A diocese mexicana de Saltillo, anunciou seu apoio a uma organização de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT)

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REDAÇÃO CENTRAL, 14 Mar. 11 / 10:56 am (ACI)

A diocese mexicana de Saltillo, presidida pelo Bispo Raúl Vera López, anunciou seu apoio a uma organização de lésbicas, gays, bissexuais e transexuais (LGBT), apesar de que esta promova princípios contrários aos ensinos da Igreja em matéria de sexualidade.

A semana passada, a página Web da diocese anunciou com caráter de oficial o 4º Foro de Diversidade Sexual, Familiar e Religioso, que se realiza em Saltillo de 25 a 27 de março deste ano, organizado pela comunidade São Elredo, um grupo LGBT que tem como objetivo “erradicar o que alguns setores da Igreja pensam a respeito da homossexualidade”, e especialmente “que os atos homossexuais são opostos a Deus”.

O evento auspiciado pela diocese localizada no estado de Coahuila ao norte do México, inclui no programa eventos como a apresentação de fragmentos do livro “Papai, mamãe sou gay” da autora Rinna Riesenfeld Robinson; “As Duas Mamis, Ativismo Virtual”; e a peça de teatro “O crime por amor não paga, mas reconforta”.

A conferência “A homossexualidade vista desde a Igreja”, será apresentada pelo “frei” Julián Cruzalta, um falso sacerdote que se apresenta como frade dominicano e como “capelão” da organização “Católicas pelo direito de decidir”, que promove a aceitação do aborto na Igreja.

A Ordem dos Predicadores no México (Dominicanos) à qual pertence o Bispo Vera López, advertiu repetidamente que Cruzalta abandonou a congregação durante o diaconado e jamais foi ordenado sacerdote; apesar de que se apresente como tal.

A Missa de clausura do evento será presidida por Dom Raúl Vera López no domingo 27 às 3:00 p.m.

Há nove anos, o grupo São Elredo, que se opõe à doutrina católica e conta com menos de 20 membros segundo afirma seu fundador, o sacerdote norte-americano Robert Coogan, é reconhecido como o único ministério para homossexuais pela diocese, conta com escritórios ao interior da diocese e suas atividades são incluídas nos planos pastorais da diocese, apesar dos protestos de numerosos sacerdotes e fiéis.

Em outubro de 2008, em uma coluna de opinião escrita para o jornal espanhol La Torre, o Bispo de Saltillo assinalou que “o enfoque de nosso trabalho com o grupo, que tomou o nome de São Elredo, foi o criar uma comunidade que, dependendo da Diocese, realizasse um trabalho pastoral com a comunidade Lésbico-gay da cidade de Saltillo. Também desde um princípio quisemos que fosse abertamente conhecida entre outros grupos de pastoral e que se fizesse presente em todo o trabalho diocesano, coisa que aconteceu, não sem dificuldade”.

Em seu artigo, Dom Vera diz que um dos momentos críticos com São Elredo foi “acompanhá-los quando se desatou uma campanha homofóbica de parte de bons católicos, para impedir a legalização das uniões entre pessoas da comunidade lésbico-gay”. O Bispo, com efeito, apoiou a legalização das uniões de casais do mesmo sexo em Coahuila.

“Tive que aceitar o que viria em cima de mim por parte dos bons católicos que me acusaram ante a Nunciatura, mas saí à defesa de sua dignidade e dos direitos que como cidadãos também tinham (os homossexuais)”.

“Infelizmente”, escreveu ademais, “é de parte dos grupos católicos e cristãos de outras confissões, de quem estas pessoas padecem mais discriminação”.

Em seu artigo o Bispo de Saltillo descreve algumas das atividades que organiza o grupo e assinala que “os convites para estas atividades são feitos nos cafés ou centros noturnos onde acodem membros da diversidade sexual, além de instâncias oficiais de comunicação diocesana”.

Noé Ruiz Malacara, Coordenador Geral da organização, assinalou recentemente em uma entrevista jornalística que embora “sabemos que nunca nos permitirão nos casarmos pela Igreja… e não desejamos entrar de branco ao altar”, “interessa-nos mais o reconhecimento legal, que possamos ter os mesmos direitos e amparo de nosso casal”, porque “a Igreja ainda é muito fechada”.

O Pe. Coogan, fundador e coordenador espiritual do grupo São Elredo revelou em abril de 2010 à Revista “Porta-voz” dos estudantes da Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade Autônoma de Coahuila, que decidiu fundar o grupo por iniciativa de dois jovens homossexuais que “pensavam que eu como norte-americano ia ser mais pormenorizado e tolerante”.

Na mesma entrevista, o sacerdote originário de Nova Iorque, assinalou que “à postura oficial da Igreja falta revisão. A última vez que foi revisada foi em 1970, que é uma postura de tolerância, mas não vai além de tolerância, não diz mais. Nos anos 70 a ciência ainda dizia que a homossexualidade era uma enfermidade mental, que os homossexuais são perversos, imaturos, que podem ser corrigidos em sua orientação, e muitos mitos que tristemente ainda existem nas ruas, muita gente ainda tem fantasias errôneas do que é a homossexualidade. Hoje em dia entendemos a homossexualidade de outra maneira, é uma orientação distinta, humana, válida. A pessoa homossexual é uma pessoa sã. Quem pode dizer que a homossexualidade está mal?”

Em relação ao grupo, Coogan admitiu que “normalmente são como 20 pessoas, realmente nunca cresce”… “muitas pessoas vêm com todo tipo de bagagem emocional, mas uma vez que se sentem bem, participam durante um tempo e logo continuam com suas vidas e já não vêm ao grupo”.

Um mês antes, em uma entrevista concedida ao Jornal Zócalo de Saltillo, Coogan se manifestou a favor da adoção de crianças por parte de homossexuais.

Desde sua fundação, São Elredo promoveu um “Festival de Cinema Gay” em Saltillo, e em outubro de 2010 organizou uma “missa em honra dos Santos homossexuais” São Sergio e São Baco.

São Sergio e São Baco foram dois soldados romanos martirizados durante a perseguição do Imperador Diocleciano ao redor do ano 303.

Segundo Ruiz Malacara, os mártires “eram soldados que viviam juntos, por isso se diz que foram casal e que serviam o império e eram dos melhores soldados”. Entretanto, a sugestão de que ambos mártires formavam um casal homossexual e que foram reconhecidos como Santos pela Igreja sabendo de sua homossexualidade, é uma discutida hipótese proposta por John Eastburn Boswell (1947-1994) um historiador norte-americano fundador do Centro de Estudos Gay e Lésbicos da Universidade de Yale (Estados Unidos).

O Pe. Coogan explica ademais que o nome de São Elredo é em homenagem a “um santo francês que viveu na Inglaterra no século XIX e que pregou a tolerância” para com a homossexualidade.

Em realidade, São Elredo ou Aelred foi um abade beneditino nascido em Hexham (atual a Inglaterra) em 1109 e falecido em 1166; autor de numerosos tratados ascéticos como “Speculum Charitatis,” (O espelho da caridade) e “De Spirituali Amicitia” (A Amizade Espiritual).

É por este segundo livro que Boswell o propôs como um “santo gay”, apesar de que em seus diversos tratados ascéticos Elredo adverte energicamente contra todo ato sexual imoral, incluindo a sodomia.

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