Brasil descarta sanções aos países-alvo de protestos na África e no Oriente Médio

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O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, descartou hoje (18) a adoção de sanções aos governos autoritários que são alvos de protestos no Norte da África e no Oriente Médio. O chanceler afirmou que a alternativa para conter a crise é evitar o uso de violência pelas forças policiais, que gera violência, e respeitar os direitos civis e de liberdade de expressão por parte dos manifestantes.

“É um assunto preocupante porque ninguém quer ver o Oriente Médio, que é uma das regiões mais tensas do mundo, ter que passar agora por situações de violência e mortes”, afirmou Patriota, depois de conceder entrevista a 12 rádios regionais no programa Bom Dia Ministro, da Rádio Nacional.

Na presidência temporária do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o Brasil buscará o caminho da conciliação para solucionar a crise que atinge parte dos países muçulmanos. Patriota afastou a hipótese de aprovar punições ou restrições aos governos – que se transformaram em alvos de protestos.

“As sanções levariam a que resultados? Às vezes, as sanções só servem para exacerbar a situação interna”, disse o ministro. Segundo ele, o Brasil é favorável à criação de uma parceria entre “países amigos”, dispostos a ajudar na reconstrução política das regiões atingidas pela onda de protestos. “[O objetivo] é dar apoio para que [o processo] evolua de maneira pacífica”, afirmou.

Patriota se referiu à série de manifestações, que começou na Tunísia, no mês passado, alastrando-se para o Egito e agora já domina vários países, como a Líbia, o Bahrein, a Argélia, o Marrocos, a Jordânia, o Iêmen, a Arábia Saudita, o Iraque, Líbano e a Síria, entre outros. Em comum, esses países têm um histórico de governos que estão no poder há muitos anos, elevado percentual de desemprego e famílias de baixa renda ou na pobreza extrema.

A onda de protestos nesses países levou à renúncia dos ex-presidentes da Tunísia Bem Ali, depois de 23 anos no poder, e do Egito Hosni Mubarak, que há 29 anos estava no governo. As manifestações causaram também mortes, feridos e situações de violência e repressão. Uma jornalista norte-americana disse ter sido estuprada durante protestos no Cairo, no Egito, e um repórter também dos Estados Unidos informou ter sido duramente agredido na capital do Bahrein, Manana.

Agência Brasil

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