O modelo para nossa juventude

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Jovem, não é à toa que Deus pede que sejamos modelo, Ele sabe o quanto nosso coração tem sede de fazer a diferença no mundo, o quanto somos insaciáveis, que temos um desejo infinito pelo belo e que todo o nosso vigor físico nos torna capazes de ir à luta. Deus sonhou a nossa juventude e precisa dela, por isso nos enviou o Seu Filho para nos ajudar a ser jovens. Ele nos concedeu o melhor dos modelos, porém, como afirmou o Papa João Paulo II, “Jesus oferece uma coisa, enquanto o espírito do mundo oferece outra” (1) e precisamos ter a coragem (que também é uma característica própria do jovem) de assumir a verdade que Cristo nos apresenta.


Assim como você, nós sabemos que viver como autênticos cristãos é, na maioria das vezes, remar contra a maré. É claro que isso se torna um grande desafio, mas não deixa de ser possível e afinal, qual o jovem que não gosta de um desafio a ser superado? Além disso, nós não estamos sozinhos, Jesus foi e sempre será jovem. Ele experimentou todos os sentimentos que nós temos: ousadia, desejo de mudar o mundo, inconformismo com as contravenções e injustiças dos homens etc.

Jesus foi ousado ao ir contra todos os que estavam apedrejando a pecadora e, ainda que só, foi em defesa dela. Ele teve misericórdia e ousou ser diferente. Quantas vezes temos medo de anunciar o que vivemos ou o que prega Cristo? Às vezes é muito mais fácil e cômodo não entrarmos em discussões polêmicas, como por exemplo, a vivência da castidade no namoro porque assim evitamos que nossos “amigos” nos ridicularizem.

Em situações como essa nos falta ousadia. Mas como pode nos faltar algo que é tão próprio de nós, jovens? Aos 16 anos, eu tinha muita vontade de pichar muros e a sensação de poder fazer algo ousado fazia meu coração bater mais forte. Hoje ainda sinto esse desejo de ser ousada, mas tento utilizá-lo quando falo para as pessoas, que convivem comigo, aquilo que vivo como uma jovem cristã.

Quando vestimos a camisa de jovens cristãos, precisamos não só de ousadia, como também de autenticidade. Muitas vezes falamos uma coisa e, quando temos a oportunidade de vivenciar o que pregamos, damos para trás, não conseguimos dar a resposta que Cristo nos pede, aquela que Ele daria. Lembre-se que Jesus é para nós exemplo de autenticidade. Ele ensinava que era importante amar ao próximo sobre todas as coisas e fez exatamente isso quando acolheu Maria Madalena apesar dos seus pecados. Jesus, além de fazer o que defendia, ainda obedeceu a Deus sendo fiel ao seu mandamento: Amar o próximo como a si mesmo.

Nesse sentido, Jesus também é para nós, jovens, o exemplo vivo da obediência. Ele foi “obediente até a morte, e morte de cruz” (Fl 2, 8). Mas, como é difícil para nós ser obediente. Gostamos de ser independentes dos nossos pais, professores, chefes. Nosso espírito crítico aguçado sempre nos leva a querer discordar de tudo para sempre ter razão. Desse jeito, a obediência parece que violenta nosso coração porque vai de encontro ao orgulho, que está tão presente em nossa juventude. Imagine você se Jesus tivesse simplesmente ignorado Maria, sua mãe, quando ela pediu que ele transformasse água em vinho! Pode parecer um absurdo Jesus não obedecer a um pedido de sua mãe, mas quantas vezes a gente deixa de obedecer e utiliza desculpas como: “Depois eu faço, agora não dá, tô ocupado, pede para outra pessoa.” Jesus, mesmo sendo Deus, inclinou-Se e sempre obedeceu àqueles escolhidos para serem Seus pais. Por que, então, não podemos aniquilar nosso orgulho para sermos obedientes? Se Deus Se fez homem e habitou entre nós, foi para que tivéssemos um modelo para seguir.

Nós, jovens, precisamos experimentar uma vivência da nossa juventude que tenha como modelo Cristo. A ousadia de Jesus, Sua autenticidade e Sua obediência precisam de alguma forma ser levadas para o mundo. Como nos alertou o Papa João Paulo II, “o mundo contemporâneo precisa de testemunhas do amor de Deus” (3) e, portanto, tem necessidade de que sejamos sal da terra e luz do mundo. Podemos, então, canalizar todo aquele desejo de mudar o mundo para entender que primeiro precisamos mudar o nosso coração e fazê-lo mais semelhante ao de Cristo, afinal “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo” (4).

(1) Homilia de João Paulo II durante a Jornada Mundial da Juventude de 2002.
(2) Ibidem.
(3) M. GANDHI.

Priscila Moya Moisés
Consagrada na Comunidade Católica Pantokrator

Paola Perez

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