Não desista da esperança

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Eu creio que você, assim como eu, já ouviu a expressão: já não há mais esperança! É verdade que vivemos um momento muito difícil da história, no qual a esperança praticamente foi extinta das vidas das pessoas. Eu conheço inúmeras delas que, se perguntadas, por exemplo, a respeito da política dirão que são todos ladrões e corruptos e que não há mais esperança de renovação, mas será?

Há também aqueles que perderam a esperança em suas próprias vidas. Muitas vezes por causa de desilusões no decorrer de suas histórias, foram deixando-se minar e quando viram se encontravam no fundo de um poço, desenvolvendo em muitos casos patologias muito graves como a depressão por exemplo, dentre outras.

Fato é que precisamos, independente do momento em que estamos, refletir profundamente sobre esse assunto, pois pode ser caso de vida ou de morte. A esperança morreu? Escrevendo este trecho me vem a memória a passagem da ressurreição da filha de Jairo, um dos chefes da sinagoga, você se lembra? 

Esperança e fé

“Tendo Jesus navegado outra vez para a margem oposta, de novo afluiu a ele uma grande multidão. Ele se achava à beira do mar, quando um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, se apresentou e, à sua vista, lançou-se a seus pés, rogando-lhe com insistência: Minha filhinha está nas últimas. Vem, impõe-lhe as mãos para que se salve e viva. Jesus foi com ele e grande multidão o seguia, comprimindo-o. Enquanto ainda falava, chegou alguém da casa do chefe da sinagoga, anunciando: Tua filha morreu. Para que ainda incomodas o Mestre?. Ouvindo Jesus a notícia que era transmitida, dirigiu-se ao chefe da sinagoga: Não temas; crê somente (Mc 5, 21 – 24, 35-36).

Nesta passagem vemos claramente uma contraposição entre a fé e a realidade – a realidade era a morte de sua filha, mas pela fé que Jairo depositava em Cristo, Ele a ela ressuscitou. São Paulo em uma de suas cartas aos Hebreus nos fala algo sobre a fé que convêm lembrar: “A fé é o fundamento da esperança, é a certeza a respeito daquilo que não se vê.” Esta foi claramente a experiência de Jairo, diante do fato narrado por aqueles que tinham constatado a morte de sua filha, só lhe restou acreditar na palavra de Jesus, “crê somente” e foi o que ele fez, mas Jairo foi decepcionado?

A sua e a minha falta de esperança nas situações cotidianas da vida está ligada intimamente a nossa fé em Jesus. Se São Paulo nos diz que a fé é o fundamento, é claro que não ter fé faz com que nossa esperança não se sustente. Sabemos que na construção de um edifício o que permite que ele seja alto é a sua base, quanto mais profunda, mais forte e consequentemente mais alto poderá ser a construção. Assim é nas nossas vidas, quanto maior a nossa fé, maior será nossa esperança.

Nós cristãos não temos uma fé vazia, temos uma fé firme e alicerçada numa rocha que é Jesus. Esta certamente é a grande diferença, parafraseando São Paulo “sabemos em quem depositamos a nossa fé”, isso não nos faz super-heróis ou super-heroínas, mas nos enche de esperança, pois quem tem a Cristo tem tudo.

Como disse São Paulo, tudo dei a conta de esterco afim de possuir a Cristo Jesus, com isso somos possuidores da gloria pois possuímos a Cristo que se deixa possuir por àqueles que creem na força de sua palavra.

Irmãos, esta verdade nos liberta das mentiras do demônio e nutre em nossos corações a esperança nesta vida, esperança esta que nos impulsiona a glória de Deus e que um dia contemplaremos face a face no céu. Por isso não desanimemos, lutemos com todas as nossas forças para que possamos irradiar a glória de Cristo Jesus no mundo sedento de esperança.

Guilherme Granja
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

3 COMENTÁRIOS

  1. […] Era preciso chorar, e choramos, por dias: no hospital – quando recebemos a notícia –, no velório e sepultamento. Choramos quando chegamos em casa e no silêncio da noite, quando esperávamos ouvir o choro de nossa filha, deparávamos com a nossa dor e vazio. Mas não foi um choro de desespero, como se nossa vida tivesse acabado, ou os nossos sonhos, porque nossa vida está escondida em Cristo – como diz São Paulo –, chorávamos com o coração cheio de paz e dor, porém sem perder a esperança. […]

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