O amor misericordioso de Deus

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Prezados irmãos e irmãs

Estamos, já, no início de fevereiro, em mais um ano que promete ser repleto de atividades em toda a Arquidiocese de Campinas, com a implantação do 7º Plano de Pastoral Orgânica. É meu desejo que todos os nossos planos frutifiquem em ações concretas na construção do Reino de amor, justiça, paz e fraternidade anunciado por Jesus Cristo.

Neste primeiro artigo do ano, porém, quero deixar registrado a minha profunda dor pela perda de mais um filho querido. Perdemos nós, mas ganhou o céu. Logo no início do ano fomos surpreendidos com o falecimento do Padre Pio Luís Fernando Angelotti Junior, um menino de 29 anos que apenas desabrochava para a vida.

Padre Pio nasceu em São Carlos, filho do casal Luís Fernando e Dirce, participando da Paróquia Nossa Senhora do Carmo. Esteve sempre aberto ao chamado de Deus e sentia em seu coração que esse seria o caminho da sua vida. Como ele dizia, estava sendo chamado para “ser sacerdote do Amor”.

Entrou para o seminário no ano 2000, no Instituto Missionário Servos de Javé Salvador, em São Paulo. Cursou Filosofia e Teologia no Instituto de Filosofia e Ciências Religiosas São Boaventura, na Diocese de Santo Amaro.

No ano de 2005 veio conversar comigo sobre a possibilidade de prestar seu serviço sacerdotal da Arquidiocese de Campinas. Vi naquele menino um servidor do Senhor e aceitei sua vinda para nossa Arquidiocese, onde ele ingressou no Seminário da Imaculada de Teologia no início de 2006, continuando a cursar a Teologia em Santo Amaro.

Neste mesmo ano eu presidi a celebração de sua ordenação diaconal e em junho de 2007 o ordenei presbítero da Igreja Diocesana de Campinas.

Padre Pio, nesses três anos de ordenação, mostrou-se um padre extremamente dedicado a Deus, à Igreja e ao povo a ele confiado. Demonstrava um amor profundo à Eucaristia que, dizia, era o centro de sua vida. Amava a Virgem Maria, a Nossa Senhora Mãe do Amor Misericordioso. Procurava-me com frequência na Cúria ou em casa, contando-me seus planos para a Paróquia, para a sua participação na TV Século XXI… Isso tudo, sempre, com muita garra e determinação, certo da presença viva do Ressuscitado em sua vida.

Em outubro de 2008, com a criação da Paróquia Santa Bárbara, em Sumaré, o nomeei como o primeiro Pároco. Em apenas dois anos de pastoreio, mostrou que realmente fora chamado para “ser sacerdote do Amor”. Isso foi demonstrado na Missa de Corpo Presente que presidi no dia do seu falecimento. Nunca havia presenciado tantas pessoas unidas em oração para a despedida de um padre. Crianças, jovens, adultos, idosos lotaram a Igreja e as imediações. Filas intermináveis de pessoas para darem o último adeus àquele jovem que parecia estar entre eles há décadas.

O jovem Padre Pio está agora com Deus, nos braços de Nossa Senhora Mãe do Amor Misericordioso e ao lado de Santa Gema Pia Galgani e São Pio de Pietreltina. Quanto a nós, sigamos em frente o nosso caminho, consolados pela certeza do amor misericordioso de Deus. Que o Pai console o coração de seus pais, irmãos e de toda a nossa Igreja nesse momento de profunda dor.

Termino este artigo com as palavras que o Padre Pio gostava de citar: “As promessas de Deus são profundas e eternas, pois ele nos ama com amor eterno e estende a nós os seus favores, mesmo sem nossos merecimentos próprios, pois seu amor é gratuito e incondicional, por isso nos chama a sermos servos do amor misericordioso”.


Dom Bruno Gamberini

Arcebispo Metropolitano de Campinas

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