A arte de delegar tarefas

Delegar tarefas é uma arte, a delegação vai muito além do que apenas dizer o que os outros devem fazer. É um grande desafio! Este tema pode até soar como algo relacionado apenas ao “mundo corporativo” ou mesmo como um texto sobre “auto-ajuda”, mas não, a delegação está presente em muitos aspectos do nosso cotidiano e as dificuldades que possuímos com relação a isso têm raízes no egoísmo e no orgulho, frutos do pecado original, como veremos adiante.

Inicialmente precisamos entender o que significa delegar. A delegação consiste em transmitir a outra pessoa uma determinada responsabilidade. Quando eu delego algo a alguém, eu transmito a ela uma obrigação que inicialmente é minha. Isso exige uma relação de confiança, pois quem delega acredita na capacidade daquele que recebe a incumbência de realizar a tarefa.

O contrário de delegar é centralizar, e nesse aspecto somos profissionais. Se fizermos uma breve reflexão sobre nossas ações, iremos perceber o quanto somos centralizadores, queremos ter o controle de todas as coisas e achamos que somos os únicos capazes de realizar determinada obrigação com eficiência e qualidade. Somos incapazes de confiar que o outro também é capaz.

Somos ávidos por destaque, reconhecimento, nos achamos grandes e soberanos, e  por isso, torna-se muito difícil delegar, pois o outro não é tão bom ou tão capacitado como eu sou e o resultado daquela tarefa não será tão bom quanto seria se eu a realizasse. Isso indica o quanto somos orgulhosos e desconfiados do outro, indica também o quanto não somos capazes de acreditar que o outro porta uma graça, dada por Deus, para desenvolver àquilo que somente ela deve realizar. Se eu não permito que ela cumpra aquilo que eu devo delegar a ela, não permito que cresça, que assuma responsabilidades e que desenvolva um dom ou uma qualidade que talvez nem ela mesmo saiba que possua.

Podemos perceber o quão importante é saber delegar, pois essa atitude afeta diretamente o desenvolvimento de uma outra pessoa e, quando reconhecemos isso, também amadurecemos. Tornamo-nos pessoas menos egoístas, pois deixamos de nos preocupar com o nosso bem estar, com as nossas “seguranças” e passamos a despender esforços para que o outro também se desenvolva.

Um bom coordenador, um bom chefe, um bom pai de família é aquele que percebe que uma tarefa é muito melhor realizada se todos os envolvidos puderem contribuir com suas qualidades e seus dons. Tantas vezes queremos resolver os problemas ou realizar as tarefas sozinhos, e nos deparamos com um resultado não tão satisfatório o quanto esperávamos. Isso ocorre, pois ainda que sejamos “bons”, sozinhos somos incapazes. Nós precisamos das outras pessoas para juntos darmos o nosso melhor, deixando de lado todo orgulho e todo egoísmo, para que as coisas se realizem da melhor maneira possível. Não para nos saciarmos em nossa perfeição, mas para que em tudo possamos dar graças Àquele que é perfeito.

Mas para isso precisamos gerar em nós uma reflexão: qual a intenção que trago em meu coração quando me preocupo em realizar todas as coisas com perfeição? Esse esforço existe apenas para saciar uma necessidade de reconhecimento? Para que as pessoas vejam em mim um bom líder, um bom coordenador paroquial, um excelente coordenador de alguma pastoral ou apostolado, um chefe que apresenta bons resultados de sua equipe? Se a minha intenção é apenas demonstrar aos outros que eu sou perfeito, nunca serei capaz de desenvolver a arte de delegar tarefas, pois a preocupação egoísta e orgulhosa em mostrar que “eu sou o bom” me impedirá de olhar para os outros, sejam eles agentes de pastoral, funcionários, filhos ou cônjuges, e desenvolver neles os dons que Deus já os concedeu e que aguardam apenas a oportunidade de serem aflorados a partir do olhar atento daquele que possui a missão de direcionar e liderar pessoas.

Os exemplos dessas situações são os mais variados: no seio da família, ao delegar aos filhos pequenas responsabilidades domésticas que desenvolvem neles a responsabilidade, a doação, o companheirismo, o sentido do sacrifício, o servir; no ambiente religioso, ao delegar aos servos de um grupo de oração, por exemplo, funções que desenvolvam neles dons; no trabalho, ao delegar aos subordinados tarefas que os auxiliem no crescimento profissional, no aprendizado, fazendo-os reconhecer a importância do trabalho em equipe e do resultado conquistado graças ao esforço de todos. Enfim, são inúmeras as situações cotidianas em que temos a oportunidade de servir e desenvolver no próximo a importância e a responsabilidade de também servirem e assumirem a missão a eles confiada por Deus.

Cristo é para nós o exemplo de quem soube reconhecer no outro suas qualidades e potencialidades. Basta olhar para os discípulos que Ele chamou para estar junto d’Ele. Todos possuíam limitações e misérias, mas Nosso Senhor soube desenvolver em cada um os dons e qualidades que já possuíam, pela graça de Deus.

Que possamos aprender de Cristo a sairmos do nosso egoísmo e nos desvencilharmos de todo orgulho a fim de que nossa vida esteja a serviço do próximo e seja para ele testemunho de humildade e doação.

Allan Oliveira
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

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