristo, o Consagrado do Pai. O fundamento é Ele! Ele, que partilhou a nossa fragilidade, para que nós pudéssemos participar de sua natureza divina.
As pessoas consagradas são chamadas de maneira particular a serem testemunhas da misericórdia do Senhor, na qual o homem encontra a sua salvação. Mantêm viva a experiência do perdão de Deus, porque têm a consciência de serem pessoas salvas, de serem grandes quando se consideram pequenos, de se sentirem renovadas e envolvidas pela santidade de Deus quando reconhecem o próprio pecado. Por isso, também para o homem de hoje, a vida consagrada permanece uma escola privilegiada da “compunção do coração”, do reconhecimento humilde da própria miséria, mas permanece uma escola de confiança na misericórdia de Deus, em seu amor que nunca abandona. Na realidade, quanto mais nos aproximamos de Deus, ficamos mais perto Dele e nos tornamos mais úteis aos outros. As pessoas consagradas experimentam a graça, a misericórdia e o perdão de Deus não somente para si, mas também pelos irmãos, sendo chamados a levar no coração e na oração as angústias e as expectativas dos homens, sobretudo daqueles que estão longe de Deus. Em particular, as comunidades que vivem na clausura, com o seu específico compromisso de fidelidade no “estar com o Senhor”, no “estar sob a Cruz”, realizando freqüentemente esta função vicária, unida a Cristo pela Paixão, tomando sobre si os sofrimentos e as provas dos outros e oferecendo tudo com alegria para a salvação do mundo.
A vida consagrada testemunha a superabundância do amor que impulsiona a perder a própria vida, como resposta a superabundância de amor do Senhor, que por primeiro perdeu a Sua vida por nós. Enfim, a vida consagrada é um dom precioso para a Igreja e para o mundo, que tem sede de Deus e de Sua Palavra.
Uma vez que pelo Batismo, todo cristão tem sua primeira e fundamental consagração a Deus, façamos este gesto interior em íntima comunhão espiritual com a Virgem Maria: enquanto a contemplamos na ação de apresentar Jesus Menino no Templo, nós a veneramos como primeira e perfeita consagrada, carregada por aquele Deus que ela leva nos braços; Virgem, pobre e obediente, toda dedicada a nós, porque é toda de Deus. Em sua escola, e com a sua materna ajuda, renovamos o nosso “eis me aqui” e o nosso “sim”. Amém.

Extraído da homilia pronunciada pelo Papa Bento XVI, durante as Vésperas com os membros dos institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica, celebradas na Basílica de São Pedro – 02 de fevereiro de 2010.

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

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