Durante nossa caminhada com Cristo, com frequência, ouvimos falar (e falamos também!) sobre abandonar-se nas mãos de Deus. Talvez já tenha se tornado uma expressão rotineira e nem reflitamos mais tanto sobre seu significado e a maneira de viver esse tal abandono, que costuma ser tão profundo e desafiador.

Abandonar-se exige entrega e confiança. É necessário lançar-se nos braços de Deus com fé.

As preocupações humanas sempre existirão, são lícitas e fazem parte da vida de todos nós, mas o Senhor estende Seus braços em nossa direção e nos convida a confiar n’Ele e crer que Ele é Deus e Soberano, Aquele que governa sobre todas as coisas. Por isso, podemos submeter nossas preocupações, nossos medos, nossos bens, nossos queridos, a nós mesmos, e toda a nossa vida ao Deus Todo Poderoso e Senhor.

Visando trazer essa reflexão para a prática, seguem algumas dicas sobre a vivência do abandono.

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Conhecer a Deus 

Para confiar em alguém, antes é preciso conhecê-lo. As Sagradas Escrituras nos ensinam que “Deus é Amor” (1 Jo 4,8) e, em inúmeras passagens do Evangelho, a Sua Bondade é revelada através da pessoa de Jesus Cristo, o Verbo Encarnado, o Rosto de Deus.

Em Sua vida terrena, Cristo, além de ensinar àqueles que viviam a Sua volta sobre Deus Pai, também mostrou-lhes o Seu Amor, a Sua Bondade e a Sua Misericórdia através de gestos e palavras – “Quem me vê a mim vê o Pai”. (Jo 14,9b).

A mulher adúltera, a Samaritana, Lázaro, o cego de nascença, e tantos homens e mulheres que se aproximaram de Cristo experimentaram tanto o abandono quanto a Bondade e a Força do Amor do Senhor e tiveram suas vidas transformadas. Mas como é possível, nos dias atuais, ter acesso a esse Deus cujo Amor é tão imenso?

Relacionar-se com Deus

Através da oração nos relacionamos com Deus. Ela é a principal via de acesso ao Seu coração. “É o caminho necessário ao homem sedento de Deus para encontrar o Deus sedento do homem” (Regra de Vida Carisma El Shaddai-Pantokrator).

É a vida de oração constante que gera em nós um crescimento no conhecimento e intimidade com Deus tão profundo que nos acompanhará por toda a nossa vida de fé e alcançará sua plenitude na eternidade, no nosso encontro perfeito e definitivo com Ele. Já aqui na terra, conseguimos cultivar uma amizade intima com o Senhor.

Abandono – Confiar em Deus

Como costuma acontecer na maioria dos relacionamentos, à medida que cultivamos a nossa amizade, frutos de intimidade e confiança mútua amadurecem naturalmente. Da mesma forma, ocorre com nosso relacionamento com o Senhor. O conhecimento de Deus e nossa relação com Ele geram em nós confiança e nos tornam capazes, pouco a pouco, da entrega e do abandono em Suas mãos.

Deus já não é um ser distante sobre quem ouço falar; por meio da oração, relaciono-me com Ele, que passa ser meu amigo próximo, em quem confio.

Deus cuida de nós!

“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam, nem recolhem nos celeiros e vosso Pai celeste as alimenta. Não valeis vós muito mais que elas?” (Mt 6,26)

Além de nosso amigo, Deus é nosso Pai. Ele não apenas nos criou, mas nos sustenta, em nossas necessidades materiais e espirituais.
Todos nós temos preocupações lícitas e isso demonstra que somos pessoas responsáveis. Porém, não podemos permitir que sejam exageradas, a ponto de nos dominarem.

A graça de Deus opera constantemente em nossas vidas e Ele providencia tudo aquilo que nos é necessário. Ele reina sobre todas as coisas e nada escapa ao Seu olhar. Por isso, é possível àquele que crê abandonar-se nas mãos do Senhor, ainda que as vozes do mundo gritem incessantemente que precisamos ser sempre bem sucedidos em todas as situações e independentes de tudo e de todos.

Esperar em Deus

Deus é fiel e coerente. Ele permanece conosco. Portanto, fundamentados nessa certeza, podemos confiar e esperar no Senhor não somente hoje, mas amanhã, e para sempre.

É o próprio Cristo quem diz no Evangelho segundo Mateus: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado” (Mt 6,34).

Que nos momentos de incertezas e aflições, saibamos fazer memória do Amor, da Bondade e Fidelidade de Deus, comprovadas por Suas obras em nossas vidas, e que isso nos fortaleça e renove em nós a fé, a confiança e a esperança para que sejamos sempre capazes de viver o abandono em Suas mãos.

Adriane Luz
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

4 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde Adriane tudo bem ? me permita a intimidade de dizer que seu sobrenome não poderia ser mais apropriado,Luz, e você o merece e faz jus !
    Eu já havia estudado sobre o Abandono em Deus e coloquei em prática diária pois sempre precisei desenvolver mais intimidade com Nosso Pai, Nosso Senhor e o Espirito Santo. Essa prática nôs leva a um grau de intimidade máxima com a Santíssima Trindade e isso é maravilhoso e transformador ! Você colocou o assunto de forma didática,sucinta e carinhosa…parabéns ! ah se mais e mais pessoas se entregassem em Abandono em Deus….rezemos á isso ! Forte abraço Adriane, Deus te abençoe !
    Renato.

    • Boa tarde, Renato! Tudo bem e com você? Estou muito feliz por ter sido instrumento de Deus na sua vida e no seu crescimento espiritual. Que o abandono em Deus e a intimidade com a Santíssima Trindade o leve a uma vivência verdadeira da fé e da santidade. Que Ele te abençoe também! Reze pela Comunidade Pantokrator e pela nossa obra de evangelização! Conte com as nossas orações também! Forte abraço, Adriane Luz.

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