A Igreja conclama as famílias a dizer “sim” à vida!

0

Ao apresentar o núcleo central da sua missão redentora, Jesus diz: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância”. Ele fala da vida nova que consiste na comunhão com Deus, conquistada pelo Batismo.

Cada criatura humana é chamada a uma plenitude de vida que vai muito além das dimensões da sua existência terrena, porque consiste na participação na vida de Deus. E é justamente a sublimidade desta vocação que revela a grandeza e o valor da vida humana. É na vida sobrenatural que todos os aspectos e momentos da nossa vida natural adquirem pleno significado e grandiosa importância.

Cada ser humano está confiado à solicitude materna da Igreja, que se sente responsável por ele. Por isso, tudo quanto se opõe à vida – homicídio, genocídio, aborto, eutanásia, suicídio voluntário – e o que viola a integridade da pessoa humana – mutilações, tormentos corporais e mentais, violação das consciências – é abominável para a Igreja.

É a partir dessas razões que podemos compreender realmente os direcionamentos morais do magistério eclesiástico com relação à concepção, pois eles têm como fundamento a defesa da vida humana em todas as suas dimensões. Infelizmente, a primeira tendência que surge no pensamento leigo diante dos direcionamentos morais da Igreja para as diversas realidades humanas é o de que ela vem tolher as alegrias terrenas e o prazer humano, mas isso não é verdade.

A Igreja, iluminada pela missão que lhe foi confiada pelo próprio Jesus, está sempre a favor da vida em abundância; por isso, jamais pode ir contra o Evangelho, nem mesmo com a desculpa de se adaptar às condições da vida moderna. A Palavra de Deus é para toda criatura humana, de todos os tempos e lugares, e é como intérprete autêntica da Palavra de Deus que a Igreja se coloca a favor da vida humana, desde a sua concepção. Por essa razão, cabe a toda família cristã abraçar a causa da Igreja a favor da vida, deixando-se primeiramente renovar em sua própria mentalidade, pelo poder do Espírito Santo.

Direito ao filho

O filho não pode ser considerado objeto de propriedade. Nesse campo, somente ele possui verdadeiros direitos: de ser o fruto do amor conjugal de seus pais e de ser respeitado como pessoa desde o momento de sua concepção. Portanto, além de rechaçar a fecundação artificial heteróloga, a Igreja permanece contrária, do ponto de vista moral, à fecundação artificial homóloga, ou seja, entre os próprios cônjuges; esta é, em si mesma, ilícita e contrária à dignidade da procriação e da união conjugal, mesmo quando se tomam todas as providências para evitar a morte do embrião humano .Cada ser humano que nasce no mundo é uma criatura querida por Deus por si mesma. Deus quer o homem como um ser semelhante a si, como pessoa. Isto aplica-se a todos, incluindo aqueles que nascem com doenças ou deficiências.

Na constituição pessoal de cada um, está inscrita a vontade de Deus, que quer cada ser humano para, através dele, realizar seus desígnios de amor para toda a humanidade. Portanto os pais, diante de um novo ser humano, têm, ou deveriam ter, plena consciência de que Deus “quer” este homem “por si mesmo”, seja ele doente crônico ou deficiente.

A maternidade e a paternidade humana consistem, então, numa participação da pessoa humana no domínio de Deus. Os esposos vivem, pois, em cada ato conjugal, um momento de especial responsabilidade, em razão da potencialidade procriadora dele. Eles podem, naquele momento, tornar-se pai e mãe, dando início ao processo de uma nova vida humana, que depois se desenvolverá no ventre materno. Portanto, nenhum dos dois pode deixar de reconhecer ou aceitar o resultado de uma decisão que foi também sua. Como poderia um dos dois não se sentir comprometido nesse ato? Impõe-se que ambos, o homem e a mulher, assumam conjuntamente, perante si mesmos e os outros, a responsabilidade da nova vida por eles suscitada.

É da posição dos pais que depende a posição da sociedade diante de cada ser humano concebido no mundo. Cada ser humano deve ser respeitado e tratado como pessoa desde a sua própria casa, devem-lhe ser reconhecidos os direitos como pessoa, entre os quais, antes de tudo, o direito inviolável à vida. Assim é que os meios contraceptivos artificiais e as diversas técnicas de “procriação artificial” ou “fecundação artificial”, cada vez mais procurados por tantas famílias, dão margem a novos atentados contra a vida por parte da ciência, quando em determinados casos se produzem embriões em número superior ao necessário para ser inoculados nas vias genitais da mulher, e estes embriões, geralmente chamados “excedentes”, são depois destruídos ou utilizados para pesquisas.

A vida e a Morte

Com esta maneira de proceder, a vida e a morte acabam submetidas às decisões da própria família que, dessa forma, vem a se constituir doadora arbitrária de vida ou de morte. Quanto ao diagnóstico pré-natal, que respeita a vida e a integridade do embrião e do feto humano e se orienta para a sua salvaguarda ou para a sua cura individual, é moralmente lícito, mas está gravemente em contraste com a lei moral quando contempla a eventualidade, dependendo dos resultados, de provocar um aborto.

Por outro lado, com muita alegria a Igreja contempla a iniciativa das famílias cristãs que, vivendo a experiência da esterilidade, abrem-se em favor da adoção e do acolhimento de órfãos ou abandonados. Essas crianças, encontrando o calor afetivo de uma família, podem fazer uma experiência da carinhosa paternidade de Deus e crescer com serenidade e confiança na vida. Assim, aquelas famílias que, reconhecendo todas as pessoas como filhas do Pai comum dos céus, irão generosamente ao encontro dos filhos das outras famílias, sustentando-os e amando-os não como estranhos, mas como membros da única família dos filhos de Deus. Terão assim oportunidade de alargar o seu amor para além dos vínculos da carne e do sangue, alimentando os laços que têm o seu fundamento no espírito e que se desenvolvem no serviço concreto aos filhos de outras famílias, muitas vezes necessitadas até das coisas mais elementares.

O Papa João Paulo II afirma: quem acolheu “a vida” em nome e proveito de todos foi Maria, a Virgem Mãe que, por isso mesmo, mantém laços pessoais estreitíssimos com o Evangelho da vida. O consentimento de Maria, na Anunciação, e a sua maternidade situam-se na própria fonte do mistério daquela vida que Cristo veio dar aos homens (cf. Jo 10,10). Através do acolhimento e carinho que ela prestou à vida de Jesus, a nossa vida foi salva da condenação à morte definitiva e eterna. Por isso a Igreja – da qual Maria é figura – é a Mãe de todos os que renascem para a vida e está continuamente abrindo às famílias e à sociedade uma perspectiva mais profunda para compreender a experiência da família de Nazaré como modelo incomparável de acolhimento e cuidado da vida.

Bibliografia:
Pontifício Conselho para a Família. Temas de reflexão e diálogo em preparação ao terceiro encontro mundial do Papa com as famílias: “Os filhos, primavera da família e da sociedade”. Roma, 14-15 de outubro de 2000.
Carta Encíclica Evangelium Vitae, João Paulo II, Papa, sobre o valor e a inviolabilidade da vida humana.

Formações Shalom

Deixe uma resposta

Por favor, insira seu comentário!
Por favor, insira seu nome aqui.