Dia Mundial de oração pelas Vocações: “Qual a finalidade da minha existência?”

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Vocações na Comunidade Católica Pantokrator ( Matrimônio, sacerdócio, celibato e leigo consagrado )

Qual é a finalidade da existência humana? Podemos tentar responder de muitas maneiras. Mas a resposta a essa pergunta fundamental em nossa vida está na vocação. A palavra vocação tem origem no latim vocare – chamar. Significa chamado. Vocação é um chamado de Deus. Se há alguém que chama, deve haver outro que escuta e responde. Pela vocação, portanto, se estabelece um diálogo nosso com Deus. Deus nos criou com um propósito. Nenhum de nós é fruto do acaso. Você não é fruto de uma coincidência aleatória. Você não veio ao mundo para viver de qualquer jeito, nem para ficar no “mais ou menos”. Deus pensou, com delicadeza amorosa e cuidadosa em cada detalhe de sua existência. Cada pessoa humana é fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus, amor imenso, fiel e eterno (cf. Jr 31, 3). Trata-se de um amor sem reservas que nos precede, sustenta e chama ao longo do caminho da vida e que tem a sua raiz na gratuidade absoluta de Deus. É a descoberta desse fato que muda, verdadeira e profundamente, a nossa vida.

Na história de amor que a Sagrada Escritura nos narra, Deus vem ao nosso encontro, procura nos conquistar. Também em toda a história da Igreja, o Senhor incessantemente vem ao nosso encontro, através de pessoas nas quais Ele Se revela; e nos chama.

Quando falamos de vocação, podemos fazer uma distinção: há a vocação fundamental e a vocação específica. Vocação fundamental é o chamado de cada pessoa, primeiramente à existência; depois, a ser filho de Deus, a ser cristão. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A vida é uma grande vocação; é Deus que nos chama à vida. Pelo Batismo, recebemos a graça de fazer parte do povo eleito por Deus, de Sua Igreja. Através da vocação cristã, somos chamados à santidade, vocação à perfeição, que, segundo testemunho de Santa Teresinha, consiste no amor. Chamada, assim, à fé pelo Batismo, a pessoa humana foi qualificada de outra forma: passa a fazer parte do “reino de sacerdotes, profetas e reis”. (1Pd 2,9).

Vocação específica é o modo próprio por meio do qual cada pessoa realiza a sua vocação fundamental. Toda pessoa batizada tornou-se um seguidor de Cristo, participante de uma comunidade de fé, chamada para participar da obra de Deus, como membro de sua Igreja, seguindo caminhos diferentes. As vocações específicas são basicamente três: laical, religiosa e sacerdotal.

Vocação laical

– todo batizado, solteiro ou casado, tornando-se membro da Igreja, é convocado a ser apóstolo, anunciador do Reino de Deus, exercendo funções temporais. O leigo vive na secularidade e exerce sua missão insubstituível nos ofícios e trabalhos deste mundo. O Concílio Vaticano II (1962-1965) destacou que a vocação e a missão do leigo “contribuem para a santificação do mundo, como fermento na massa” (Constituição Dogmática Lumen Gentium, n. 31). O leigo, não pertencendo a este mundo, mas estando nele, é chamado a santificá-lo através de seu testemunho de vida cristã na família, no trabalho, na vida social e política, assumindo o múnus régio, isto, é a missão de ser instrumento da reordenação de todo o mundo criado para Deus, para que Cristo seja o Senhor e Rei – o Pantokrator – em tudo e em todos. Aqui se inclui a vocação matrimonial e familiar, que tem a missão de construir uma sociedade nos moldes dos valores cristãos, que resguardam a vida, a moral, a família, a justiça, o amor, a fidelidade. A vocação profissional encontra aqui o seu verdadeiro sentido de serviço e edificação do Reino de Deus. Quando assim é vivida, a profissão é capaz de gerar a autêntica realização da pessoa.

Vocação sacerdotal

– é uma vocação de carisma particular, um dom particular por Deus concedido ao homem para exercer o ministério ordenado, por meio Sacramento da Ordem. A Ordem possui três graus: o diaconato, o presbiterado e o episcopado. Exercendo o múnus sacerdotal, o ministro ordenado, por meio da oferta de si mesmo em favor do povo de Deus, preside e coordena os serviços da comunidade, animando-a na vivência concreta da fé. Por intermédio dos Sacramentos, celebra a presença de Deus no meio do seu povo através da Sagrada Liturgia. Ele é o bom pastor que conhece, guia, alimenta e defende e as ovelhas. Isso exige humanidade, caráter íntegro e maduro, virtudes morais sólidas e personalidade madura, que o candidato adquire mediante adequada formação.

