10 dicas para viver a espiritualidade na vida do casal

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Não sei o que vocês pensam ao ler o título deste texto, mas quando eu me deparo com esse assunto, costumo dar um suspiro e pensar: “ai… tem mais isso!” Seria esse tema mais uma exigência na vida do casal? Afinal, a vida dos esposos, especialmente depois da chegada dos filhos, é tão cheia de atividades, compromissos, cansaço, correria… ou essa é uma exigência fundamental, sem a qual o matrimônio cristão não teria sentido em si mesmo?

A Igreja nos ensina que: deixará o homem pai e mãe e se unirá a sua esposa e já não serão dois, mas uma única carne (Gn 2, 24). Ora, ser uma só carne não é obra natural e sim obra sobrenatural, obra do Espírito Santo.

Por mais apaixonados que estejamos no início do relacionamento ou sejamos capazes de conservar esse “apaixonamento”, ou “até que a morte nos separe”, ser uma só carne sempre será obra do Espírito Santo.

Os esposos não deixam de ser indivíduos distintos, com gostos e reações diferentes, apelos interiores. E é bom que seja assim. Matrimônio não é para ser de dois iguais e sim de dois diferentes que, mantendo suas individualidades não sejam individualistas. Em suas diferenças, vivam o grande mistério da comunhão e da complementaridade. Isso quem faz é o Espírito Santo!

Portanto, diante desta realidade, a vida espiritual do casal não é acessório, enfeite ou opção. A espiritualidade na vida do casal é sua grande essência e cumprimento da sua vocação e missão.

Quando o casal deve rezar e viver essa espiritualidade? Sempre! Você ainda não começou? Comece já!

Pensando nisso, listamos aqui algumas dicas e inspirações que podem ajudar você e sua família a trilhar este caminho. Confira!

  • Nas pequenas atitudes do dia a dia: ao acordarem, abençoem-se, lembrando que cada dia existe para ser ofertado a Deus e como esposos participamos da oferta do outro;
  • Nas refeições: rezem para agradecer o alimento, reconhecendo juntos que tudo é providência e dom de Deus;
  • Diante do conhecimento da dificuldade de alguém: um familiar, um vizinho, um amigo, ofereçam suas orações, sua casa, sua capacidade de acolhida e solidariedade;
  • Ao se recolherem para dormir: quando são capazes de viver o perdão das coisas que não foram boas naquele dia, de algo que feriu, machucou, vivendo a ordem da palavra de Deus de que: “o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento, não vos exponhais ao diabo.” Ef 4, 26-27
  • Quando um percebe que o outro não está bem, está sofrendo, está se confrontando com desafios pessoais, ser capaz de interceder e se colocar diante de Deus em prece por ele(a);
  • Na educação dos filhos, nos discernimentos que precisam fazer quanto ao futuro deles ou decisões que precisam ter no presente, quando precisam de luz e coragem para educar, quando não sabem qual o melhor caminho a seguir;
  • No sacrifício cotidiano, quando somos capazes de resistir ao egoísmo de esperar que o outro faça as coisas por nós e nos decidimos a ser mais generosos e surpreender no amor, seja num copo de água que você gostaria de pedir, mas decide oferecer…;
  • Na vida conjugal: com certeza esse é o lugar eleito como o núcleo da espiritualidade na vida do casal, e ele é sem que o casal precise viver nenhuma prática de piedade antes do ato conjugal. Ensina a Santa Igreja que no momento em que um casal cristão, unido pelo sacramento do matrimônio vive o ato conjugal de maneira lícita, o Espírito Santo está naquele momento. Podemos dizer que a união conjugal é a atividade mais santa que um casal pode praticar. Deus se faz presente com eles, a união de corpos revela o ápice da doação de ambos;
  • Um momento que merece especial atenção e deve ser sempre buscado é a prática da oração do terço. Por mais desafiador que seja juntar os filhos de várias idades e promover em seus corações o interesse e apreço pela prática dessa oração, vale a pena o esforço e as tentativas para que essa oração se torne um hábito em nossas casas. Nossa Senhora, como Mãe amorosa, quer sempre nos favorecer com as graças do Seu Filho. E no terço, unimos os mistérios vividos no cotidiano das nossas famílias aos mistérios salvíficos de Cristo, no gozo, na dor, na luz e na glória da sua Ressurreição;
  • Nossas famílias e nossa união matrimonial também encontram força e sentido no altar de Cristo. Participar juntos do Mistério da Eucaristia na Missa renova a missão e dever dos esposos. Quando nos alimentamos da Sua carne obediente na Eucaristia temos força para nos entregar e amar no martírio das pequenas ofertas do cotidiano.

A espiritualidade na vida do casal não está encerrada nesta ou naquela prática de piedade e não é algo exterior às nossas vidas. Essa espiritualidade pode ser vivida por todos nós e está nas coisas simples do nosso dia a dia quando, compreendemos e cremos que o Amor de Deus em nós é capaz de transformar e dar sentido a todas as coisas.

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Lilia Gonçalves
Consagrada da Comunidade Pantokrator

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