08 virtudes que você deve cultivar em seu matrimônio

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O matrimônio é uma vocação, um chamado de Deus a nós. É Ele quem nos dá a missão de construirmos uma família: “o homem deixará sua casa e se unirá a sua mulher e serão uma só carne” (Mc 10,7). Se Deus nos chama a essa vocação, Ele nos capacita a vivê-la, nos dá as virtudes necessárias para respondermos ao nosso chamado.

O matrimônio é um caminho de santidade. Após o Concílio Vaticano II, a santidade tornou-se uma meta para todos os cristãos e não apenas para os padres, freiras ou monges. Nós, esposos, esposas, pais e mães, somos chamados a alcançarmos a santidade na vivência do nosso matrimônio—uma santidade que acontece nas pequenas coisas.

A base para um matrimônio santo é o amor! Um amor para toda a vida, não apenas sustentado por sentimentos, e sim por decisão. O matrimônio é um caminho de renúncias e sacrifícios: eu escolho a minha esposa e renuncio a todas as outras mulheres, do mundo para amar e me entregar, única e exclusivamente, a ela.

Os sacrifícios que vivemos no matrimônio são diários; são situações em que “na alegria e na tristeza, na saúde e na doença” permanecemos fiéis “até que a morte nos separe”. Esse amor matrimonial é uma virtude que se manifesta nos detalhes. A vida familiar implica uma quantidade enorme de pequenas responsabilidades, muitas vezes negligenciadas por serem muito pequenas, mas aqui está a vivência concreta do amor.

08 virtudes que você deve cultivar em seu matrimônio

 

 

CORTESIA

A primeira virtude do lar é a cortesia. Significa civilidade, educação no trato com o outro, amabilidade, polidez. Normalmente, somos corteses com as pessoas de fora, já dentro de casa: levantamos a voz, somos carrancudos, fechamos a cara, etc. Precisamos estar atentos à cortesia com nossa esposa e nossos filhos. Exemplos práticos da cortesia são: um sorriso, pequenas delicadezas, como: levar flores, um agrado singelo para os filhos, uma sobremesa que a nossa esposa gosta, antecipar-se aos desejos do outro, lavar a louça sem que alguém peça, arrumar a cama, guardar os sapatos, arrumar algo quebrado, respeitar os mais velhos… enfim, pequenas atitudes que nos permite desenvolver a virtude da cortesia.

PASSAR DESPERCEBIDO

Para ser cortês, precisamos aprender a passar despercebido. Trata-se de uma virtude evangélica. A Virgem Santíssima aparece nas bodas de Canaã e depois desaparece; ela se apaga até a hora da cruz. São José é mencionado nos Evangelhos apenas quando o menino Jesus e a Virgem Maria precisam de seus serviços. O próprio Jesus sempre pedia às pessoas que não falassem das curas que realizava; distanciava-se das multidões.

Para passar despercebido é necessário agir. Só me “apago” depois de ter “aparecido”. Aqui precisamos ter cuidado para não confundir humildade com falsa humildade. Ser humilde não é se esconder para não fazer nada, mas não se admirar ou se vangloriar por aquilo que fizemos, por melhor que tenha sido como Nossa Senhora, São José e o próprio Cristo.

Precisamos aprender a nos apagar diante das necessidades daqueles que são nossa família. Um exemplo prático de alguém que sabe passar despercebido é a figura da mãe. Considerada a rainha do lar não pelo fato de que todos a obedecem, e sim porque se apaga continuamente no serviço a todos os seus. Ela cuida de tudo: deita-se por último para colocar tudo em ordem; é a primeira a se levantar para que não falte nada a ninguém; não se queixa dos seus sofrimentos; não procura louvor; sabe o que agrada a seu marido e a seus filhos, desdobra-se para deixar contentes todos os que ama. A mãe é um exemplo a ser seguido por nós e por nossos filhos. Somos felizes fazendo os outros felizes

Em uma família que todos procuram passar despercebidos ninguém se sacrifica, não pensamos em nós mesmos porque os outros pensam em nós, ninguém fica esquecido, esquecemos de nós pelos outros. Pequenos gestos e renúncias que fazem a diferença: “deixar a cadeira mais confortável para o outro, não pegar o melhor bife, deixar o controle remoto da televisão com o outro, preparar uma refeição inesperada, etc.”.

