Hoje sou noivo e tive a graça de viver uma amizade com a minha noiva antes de existir um interesse amoroso. Esse tempo de amizade que vivemos nos ajudou muito em nosso namoro; e continua a nos ajudar agora no noivado. Sou muito grato a Deus por tamanha providência! Vou contar algumas situações em que a amizade me ajudou a ter um namoro sadio.

É uma regra?

Ao se deparar com este título, podemos nos questionar se não seria possível desenvolver a amizade durante o namoro e que talvez não seja necessário seguir esta regra. De fato a amizade pode ser desenvolvida durante o namoro ou até mesmo depois de 50 anos de casado, basta que exista uma decisão firme por Cristo e pelo seu cônjuge, mas, se você ainda não iniciou um relacionamento, aproveite a dica para que o desenvolvimento da amizade seja mais rápido, com menos atritos e frustrações.

Amizade é importante?

A amizade é algo tão belo e tão divino que ela é usada para definir a própria santidade “Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (Jo 15,14). Logo, se o matrimônio é sinal do casamento de Cristo com a Igreja, podemos afirmar que a amizade mais perfeita depois de um homem santo com Deus é a amizade entre marido e mulher. “Por isso, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois constituirão uma só carne. Esse mistério é grande, quero dizer, com referência a Cristo e à Igreja.” (Ef 5, 31-32) É extremamente importante dedicar-se para construir uma amizade em um relacionamento que ruma ao matrimônio. Quanto mais amigos de Cristo formos, haverá mais brilho e realização na amizade com seu cônjuge, pois Jesus é a fonte do amor verdadeiro.

Confiança é a base de tudo

Quando estamos envolvidos amorosamente com uma pessoa, existe uma necessidade de conquista, pois desejamos a pessoa, mas não a temos. Com isso, pode surgir uma tendência de ficarmos inseguros, pois podemos perder a oportunidade de namorar, então passamos a ocultar nossos defeitos e muitas vezes fazemos coisas que não faríamos sem os impulsos afetivos. Caso iniciemos o namoro com esses “segredos” sobre nós mesmos, quando o outro descobrir nossas misérias, será uma grande frustração e poderá até mesmo levar a um fim de relacionamento gerando grandes sofrimentos.

Quando vivemos a amizade antes, não temos medo de mostrar nossas verdades, valores, idéias, sonhos, projetos, manias, pecados, temperamento, lutas, família, gostos, enfim, na amizade não escondemos nada, somos um livro aberto, pois não temos segundas intenções. Viver uma amizade com a minha noiva deixou muito mais leve essas descobertas. É óbvio que os defeitos aumentam quando se é noivo e imagino que irá aumentar ainda mais no casamento, mas é mais leve, porque você pensa: “Eu já sabia que ela era assim…”, “Eu não fui enganado, me decidi já sabendo disso…” e com a graça de Deus, você consegue superar a frustração e aceitar o outro do jeito que ele é.

E é nessa verdade e transparência que a confiança toma força.  Levaremos a vida toda para conhecer nosso cônjuge, pois somos um mistério; somente Deus nos conhece em nossa totalidade, mas a cada descoberta crescemos mais na comunhão e no amor pelo outro.

Liberdade, parceria e cumplicidade: o segredo da paz!

Aceitando-se a si mesmo, aceitando o outro do jeito que ele é, e, sendo isso vivido por ambas as partes, será mais fácil sermos livres e misericordiosos. Resolveremos os conflitos com mais suavidade e sempre tiraremos lições para nosso crescimento. Isso é saúde! Ter uma pessoa que não fica te cobrando o tempo todo, que aceita seus defeitos, que tem paciência com sua lerdeza, que sabe curtir os momentos juntos, que não quer discutir relação no meio duma festa ou num passeio especial… Tudo isso é fruto da amizade!

A paixão de início de namoro costuma ofuscar as imperfeições. Por exemplo, se o homem for perfeccionista, ele tentará atender todas as exigências da mulher. O problema é que isso não gera felicidade para o casal, gera frustração, peso e até mesmo depressão. Portanto, parceria é vida! Eu descobri que a minha noiva era muito parceira minha durante nossa amizade. Por exemplo, ela ficou ao meu lado numa fase difícil da minha vida em que vivi uma crise de fé; não ficou me julgando, não contou para os outros sobre isso e ficou quase uma hora comigo nas pedras da praia de Copacabana olhando as ondas bater sem dizer uma só palavra, curtindo aquele momento comigo; então, eu percebi que tínhamos uma sintonia nesses pequenos detalhes.

Mas como viver uma amizade entre homem e mulher sem segundas intenções?

Pois é, isso é muito difícil. Tive muita sorte porque estava vivendo uma fase na minha vida em que eu não queria nenhum relacionamento, mas mesmo assim, confesso que tinha algumas recaídas, pois ela é linda e me encantava desde sempre. E aqui vai uma dica, o pulo do gato.

Em nossa Comunidade, temos um processo que vivemos antes do namoro, chamado “caminho”. Ele dura aproximadamente 3 meses; nesse período, somos chamados a aprofundar o conhecimento do outro. Para ajudar neste aprofundamento, não podemos viver nenhum tipo de romantismo, não podemos beijar, abraçar, fazer declarações de amor, dar presentes românticos, pegar na mão. O foco está totalmente voltado para o conhecimento. O “caminho” é vivido no sigilo, pois, caso não venha a dar certo, não fica aquela indisposição social de fracasso; e também não gera nenhuma marca na vida dos dois.

Foi assim que começamos a namorar. Nossa amizade começou a ficar insustentável, pois o interesse cresceu muito e, apesar de nunca termos dito um para outro sobre esse sentimento, os olhos não negavam! Então, tomei a decisão de pedir a ela para viver o processo do “caminho” comigo; e ela aceitou. Nesse período, nós nos conhecemos ainda mais e aprendemos a colocar Deus no centro de nossa amizade. Por isso, posso dizer que hoje vivemos um relacionamento muito saudável e feliz, não por nossos méritos, mas porque Deus é, em nossas vidas, a fonte de todas as coisas.

Lucas Sturion 
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator 

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