Livro de Bento XVI fala do duelo entre luz e trevas na morte e ressurreição

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Bento XVI afirma na sua nova obra, hoje publicada, que Jesus sentiu “perturbação diante do poder da morte”, falando de um duelo entre “luz e trevas”.

No sexto capítulo do livro «Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição», Joseph Ratzinger afirma que “a angústia de Jesus é algo de muito mais radical do que a angústia que assalta todo o homem face à morte: é o próprio duelo entre luz e trevas, entre vida e morte”.

O actual Papa diz mesmo que as palavras relatadas pelos Evangelhos sobre este tema mostram “a experiência primitiva do medo, a perturbação diante do poder da morte, o pavor perante o abismo do nada”.

No texto de São João, acrescenta, é utilizada “uma palavra que torna particularmente evidente o carácter abissal do medo de Jesus: tetáraktai – é a mesma palavra tarássein que João usa para descrever a perturbação profunda de Jesus perante o túmulo de Lázaro e também a sua perturbação interior no Cenáculo ao anunciar a traição de Judas”.

“Não há dúvida de que João exprime a angústia primitiva da criatura diante da morte que se aproxima, mas trata-se de algo mais: é a perturbação particular d’Aquele que é a própria Vida diante do abismo de todo o poder da destruição, do mal, daquilo que se opõe a Deus e que agora Lhe cai directamente em cima”, acrescenta.

Para Bento XVI, Jesus “vê com extrema clareza toda a amplitude da maré imunda do mal, todo o poder da mentira e da soberba, toda a astúcia e a atrocidade do mal, que se apresenta com a máscara da vida mas serve continuamente a destruição do ser, a deturpação e o aniquilamento da vida”.

Falando no “drama do monte das Oliveiras”, que precede a prisão e morte de Cristo, o Papa escreve que “na vontade humana natural de Jesus está, por assim dizer, presente toda a resistência da natureza humana a Deus”.

“A obstinação de todos nós, toda a oposição contra Deus estão presentes, e Jesus, lutando, arrasta a natureza recalcitrante para o alto na direcção da sua verdadeira essência”, acrescenta.

No monte das Oliveiras, perto de Jerusalém, “Jesus experimentou a solidão extrema, toda a tribulação de ser homem” e “o abismo do pecado e de todo o mal penetrou até ao fundo da sua alma”.

Para Bento XVI, “é absolutamente absurdo que alguns teólogos pensem que, na oração do monte das Oliveiras, o Homem Jesus Se dirigiu ao Deus trinitário”.

Sobre a morte de Jesus, o Papa acrescenta que a mesma foi “um morrer «pelos outros»” e que a ressurreição “não é apenas a salvação pessoal de Jesus da morte”, mas a “superação da morte enquanto tal”.

A segunda parte de «Jesus de Nazaré» vai ser apresentada hoje no Vaticano, em conferência de imprensa, com a presença do cardeal Marc Ouellet, prefeito da Congregação para os Bispos, e de Claudio Magris, escritor e germanista.

Agência Ecclesia

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