GRATIDÃO

Não é difícil viver o escondimento diante dos outros quando pensamos em tudo o que eles nos dão e fazem por nós. A gratidão se manifesta tratando cada um dos meus com delicadeza e cortesia.

Precisamos estar atentos às nossas pequenas ingratidões, por exemplo, o mau hábito de nunca manifestar nosso agradecimento pelos serviços que os outros nos prestam em nossa casa.

Não podemos agir como aqueles leprosos, curados por Jesus, que deveriam apresentar-se ao sacerdote, porém, apenas um deles voltou para agradecer ao Senhor pela cura alcançada. Nós agradecemos um estranho na rua por algo ocasional, contudo não somos gratos pelos serviços cotidianos que nos prestam nossos familiares. Precisamos cultivar a palavra “obrigado” em nossos lares. Essa pequena palavra introduz no lar a delicadeza, a boa ordem. Faça a experiência de, ao final do dia, relembrar todos os favores que seus familiares fizeram. E o que é que eu lhes dei? Que posso dar em troca?

SINCERIDADE

Ser sincero é mostrar ao outro a minha verdade, é ser verdadeiro comigo mesmo. Não há amor se não houver verdade. Quando não somos sinceros, abusamos da confiança que o outro depositou em nós.

Precisamos extirpar de nós mesmos a falsa caridade, pois muitas vezes omitimos nossa opinião, seja com nossos filhos ou nosso cônjuge, para assegurar nossa tranquilidade, para não gerar o debate, que muitas vezes é saudável. Queremos esconder nossas fraquezas e limitações.

A caridade verdadeira nos leva a nem sempre aceitar a opinião do outro, mas emitir uma opinião contrária com respeito, de maneira serena e madura. A sinceridade é essencial no seio familiar. Quando não somos verdadeiros ou ocultamos situações, criamos em nossa família zonas proibidas onde o individualismo vai minando aos poucos os laços da comunidade familiar.

Precisamos tornar comuns nossas experiências, nossas reflexões e desejos, precisamos aprender a confiar uns nos outros.

BOM HUMOR

A virtude do bom humor é responsável por cultivar a alegria no lar. Tantos de nós cultivamos um ar carrancudo, palavras azedas, somos pessoas “desmancha prazeres”.

Obviamente os aspectos exteriores muitas vezes afetam o nosso humor, mas devemos sempre nos esforçar para recuperar a serenidade. O nosso humor não é um simples reflexo de um domingo chuvoso ou ensolarado que me entristece ou me alegra, é também reflexo da nossa alma, com seus altos e baixos. É natural da vida momentos alegres e tristes, entretanto, precisamos fazer um ato de fé em Deus, que nos ama e não nos deixa sermos tentados acima das nossas forças, como nos diz o evangelho.

Precisamos nos habituar em ver o lado bom das coisas e o lado bom das pessoas. Diante de uma poça d’água depende de nós vermos a lama no fundo ou a imagem do céu refletida lá do alto.

Não podemos nos deixar hipnotizar pelas dificuldades. Se algo nos contraria, é justo mudarmos as coisas maltratando os que nos rodeiam, como se devessem ser punidos pela nossa decepção? Se nos ocorre algo desagradável deveríamos louvar a Deus, pois poderia ser pior!

Precisamos aprender a nos contrariar sempre. É necessário nos aproximarmos dos nossos pelo lado bom; todos nós temos os nossos defeitos, todavia, todos nós também temos nossas qualidades. Precisamos ter cuidado para não confundir o bom humor com a mania de ser engraçado por qualquer coisa. O bom humor se revela no sorriso, num rosto sempre risonho e não em falsas gargalhadas.

ECONOMIA

Não se trata de fazer um “pé de meia” na poupança, não é essa a economia que falamos aqui. Trata-se de não desperdiçar nada e utilizar todas as coisas do melhor modo possível.

Jesus, na primeira multiplicação dos pães, ensinou-nos a virtude da economia. Após alimentar a multidão, Jesus pede aos seus apóstolos que recolham os pedaços e pão que sobraram para que nada se perdesse. Reunidas as sobras, encheram doze cestos.

Essa atitude de Jesus nos ensina que precisamos ser generosos e, ao mesmo tempo, econômicos.