Vocação à vida consagrada

– aqui se incluem a vida monástica e a vida religiosa, seja ela contemplativa (clausura) ou missionária (de vida apostólica). Essa vocação se caracteriza pela profissão de votos a Deus por meio do instituto, segundo um carisma próprio, revelado a um fundador. A vida religiosa professa os votos de pobreza, castidade e obediência. A vida monástica professa os votos de obediência, conversão dos costumes (incluindo a pobreza e a castidade) e estabilidade no Mosteiro. A vida comunitária (residência em comum) e a convivência fraterna são marcas dessa vocação. Ao consagrado é confiado o múnus profético, por meio do qual, tendo deixado tudo, ele se entrega ao serviço do Reino de Deus e da Igreja, levando a presença e o amor de Cristo ao mundo por meio de obras de evangelização e de caridade.

Destacando a atuação do leigo na Igreja, a novidade do Espírito deu origem a uma resposta a um chamado novo de Deus, as novas formas de vida evangélica, entre as quais se destacam as comunidades novas: uma consagração de vida laical, pela qual o leigo, seja solteiro, casado ou chamado ao celibato consagrado, e mesmo o sacerdote, renunciando aos valores deste mundo, se entregam a Deus segundo um carisma próprio recebido pelo fundador, para o serviço da Igreja na evangelização em sentido pleno e amplo e o serviço dos irmãos, buscando santificar o mundo por meio do testemunho da vivência radical do Evangelho. Desse modo, fazem brilhar, na realidade onde estão, a face de Cristo revelada pelo carisma.

Em qualquer uma dessas vocações, somos chamados a fazer opção por Cristo e a seguir o Seu modelo de vida. A graça da vocação é uma iniciativa amorosa de Deus: “Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (Jo 15,16). Deus nos escolhe, nos chama e nos capacita. A resposta à vocação é sempre um sim cheio de fé. Muitas vezes é necessário uma grande coragem para ir contra a corrente da moda ou da mentalidade deste mundo secularizado e relativista. Mas é somente acolhendo esse chamado específico que se pode edificar uma vida realizada e plena.

Com certeza, a finalidade de sua existência se encontra em um desses chamados. Se você ainda não descobriu, mergulhe em Deus, e você ouvirá com clareza o chamado d’Ele para você. Esse chamado contém a sua felicidade. Deus não nos chama a algo que contraria a nossa natureza, por isso, não há o que temer. Pois, como diz Santa Teresa de Jesus, Deus, que nos criou, tudo sabe a nosso respeito; Ele nos ama mais do que nós a nós mesmos…A realização pessoal que tanto buscamos se esconde em nossa vocação, quando assumida e vivida autenticamente.

Cristo tem os olhos postos em você e o convida, com o olhar, à entrega total no amor.

Perante este olhar, perante este amor, o coração se abre e é capaz de lhe dizer sim. Seguir Cristo e servir o mundo em Seu Nome requer coragem e fortaleza. Aí não há lugar para o medo nem para o egoísmo. Porque, como afirma Bento XVI, Cristo  não nos tira nada; Ele somente nos dá; e dá em abundância. Então, lance-se com confiança nAquele que é a razão de nossa existência. O amor de Deus permanece para sempre; é fiel a si mesmo, à “promessa que jurou manter por mil gerações” (Sl 105, 8). Deixe-se tocar pelo fascínio de Cristo, pela beleza persuasiva deste amor divino, que nos precede e acompanha: este amor é a mola secreta, a causa que não falha, mesmo nas circunstâncias mais difíceis. O amor é a causa da resposta; um coração incendiado pelo amor de Deus se sente impelido a dizer somente sim.

O Amor é exigente, mas nos dá tudo. É exigente, mas compensa; ultrapassa toda medida! Ele deu Sua vida para nos salvar; em Sua infinita ternura, Ele dispõe do Seu Reino em nosso favor. Ele é a nossa felicidade. Somente em Cristo está o sentido e a finalidade de nossa existência. Nada tem sentido fora d’Ele. Por isso, quando o Senhor chamar (se Ele já o chamou, renove agora a sua resposta de amor!), não deixe de dar o seu sim. “Porque Cristo não vale a pena; vale a vida!”

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada na Comunidade Pantokrator

CONHEÇA A VOCAÇÃO EL SHADDAI PANTOKRATOR

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