A perene juventude da Igreja

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Em nossos dias, diante de tantos ataques, diretos ou indiretos, à fé cristã, num ambiente cada vez mais hostil à moral cristã, pra não dizer, à verdade, em que imperam tantos “ismos” cheios de nada e que levam a lugar nenhum (secularismo, relativismo, subjetivismo, individualismo, ateísmo, agnosticismo, libertinismo…), e ainda, mediante as fragilidades e desvios de membros da própria Igreja,  para alguns, pode parecer que ela vem sobrevivendo a duras penas e sem forças.

Mas… não é bem assim. A Igreja, enquanto Corpo Místico de Cristo, é una, santa e eterna. E no entanto, não é velha nem envelhecida. Nesta semana, estamos nos preparando para celebrar a grande Solenidade de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre os Apóstolos reunidos em oração com a Virgem Santíssima, dia em que se tem a manifestação pública da Igreja, inaugurada na Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.

É a ocasião para lembrarmos as sábias palavras de Paulo VI, papa (1963-1978): “Hoje pensamos num efeito que é próprio do Pentecostes: a animação sobrenatural produzida pela efusão do Espírito Santo no corpo visível, social e humano dos discípulos de Cristo. Esse efeito é a eterna juventude da Igreja. […] A humanidade que compõe a Igreja está sujeita ao tempo e enterrada na morte; mas isso não suspende nem interrompe o testemunho da Igreja na História no decorrer dos séculos. Jesus anunciou-o e prometeu-o: «Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28,20). Isto mesmo tinha dado a entender a Simão ao dar-lhe um novo nome: «Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja e as portas do Inferno não prevalecerão contra ela» (Mt 16,18). Pode-se de imediato fazer a objeção que fazem tantas pessoas nos dias de hoje: talvez a Igreja seja permanente, pois já dura há vinte séculos; mas é precisamente porque dura já há tanto tempo que é velha. […] A Igreja, dizem, é venerável devido à sua antiguidade […], mas não vive desse fôlego atual que é sempre novo: já não é jovem. Esta objeção é forte […], e seria preciso um longo tratado para lhe responder. Mas, para os espíritos abertos à verdade, bastará talvez dizer que essa perenidade da Igreja é justamente sinônimo de juventude. «É uma coisa admirável aos nossos olhos» (Mt 21,42): a Igreja é jovem. O mais espantoso é que o segredo da sua juventude é a sua persistência inalterável no tempo. O tempo não faz envelhecer a Igreja; fá-la crescer e estimula a sua vida e a sua plenitude. […] Claro que todos os seus membros morrem, como mortais e pecadores que são; mas a Igreja não só tem um princípio invencível de imortalidade, para além da História, com também possui um incalculável poder de renovação” Audiência geral de 12/6/1974.

A Igreja, como guardiã da verdade, do depósito da fé, não envelhece; porque a verdade não envelhece nunca.

Uma manifestação visível da juventude da Igreja nós temos nos últimos pontificados: tanto em João Paulo II, quanto com Bento XVI e agora com Francisco, a adesão dos jovens à Igreja vem aumentando. Diante de tantos ataques, é no jovem que está a esperança da Igreja. E é da parte do jovem que vem renascendo, como broto novo, o amor à Sagrada Liturgia, um retorno às verdadeiras fontes, o desejo da radicalidade da santidade, vocações ao sacerdócio ministerial. Tudo como fruto do anseio humano pela verdade, por dar um sentido à vida. Somente Jesus Cristo ensina o homem a ser homem (cf. GS 22). Somente Ele é o sentido de nossas vidas. Sem Ele, cedo ou tarde, acabamos caindo no vazio.

A causa primordial da perene juventude da Igreja está em que o Seu Fundador é jovem, porque está Vivo na glória de Deus, porque é verdadeiro Deus e verdadeiro homem: JESUS CRISTO, Vida inesgotável, inextinguível. Ao ascender aos céus, de onde veio, agora na carne humana, dignificou nossa humanidade e nos fez participar da vida divina. Agora, estando no seio da Trindade, Ele nos envia o Espírito Santo, que é a garantia de Sua constante presença e ação entre nós neste mundo.

Quem determina a idade real de alguém não são os seus anos de existência; essa é a idade histórica. Quem determina a idade real de alguém é o Espírito Santo, que renova a Igreja, que nos renova. O que nos mantém jovens em nosso cerne não é a academia nem o botox ou silicone; não é a “liberdade desenfreada” que presta obediência reverente aos instintos. É o Espírito Santo. Ele é o brilho do nosso olhar. Este mundo de nossos dias está matando os nossos jovens, que estão envelhecendo mais cedo por causa das drogas, do sexo, do libertinismo, da ausência de ordem e disciplina, da falta de sentido na vida. Mas o Espírito Santo virá, como sempre vem, para renovar a face da terra, fazendo renascer constantemente a Igreja. Este mundo ainda está para ver o que um jovem cheio do Espírito Santo é capaz de fazer.

Vinde, Espírito Santo, do céu enviai um raio de vossa luz! Enchei até ao ímtimo os corações de vossos fiéis! Transbordai o vosso amor sobre toda a Igreja, a sempre jovem Esposa de Cristo!

Kátia Maria Bouez Azzi
Consagrada na Comunidade Pantokrator 

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