A Igreja contra o mundo

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“A Igreja de Cristo permanecer edificada mesmo após mais de 20 séculos.”

Infelizmente, vivemos no tempo das coisas “descartáveis” e não estou me referindo apenas a objetos de pequeno valor. Quase tudo hoje tem sido trocado ou jogado fora, como relacionamentos, carreiras, religião, sonhos e projetos. Certa vez, durante a celebração de um casamento, ouvi o padre dizer que os matrimônios atuais duram menos do que os móveis – e olha que os móveis de hoje em dia nem são lá aquelas coisas.

Porém, diante de tantas realidades frágeis e passageiras, é possível identificarmos uma estrutura sólida e bem edificada, que se encontra de pé após dois mil anos. O nome desta maravilha é Igreja Católica! Para muitos, esta “idade antiga” é sinônimo de ultrapassado, velho, obsoleto. Contudo, a Palavra e a Vontade de Deus não envelhecem nunca; ao contrário, se tornam cada vez mais claras.

Mas não pense que foi fácil a Igreja de Cristo permanecer edificada mesmo após mais de 20 séculos. Na verdade, poderíamos dizer que só um milagre sustentou a Igreja até aqui. Pense comigo: A Igreja Católica possui inúmeros ritos, uma teologia complexa, uma moral única, ensinos abrangentes e uma lógica totalmente exata em si mesma. Se você quisesse ensinar algo deste tipo para um grupo de pessoas, quem você escolheria? Certamente, chamaria doutores, mestres, gênios ou, no mínimo, alguém letrado, inteligente, que conseguisse entender tudo com imensa facilidade. Porém, você acha que Cristo pensou da mesma forma? De forma alguma, para ensinar toda a complexidade da religião, Jesus escolheu 12 sujeitos simples, na maioria pescadores e analfabetos.

igreja

O Espírito Santo

É justamente aí que está a beleza desta magnífica instituição! Ela não se encontra em pé até hoje pela força e inteligência dos seus membros – nem dos primeiros, nem dos atuais. O que mantém a Igreja firme e atuante é o próprio Espírito Santo, que consegue fazer brotar flores no deserto, ou água de dentro da pedra. Não pense, também, que a situação ficou mais fácil após os doze primeiros começarem a evangelizar. Naquela época não havia “whatsapp” para que a mensagem fosse enviada com facilidade e em “lista de transmissão”. Também não havia carros pra que os pregadores chegassem mais rápido nas comunidades, ou mesmo templos disponíveis, pra que fizessem um “grupo de oração semanal”. Era tudo mais difícil, mais custoso, porém era o Espírito quem dava força!

Como se não bastassem estas dificuldades naturais, já nos primeiros séculos a Igreja se tornou a inimiga número um do maior império que já existiu na Terra: O Império Romano. Mas não era essa “inimizade” de bloquear no “Facebook”, o negócio era sério. Os romanos se sentiram ameaçados por aquela turma nova, que vivia animada e falando sobre um tal de “Rei Jesus”. Os cristãos foram perseguidos, torturados e mortos de diversas maneiras. O Império Romano queria calar a voz do Evangelho de todas as formas possíveis, e utilizando dos modos mais cruéis. Cristãos, que só queriam espalhar a mensagem do Amor de Deus, eram tratados como criminosos perigosos.

Porém, um fenômeno espantava os romanos e os deixava cada vez mais assombrados: quanto mais eles perseguiam e matavam os cristãos, mais pessoas entravam para esse “grupo” e passavam a adorar o mesmo “Rei Jesus”. Passou a circular um comentário de que o sangue dos mártires eram sementes de novos cristãos. Chegou um momento em que não adiantavam mais as perseguições. Aliás, o próprio imperador se converteu e também se apaixonou pelo Rei dos Reis.

A Barca de Pedro

Aí você deve estar pensando: “Agora, finalmente, a Igreja passou a ter paz e tranquilidade”. Grande engano. O primeiro milênio da Igreja foi marcado por inúmeros ataques, tanto de fora, como também de dentro da própria instituição. Passaram a surgir as famosas heresias, que eram, na verdade, ataques à fé. Muitas pessoas inteligentíssimas queriam alterar pontos específicos da doutrina católica, de modo que foram necessários vários concílios entre os bispos e papas durante o tempo, para vencerem as perigosas heresias, uma por uma.

Nesse meio do caminho, vários bispos se rebelaram contra o papa, provocando cisões dentro da estrutura da Igreja. Já houve, inclusive, pessoas que se autodeclararam papas – os chamados antipapas –, para tomar o controle da hierarquia. Volto a repetir: se fosse uma instituição meramente humana, a Igreja Católica já teria se esfacelado há muito tempo.

Já no segundo milênio, com a formação dos Estados Nacionais – as nações –, a Igreja passou a enfrentar problemas de ordem política. Muita gente “de fora” queria usufruir da influência que a Santa Igreja possuía sobre os seus fiéis. Nesta época, muitas pessoas de dentro tratavam a casa de Deus como sendo apenas uma estrutura de poder humano. Mas nada disso foi capaz de romper os fundamentos da “Barca de Pedro”.

No Século XVI veio um duro golpe, que certamente fez sangrar muito o coração de Cristo: a Reforma Protestante. Iniciou-se com um rebelde, com ideias heréticas, que desafiou toda a Tradição e o Magistério da Igreja, querendo impor mudanças que entendia corretas. Logo apareceu mais um, que enxergava outras mudanças como sendo as corretas. Aí foram mais dez, cinquenta, quinhentos… Há quem diga que hoje existem 4 mil seitas protestantes diferentes pelo mundo. A Verdade – que é o próprio Cristo – foi relativizada, de modo que, o que passou a importar, é só “ter fé”.

Os desafios da Igreja agora são diferentes

Todavia, pancada atrás de pancada, a Igreja chegou nos dias atuais. Os desafios agora são diferentes. Há quem considere que os inimigos de Deus juntaram todos os desafios anteriores para atacar ao mesmo tempo: Cristãos sem conhecimento e sem interesse na pregação do Evangelho; “Impérios” (ou ideologias) que perseguem e fazem mártires em vários lugares do mundo; heresias brotadas de todos os lados, inclusive de dentro da própria Igreja; as pessoas “de fora” que querem usar da Igreja como estrutura política e aproveitar da sua influência para dominar o povo; mais e mais divisões e crescimento do protestantismo. Todas as armas estão sendo utilizadas de uma só vez e nossa Igreja de dois mil anos jamais enfrentou tempos tão difíceis!

Entretanto, diferente das coisas desse mundo contemporâneo, a nossa Igreja Católica não é reciclável. Muito pelo contrário, ela continua sendo guiada e protegida pelo Espírito Santo e, independente da fraqueza e das misérias dos homens que a governam, ainda permanecerá a Igreja de Cristo! Para todos os efeitos, permanece intacta a promessa feita por Jesus ao primeiro papa: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 18).

Rafael Aguilar Libório
Postulante da Comunidade Pantokrator

2 COMENTÁRIOS

  1. Excelente matéria, que resumidamente abordou problemas sérios do passado e presente da nossa Igreja Católica e de quebra, nos situa dentro do projeto inicial de Cristo, nós lembrando da força e poder deixados por Ele, quando fundou essa linda instituição religiosa chamada Igreja Católica. Amei a leitura

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