A diferença entre ser chefe e ser líder

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Muitas vezes quando ouvimos o termo “liderança”, para alguns é extremamente aversivo, estando esse associado àquele perfil de pessoas sem empatia, que massacram, humilham e exigem de seus liderados algo muito além daquilo que podem entregar; que tem a vida fácil, em um bom cargo e ótimo salário. Claro, que também é verdade que algumas dessas pessoas foram ou são lideradas por indivíduos com esse comportamento equivocado de liderança: na realidade, esses não são os líderes, e sim, os “chefes”. Outras jamais compreenderam a importância do serviço que executam, achando sempre o líder um exagerado no que solicita ou quando chama a atenção. Entre esses dois grupos, precisamos levar em consideração que estamos vivendo em uma época de pessoas “hipersensíveis”, que se sentem humilhadas ou sobrecarregadas por qualquer coisa. Mas, em meio a toda essa realidade, como devemos ser líder? Como exercer a liderança ou se permitir ser liderado?

“…se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos.” Mc 9,35

A verdade está, que o líder é aquele que aprendeu a ser subordinado, aprendeu a viver a vida com o coração, sabendo ouvir bem o outro, mas também sabendo separar as emoções das reais necessidades. O líder é aquele que primeiro se abaixou para ouvir, descobriu que explicar os motivos não é perda de tempo, é compaixão, investimento no crescimento do outro e a forma mais real de ensiná-lo a importância do seu trabalho e empenho. Em outras palavras, podemos dizer que líder é aquele que “lavou os pés” dos seus, que se comprometeu com o outro de ir até o fim, como Cristo o fez.

O líder é aquele que passa e reconhece a inquietação dos seus, pois ele conhece a feição de cada um; sabe não apenas da vida profissional, bem como, da pessoal: se tem filhos, se é casado, onde mora; todavia, não age com permissividade disfarçada de compreensão. Quando necessário, é direto, chama a atenção, pede explicações. O líder está comprometido com a tarefa, no entanto, compreendeu que não é o centro, não é o principal. O líder entendeu que a vida humana de todos aqueles que ali estão são igualmente importantes ao cumprimento da tarefa, pois percebeu que sem elas o seu trabalho não tem valor algum. No final, o líder agradece a todos, porque foi capaz de se fazer dependente, sem perder o foco da liderança. Ele é líder, não refém. Sua tarefa é conduzir e instruir o que deve ser feito, fornecendo os meios e as ferramentas necessárias e adequadas; apreendendo que está lidando com pessoas dotadas de inteligência, razão e vontade, imagem e semelhança de Deus, sendo, portanto, muito respeitoso e zeloso.

Autoridade e obediência são naturais, necessárias e fundamentais, seja no meio corporativo, no lar, nas paróquias ou comunidades, enfim, em qualquer meio onde se exija um líder, alguém que tome a frente das necessidades dos demais. Todo dever a ser executado exige liderança, e esta por si só, exige autoridade. Essa autoridade não deve ser confundida com autocracia exercida à força pelo autoritarismo de maneira autocentrada. Devemos ter sempre em nossas mentes o exemplo de Cristo, nosso Rei, Mestre e Líder! Ele era a Autoridade e jamais se envergonhou de dizer quem O havia enviado. Cristo, nosso modelo, recorda-nos, constantemente, que Ele próprio não veio para fazer a Sua própria vontade, mas sim, a vontade dAquele que O enviara: a vontade do Pai.

A autoridade é, portanto, uma posição de servo, cujo serviço é a tarefa de ser autoridade. Toda autoridade é apoiada e protegida por um Ser. A obediência, então, torna-se também a tarefa daqueles que estão submetidos à autoridade (de alguém), como deve ser para que o dever seja integralmente cumprido.

“A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da Lei.” Rm13, 10

Se temos como modelo de liderança o próprio Cristo, podemos também compreender que jamais se deva usurpar a personalidade dos servos, e como servo, jamais deixar de demonstrar ali a sua personalidade. É importante perceber que todo o aspecto humano de cada indivíduo está impresso em tudo aquilo que ele realiza e que as diferenças da forma de pensar ou realizar um determinado processo é comum e aceitável. Algumas pessoas são mais expressivas, outras mais tímidas, umas falam mais, outras pouco. Aquilo que cada um faz fala mais ou menos de si e isto é um meio para o diálogo, envolvimento, capacitação; contudo, jamais de coação. Não se faz um líder impondo medo e humilhação. Se analisarmos o próprio Cristo, em sua liderança e autoridade, sempre possibilitou o diálogo, sempre foi gentil e acolhedor, e ainda sim, sempre agiu de acordo com a verdade.  O líder põe seu coração naquilo que faz, atraindo os que lidera não apenas pelo exemplo, mas pela vida que se expressa em cada detalhe, onde muitas vezes não há se quer uma palavra. O líder acredita na capacidade de sua equipe, na capacidade do ser humano, no dom de Deus que habita em cada um.

Então, seja um excelente líder sendo um excelente servo, a todos aqueles que lidera!

Deus os abençoe!

Larissa Martins Machado
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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