Contamos com Deus, com a Sua providência em nossas vidas, mas também precisamos contar conosco mesmos. Quantas coisas recebemos da terna providência de Deus em nossas vidas: tempo, comida, roupas, dinheiro, saúde, inteligência, habilidade, energia, etc. Não podemos desperdiçar esses bens que Deus nos dá, precisamos utilizá-los da melhor maneira possísvel e ensinar nossos filhos, desde pequenos, a exercitarem essa virtude.

A palavra economia vem do grego que significa “ordem na casa”. A dona de casa que se preocupa em recolher a sobra de comida do almoço, o pai de família que preza para que cada coisa esteja em seu lugar, são exemplos práticos. Quando bem dobradas e guardadas as roupas duram mais; os utensílios bem lavados e guardados também terão mais vida útil. O tempo que gastamos para organizar a nossa casa é menor do que o tempo que perdemos para encontrar as coisas quando tudo está desorganizado. Uma casa organizada não gera desperdícios.

O consumismo e o materialismo prejudicam muito a economia do lar. Gastamos tanto com coisas desnecessárias e tantas vezes arruinamos nossa tranquilidade com altas despesas.

Não se trata de mesquinhez ou avareza comparar preços. Sabemos da dificuldade de se estabelecer um orçamento familiar. Precisamos ordenar sabiamente as despesas.

A virtude da economia nos ensina a respeitar a obra de Deus, a sua providência em nossas vidas. É necessário administrar com prudência os bens que possuímos, pois eles não são nossos, nos foram confiados por Deus. Não temos o direito de desperdiçar as coisas.

DILIGÊNCIA

Diligência é ser cuidadoso e zeloso na realização de uma tarefa. O pai sempre tem algo a consertar, a mãe sempre tem algo a arrumar e os filhos sempre tem algo a ajudar. Uma pessoa diligente ama o trabalho que faz, executa-o com empenho e alegria, da melhor maneira possível. A virtude da diligência está intimamente ligada à virtude da pontualidade, pois não podemos perder o tempo que nos foi dado para fazer algo.

Jesus quando curou aquele paralítico em dia de sábado foi criticado pelos fariseus, ele respondeu: “Meu Pai não cessa de trabalhar e eu também trabalho” (Jo 5, 17).

Não podemos confundir descanso com ociosidade (ausência de ação), mas diversão, ou seja, mudança de trabalho: uma leitura, brincar com os filhos, cuidar de um jardim.

Jesus fazia bem todas as coisas e nós devemos seguir o seu exemplo também, tomemos cuidado para não acharmos que somos capazes de fazer tudo sozinhos, sem o auxílio de Deus e dos nossos irmãos. Não podemos ter a mentalidade do “quebragalho”, ou seja, realizar uma tarefa que eu não gosto tanto somente para se livrar dela não importa a tarefa, devemos querer que saia perfeita: lavar um banheiro, uma louça, passar uma roupa, brincar com as crianças, cozinhar uma refeição, etc.

Uma obra bem-feita, mesmo a mais modesta, deve ser tratada com a ambição e a delicadeza com que terminaríamos uma obra-prima: pendurar um quadro, apresentar uma travessa à mesa, arrumar os livros em uma estante, etc. O luxo em uma casa está no cuidado com que todos se esforçam por fazer bem todas as coisas.

PERSEVERANÇA

A perseverança é a virtude que nos anima para a vivência de todas as outras virtudes. Todas elas precisam da perseverança, isto é, querer sempre e recomeçar todos os dias. Não podemos ceder à fadiga, ao cansaço, é necessário esforçar-se a cada dia para progredir em todas as virtudes. Nada se realiza de um dia para o outro, trata-se de um exercício contínuo e diário, exige paciência. É um trabalho para a vida toda. A perseverança nos ajuda e muito quando falhamos, quando fracassamos, desde que saibamos encontrar de novo a coragem que falhou por um instante. A perseverança nos ensina que podemos cair, e que precisamos levantar sempre.

Devemos ser exemplos de perseverança para nosso cônjuge e nossos filhos, a fim de que eles, ao olharem para nós, para nossa perseverança mesmo diante das nossas limitações, também queiram trilhar esse mesmo caminho.

Allan Oliveira
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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