O Papa convida a Igreja a ser pobre da riqueza do mundo para ser rica da pobreza de Deus que é o seu amor, disse Dom Bruno Forte em entrevista

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Teve ampla repercussão na mídia alemã, e não somente, as palavras com as quais Bento XVI, na Konzerthaus de Friburgo (centro de congressos), dirigindo-se aos católicos engajados na Igreja e na sociedade, convidou a Igreja à redescoberta da sua identidade mais autêntica, despojada da tentação do poder e do risco da burocratização. A esse propósito, a Rádio Vaticano pediu um comentário ao Arcebispo de Chieti-Vasto – Centro da Itália –, Dom Bruno Forte. Eis o que disse:

Dom Bruno Forte:- “No discurso no “Konzerthaus” de Friburgo, que foi um discurso como sempre de uma grande profundidade e também fineza teológica, o Papa chama a atenção para essa forma de ligação com o mundo que nós comumente chamamos, justamente, de “mundana”, e convida a Igreja – e os homens de Igreja – a espoliar-se de toda lógica mundana para ser, ao invés, no espírito do Evangelho, uma Igreja rica somente de Deus. Diria: pobre da riqueza do mundo para ser rica da pobreza de Deus que é o seu amor.”

RV: A esse propósito, o Papa disse: “Liberta do seu fardo material e político, a Igreja pode dedicar-se melhor e de modo verdadeiramente cristão ao mundo inteiro, pode estar verdadeiramente aberta ao mundo”. Como interpretar, a seu ver, essa reflexão do Papa que parece quase um auspício, parece ser uma reflexão que traz conseqüências muito concretas…

Dom Bruno Forte:- “Na luz daquilo que é a meu ver a chave interpretativa profunda desse Pontificado. Esse Pontificado é o Pontificado de um Papa reformador: não estamos diante de um Papa – como alguém afirma – conservador, isto é, prisioneiro do passado. Estamos diante de um Papa que trabalha seriamente – sem aparecer, sem fazer alarde – a reforma da Igreja. Pretende a renovação que nos leve a recolocar Cristo e o seu Evangelho no centro. É isso que o Papa insistentemente está pedindo à Igreja.”

RV: Também impressionou muito – entre as palavras pronunciadas por Bento XVI no último dia de sua viagem à Alemanha – o que disse durante a homilia da missa em Friburgo em relação aos agnósticos que, por causa da questão de Deus, não encontram paz, e os fiéis rotineiros, que na Igreja já só conseguem ver o aparato sem que o seu coração seja tocado por isso, pela fé. Os primeiros – disse o Papa – estão mais perto do Reino de Deus…

Dom Bruno Forte:- “O Papa fez tal afirmação à luz das palavras do Evangelho, onde Jesus diz que os publicanos e as prostitutas os precederão no Reino dos Céus. O Papa fez uma exegese precisa: na lógica de Deus não há nenhuma herança natural da graça, ou seja, ninguém pode pretender estar em estado de graça pelos simples fato, por exemplo, de pertencer à Igreja. É preciso que cada um se coloque em jogo em seu caminho de santidade e de contínua conversão, para poder agradar a Deus, a partir dos dons que Deus nos concedeu. A graça jamais é um privilégio: é uma tarefa. As duas coisas devem ser consideradas sempre juntas.”

Rádio Vaticano

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