A crise de fé no mundo pós-moderno

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Nós vivemos em um mundo completamente impensável para quem viveu há um ou dois séculos atrás. A tecnologia alcançou avanços assustadores, proporcionando nossa comunicação com qualquer pessoa, em qualquer lugar e hora, sendo que uma viagem entre continentes, que duraria meses, agora demora poucas horas. À primeira vista, pareceria que os habitantes deste mundo atual estariam vivendo um sonho, ou um paraíso na terra. Porém, para os mais atentos, a “pós-modernidade” (como é conhecida a época em que vivemos) tem se mostrado um terrível, obscuro e impreciso pesadelo.

Acontece que o orgulho do ser humano atingiu o seu ápice. O homem pós-moderno não aceita ficar em segundo plano, e nem admite que existam leis que estejam acima dele. Mais ou menos como ocorreu com Adão e Eva no Gênesis, ou com os anjos caídos do Apocalipse, a humanidade atual quer ser como Deus. Porém, para que o trono do poder possa ser obtido de uma vez por todas, existe uma inimiga que precisa ser destruída de qualquer maneira. Esta “inimiga” da mentalidade pós-moderna se chama FÉ.

O raciocínio não é difícil: a fé é o vínculo que liga o homem a Deus. É através dela que a Igreja Católica se manteve firme por dois milênios, superando incontáveis perseguições, heresias e impérios. Foi pela fé que os mártires derramaram sangue, e que os santos assombraram o mundo com obras inexplicáveis. Ela fez com que milhares e milhares de jovens abandonassem as suas vidas normais e se consagrassem inteiramente para o serviço de Deus, como por exemplo no sacerdócio ou nos conventos.

O homem orgulhoso e pós-moderno percebeu que, enquanto existir fé no mundo, haverá “inimigos” incansáveis e indestrutíveis, que insistirão em adorar um tal de “Jesus Cristo”. É justamente por esta razão que a fé foi declarada o inimigo número um do mundo pós-moderno.

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Quais são as consequências do ataque à fé? 

O grande problema – não calculado pelos pós-modernistas – é que a é justamente o alicerce do Ocidente. Atacá-la seria o mesmo que um indivíduo, no topo de uma árvore, insistir em cortar o galho em que está sentado. Vejamos:

É a fé que dá um sentido a esta vida e aos sofrimentos. O cristão que sofre uma terrível doença sabe que foi criado pelas mãos de Deus e nunca será abandonado por Ele. Sabe, também, que pode entregar toda a dor a Jesus Cristo, e se consolar com o fato de que no céu será compensado com a alegria verdadeira! O homem pós-moderno, por sua vez, argumenta que este mundo é tudo o que existe, e que não passamos de um mero produto do acaso. A consequência está aí: milhões de pessoas em depressão, sem encontrar um sentido para aquilo que vive. Até mesmo quem conquistou fortuna e fama não encontra razão para viver.

Ainda seguindo a lógica pós-moderna, nota-se uma sensível banalização e incentivo à criminalidade. Ora, já que não haverá um “Juízo Final”, tudo o que se fizer aqui ficará impune. Também não se vê qualquer imoralidade em atos terríveis como o aborto, afinal a criança não tem uma alma desde a concepção. O certo e o errado (que antes eram delimitados pelos mandamentos da Lei de Deus), hoje é algo relativo, dependendo sempre da qualidade do discurso.

Outra consequência inescapável: o ser humano possui a mesma dignidade de um animal, o qual passou a ter direitos igualmente. Ora, se não existe alma e se todos são frutos do acaso, não tem um porquê que explica o homem se sentir mais importante do que um coelho, ou uma raposa. Toda a questão moral antiga deixa de existir. Nada impede que uma mulher se case com três homens, ou com um animal, ou até mesmo com carros (como tem acontecido em alguns lugares).

No mundo sem fé, os jovens crescem com a mentalidade distorcida do “carpe diem”, ou seja, precisam aproveitar desesperadamente o dia de hoje, pois tudo termina com a morte. Desta maneira, notam-se os abusos de álcool e drogas, bem como a promiscuidade sexual. Tudo isso somente faz aumentar o vazio nos corações, motivo pelo qual a taxa de suicídio é alarmante em vários países.

Enfim, quanto mais atacada e diminuída a fé, maior é o estado de caos e de desespero no “maravilhoso” mundo pós-moderno. No fim das contas, o homem que queria ser o maior de todos, acaba se equiparando aos animais e se escravizando nos próprios impulsos. Entretanto, o motivo deste texto não é causar terror ou aumentar o desânimo. Muito pelo contrário, este autor gostaria de te dar três excelentes notícias!

As três boas notícias…

A primeira boa notícia é que a fé ainda existe no mundo de hoje, e continuará existindo até o fim. André Botelho, fundador da Comunidade Pantokrator, utiliza um exemplo magistral para tratar sobre a fé. Ele compara a humanidade com uma ilha pequena, no meio do oceano, enquanto Deus é um enorme continente. Há uma ponte que liga os dois, e por esta ponte o continente envia todos os suprimentos, a cultura, a alegria e a razão de viver dos habitantes da ilha. Se não existisse esta ponte, os habitantes ficariam isolados, e não demoraria muito tempo para que passassem a viver como animais. A fé é, justamente, esta bendita ponte que nos liga a Deus. Enquanto esta ponte estiver em pé em nosso coração, teremos sempre aquilo que nos for necessário.

A segunda boa notícia é que ninguém poderá arrancar a fé do seu coração sem o seu consentimento. Nós podemos perder tudo nesse mundo: nossas riquezas materiais podem ser roubadas; nossa saúde pode ser deteriorada; nossos entes queridos podem vir a falecer; até os movimentos do meu corpo podem deixar de existir em algum acidente. Porém, Deus fez questão de proteger a fé dentro de nós, de modo que nada poderá roubá-la de mim e nem de você. Portanto, não importa como o mundo esteja de ponta-cabeça, nada poderá romper a sua íntima ligação com Deus enquanto se mantiver firme.

E, por fim, a terceira boa nova: A fé que você carrega aí dentro pode – e deve – ser irradiada para as outras pessoas. Deus deu a todos os seres humanos a capacidade de ter fé, até mesmo aqueles que nunca ouviram falar de Jesus Cristo, ou que estejam convencidos acerca do ateísmo. É como se todos levassem dentro do peito uma vela apagada. Nós, como cristãos, temos a capacidade de levar a luz e o fogo do Espírito Santo para os outros corações. Faremos isso com o nosso louvor e com a alegria de sermos de Deus.

De fato, o mundo pós-moderno é um mundo frio, triste e que se esqueceu do que é ter um sentido. Diante deste contexto sombrio, tenho a opção de cruzar os braços e me aquecer sozinho com esta minha fraca chama da fé. Ou, ao invés disso, posso me dedicar à evangelização, acender o máximo de corações que eu puder, até que o mundo inteiro se incendeie em fé e em amor ao Deus Altíssimo, que é digno de toda a adoração!

Rafael Aguilar Libório
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

2 COMENTÁRIOS

  1. Texto muito feliz em suas colocações. Além de ser abrangente sem ser delongado, apresenta com linguagem simples o que crê e ensina a Santa Igreja.

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