Jesus de Nazaré: Trechos do segundo volume do livro de Bento XVI, são divulgados

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Cidade do Vaticano (Quarta-feira, 02-03-2011, Gaudium Press) Daqui a uma semana será lançado o segundo volume de “Jesus de Nazaré”, livro do Papa Bento XVI que pode ser definido como uma “obra magna” de seu pensamento teológico. Três capítulos da obra foram antecipados hoje pela Livraria Editora Vaticana, responsável pela edição do livro junto à casa editora alemã Herder.

Foram divulgados três trechos da segunda parte de “Jesus de Nazaré”, sobre os temas “O mistério do traidor”, “A data da última ceia” e “Jesus diante de Pilatos”, respectivamente trechos do terceiro capítulo, “A lavagem dos pés”; do quarto, “A Última Ceia”, e do sétimo, “O processo a Jesus”.

Enquanto “Luz do mundo”, o livro-entrevista com o jornalista Peter Seewald, responde aos desafios do mundo de hoje, “Jesus de Nazaré” oferece um pensamento completo do longo percurso do pensamento teológico de Joseph Ratzinger, que teve início nas Universidades na Alemanha e que continuou com a experiência de prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, zelador da pureza doutrinal da Igreja Católica, e que agora chega ao seu ápice na mais importante função da sede de Pedro, de “Difensor fide” da figura de Jesus.

No que foi antecipado até agora, depreende-se que o Papa ressalta que o Jesus histórico não está em contradição com o Jesus da fé; é a mesma pessoa que corresponde com a história de toda a humanidade. “O sofrimento de Jesus – escreve o Santo Padre – a sua agonia, perdura até o fim do mundo, (…) Jesus naquela hora carregou a traição de todos os tempos, do sofrimento que vem em qualquer tempo por ter sido traído, suportando assim profundamente as misérias da História”.

Em “O Mistério do Traidor”, a figura de Judas no livro de Bento XVI adverte aos leitores que “quem rompe a amizade com Jesus, quem se livra de seu “doce jugo”, não alcança a liberdade, não se torna livre, mas torna-se, ao contrário, escravo de outras potências – ou ainda: o fato mesmo de ele trair esta amizade deriva justamente da intervenção de um outro poder, ao qual se abriu”.

O Santo Padre desenvolve ainda outros temas bastante teológicos, como a datação da última ceia. Aqui, aparece a grande paixão do Papa em relação ao Evangelho de João, o Evangelho que apresenta a vida de Jesus pela perspectiva teológica. “A cronologia de João é historicamente mais provável que aquela sinótica”, observa Bento XVI.

A verdade é um “conceito absolutamente novo de grandeza” que se realiza em Jesus, da qual ele se torna testemunha. Então o Papa se pergunta: “pode a política assumir a verdade como categoria para a sua estrutura?”.

“Verdade e opinião errada, verdade e mentira estão continuamente misturadas no mundo em modo quase indissolúvel”, afirma Bento XVI. “A verdade em toda a sua grandeza e pureza não aparece. O mundo é “verdadeiro” na medida em que espelha Deus, o sentido da criação, a Região eterna da qual provém. E torna-se mais verdadeiro quanto mais se aproxima a Deus. O homem torna-se verdadeiro, torna-se ele mesmo se for conforme a Deus. Então ele alcança a sua verdadeira natureza. Deus é a realidade que dá a essência e o sentido”, escreve o Santo Padre.

O Santo Padre coloca as reflexões teológicas nas realidades do homem de cada tempo, confirmando que a historicidade de Jesus vale para todos os séculos da humanidade. “A humanidade se encontrará sempre novamente diante de tal alternativa: dizer “sim” àquele Deus que opera somente com o poder da verdade e do amor ou contar com o concreto, com aquilo que está à mão, com a violência”, escreve o Papa.

Bento XVI continua o seu pensamento recordando que “em Jesus aparece o ser humano como tal. Nele se manifesta a miséria de todos os atingidos e arruinados. Na sua miséria se espelha a desumanidade do poder humano que esmaga assim o impotente. Nele se espelha aquilo a que chamamos “pecado”: aquilo que o homem se torna quando dá as costas a Deus e quando toma autonomamente em mãos o governo do mundo”.

A segunda parte de “Jesus de Nazaré” é dedicada à Paixão de Jesus. O primeiro volume tinha sido publicado em 2007 e era dedicado à vida de Cristo desde o Baptismo à Transfiguração. Uma terceira parte está sendo escrita por Bento XVI.

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