Beata Elisabeth da Trindade

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No dia 8 de Novembro a Igreja celebra a festa da Beata Elisabeth da Trindade, beata carmelita francesa, do início do século vinte. Além disso, ela é muito importante para nós, Comunidade Pantokrator, dentro de nossa espiritualidade. Creio, sem sombra de dúvidas, que a vida e os escritos de Elisabeth são para todos os cristãos fonte de ensinamento cristão, principalmente no que diz respeito à conversão de vida e a abrir um espaço interior dentro de nossas almas para que o rei, Cristo, venha fixar seu reinado.

Elisabeth Catez nasceu a Fages-en-Septaine, no dia 18 de Julho de 1880. Ainda criança, ela se revela alguém com um forte temperamento, colérica e com vontade tenaz ; sua professora afirma : “Esta criança de uma vontade de ferro, é preciso que ela chegue ao que ela deseja”. Somente após sua primeira comunhão, Elisabeth começa a lutar contra sua tendência colérica. Podemos ver isso de maneira mais clara quando ela toma a iniciativa de escrever seu diário pessoal, aos 18 anos : “Eu tive hoje a alegria de oferecer a meu Jesus muitos sacrifícios sobre o meu defeito dominante, mas como eles me custaram. Eu reconheço minha fraqueza…. Parece-me que quando recebo uma observação injusta, eu sinto esquentar todo o meu sangue nas veias, tanto que meu ser se revolta… Mas Jesus estava no meu coração e então eu estava pronta a tudo suportar por amor a Ele”.

Carmelo

Após muita resitência de sua mãe, Elisabeth entra no Carmelo de Dijon do dia 2 de Agosto de 1901. Este início é marcado por muitas graças sensíveis e se torna um período onde ela descobrirá um profundo amor pelo silêncio, próprio da espiritualidade carmelitana.

No Carmelo, Elisabeth faz sua profissão simples no dia 8 de Dezembro de 1901e sua profissão perpétua dia 21 de Janeiro de 1903. Na véspera de sua profissão perpétua, ela passa a noite toda em oração, como era o costume no Carmelo na noite que antecedia a profissão. Ela afirma ter recebido nesse momento sua vocação: “Na noite que precedia o grande dia, enquanto eu estava no côro à espera do Esposo, eu compreendi que me céu começaria na terra, o céu na fé, com o sofrimento e a imolação por Aquele que eu amo”.

Louvor de Glória

Em 1905, Elisabeth da Trindade descobre a passagem de São Paulo sobre o Louvor de Glória, na Cartas aos Efésios: “Em Cristo, segundo o propósito daquele que opera tudo de acordo com a decisão de sua vontade, fomos feitos seus herdeiros, predestinados a ser, para louvor da sua glória, os primeiros a pôr em Cristo nossa esperança” (Ef 1, 11-12). Em sua cela, ela medita esta passagem ao longo dos messes seguintes, marcando profundamente sua vocação, até que em Janeiro de 1906 ela quer fazer do Louvor de Glória o centro de sua espiritualidade. Progressivamente, ela começa a escrever cartas sobre o tema do Louvor de Glória e diz que este será seu nome no céu.

Para Elisabeth da Trindade, a Glória de Deus consiste em sua beleza e em sua perfeição. Segundo ela, ser “Louvor de Glória” consiste então a refletir a glória de Deus e para isso é preciso se esquecer de si mesmo, despojar-se de tudo, procurando assim o silêncio. Este esquecimento de si mesmo conduz assim a alma ao mais profundo dela mesma onde Deus está presente : “É sair de si, perder-se de vista, deixar-se, para entrar mais profundamente Nele a cada minuto que se passa”. Este caminho interior permite a adoração e a contemplação de Deus, que transformam a pessoa fazendo-a tornar-se imagem de Deus.

Silêncio

Elisabeth da Trindade tem um amor especial pelo silêncio, por ser marcada pela espiritualidade do Carmelo e porque o silêncio é o que a permite estar a sós com Deus. Para ela, a fim de poder viver com Deus, uma ascese do silêncio é necessária: na realidade todos os barulhos exteriores e interiores (a imaginação, a sensibilidade e o intelectualismo) são obstáculos à presença de Deus. “Se meus desejos, meus temores, minhas dores, se todos os movimentos provenientes dessas quatro potências não são perfeitamente ordenadas a Deus, eu não serei solitário, haverá barulho em mim”. O silêncio, segundo a espiritualidade de Elisabeth da Trindade, não tem então um fim em si mesmo, mas procura permitir que a alma possa estar com Deus.

Doença e Morte

Em 9 de novembro de 1906, depois de 9 dias de agonia, Elisabeth da Trindade morre, como consequência da doença de Addison, una insuficiência renal. Mesmo durante a agonia física imposta por sua doença, ela deseja ser um Louvor de Glória a Deus e quer se identificar ao Cristo crucificado. Foi também durante as dores provocadas pela doença que ela escreve sobre o tema do Louvor de Glória após um pedido de sua superiora que via nisso uma grande novidade vinda de sua espiritulidade.

 

Peçamos a Beata Elisabeth da Trindade que por sua intercessão sejamos capazes de liberar todo o obstáculos interior existente em nossas almas, para que o Rei, Jesus Cristo, possa vir fazer sua morada. Que ela nos ensine também a sermos um perfeito Louvor de Glória ao Bom Deus, tornando-nos imagem de Deus, onde quer que nós estejamos.

Beata Elisabeth da Trindade, Rogais por nós !


 

Leonardo José dos Santos

Consagrado na Comunidade Pantokrator

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