A dúvida do jovem cristão: ficar é errado?

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A vida com Cristo muitas vezes já foi apresentada para mim – e acredito que para muitos jovens também – na “metodologia do não”, na qual só eram explicitadas as privações e não as alegrias do sacrífico por Jesus. Dessa forma, era ilógica para mim a ideia de que a vida que visava à santidade era tão cheia de alegria, já que aparentemente tudo era proibido. Isso pode gerar em nós desgostos e revoltas em nossa relação com o Pai e podemos passar a segui-Lo – ou até deixar de buscá-Lo – por mera conveniência e não pela verdadeira confiança do nosso coração. Essa tal pedagogia da negação e a revolta gerada por ela são bem nítidas quando a pauta é o “ficar”. Então, vamos tentar evidenciar as alegrias de escolher estar no momento certo, com a pessoa certa e do jeito certo.

Sexualidade e afetividade são espectros basilares ao tratar sobre a fatia do “ficar”. Quando falamos sobre a importância da descoberta e do conhecimento da sexualidade, podemos nos deparar com extremos. Podemos cair em uma libertinagem e, como desculpa para a tal descoberta, cairmos em pecado e em uma vivência desregrada, ou cedemos à tendência de viver uma experiência desencarnada e um puritanismo, em que são reprimidos completamente os desejos da carne. Ambos são prejudiciais, pois é essencial ter conhecimento sobre nosso corpo e sobre o que é natural do homem e da mulher, mas o Norte que isso terá e o que faremos com a tal descoberta é o que nos levará ou não a uma vida com Cristo.

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Somos vocacionados ao amor – tenha ele a forma que tiver – e todos temos vontade de vivê-lo, este que se exprime através da carne, em nossa sexualidade e afetividade. Uma das grandes problemáticas do ficar é o utilitarismo e a objetificação do corpo, mesmo que seja consentido pelos dois que estão na relação. O corpo é reduzido apenas à carne e há, muitas vezes, um sentimento de vazio, pela ausência de sinceridade e de sentimento autêntico, havendo apenas o desejo; e ignoramos a nossa comunhão com Cristo, entregamos nosso templo do Espírito Santo de maneira irresponsável e despretensiosa. Ferimos a nossa castidade e isso fere Cristo.

Sei que posso soar careta e clichê, ou até como uma pedagoga do não, mas em nosso corpo habita Cristo, é um sacrifício que temos que fazer, pois, além da nossa vontade sexual, há todo um contexto e pressão social, eu entendo plenamente. Há, através do ficar, uma necessidade de afirmação social, de potência para os homens e da necessidade de sedução e sensualidade feminina; de maneira alguma devemos ser indiferentes aos nossos sofrimentos. Mas, se pensarmos que esses “nãos”, que hoje podem parecer imensos e sinal de frustração, em Jesus são a verdadeira alegria, então, a esfera melhora, mesmo que ainda soe um tanto abstrato e esperançoso demais.

Mas e o que acontece quando os dois se gostam, se não é uma ficada de um dia? E eu te pergunto, por que não avançar para um namoro? Esse medo de compromisso que a nossa geração tem, essa incredulidade em relações duradouras e firmes é só um reflexo da descrença no amor de verdade. Parece até filme da Disney essa concepção de amor verdadeiro, de tão distante que está da nossa realidade, já que o homem se afasta cada vez mais do amor mais puro, o amor da relação entre o homem e Deus. Um namoro é fonte de amadurecimento, de amizade, de realização da afetividade e sexualidade e de muitas descobertas, um namoro com alguém de que gostamos de fato e que tem o Norte em Cristo é extremamente frutífero e gostoso de ser vivido.

 Namorar, beijar e amar são aspectos importantíssimos e muito ricos da vida de um jovem, não somos nem devemos ser privados disso. Se respeitarmos nosso tempo e vivermos isso da maneira certa, com a pessoa certa e no tempo certo, viveremos experiências extremamente válidas. Não somos melhores que os outros jovens e não devemos julgar ninguém, mas não podemos deixar de reconhecer que teremos uma juventude muito mais autêntica, brega para a grande da maioria, mas singular, respeitosa e, na verdade, plenamente alegre!

Ana Clara Gonçalves 
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

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