O lugar dos filhos sendo preenchido por animais de estimação – uma epidemia do nosso tempo

Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra! (Genesis 9, 1) Essa é uma benção que Deus dá aos seus filhos: a benção da fecundidade. No entanto, vemos hoje, no mundo e em especial, em nosso país, muitas famílias escolherem ter animais e não ter filhos.

Segundo pesquisa do IBGE/2013, de 100 lares brasileiros: em 44 encontramos animais, como por exemplo, o cachorro e em apenas 36, crianças de 0 a 12 anos. Ainda segundo essa pesquisa, cerca de 44% dos domicílios têm cães, o que equivale a mais de 52 milhões de animais; crianças são 45 milhões.

Leia mais: https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/brasil-tem-mais-cachorros-de-estimacao-do-que-criancas-diz-pesquisa-do-ibge-16325739#ixzz5Rwy1Du00
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A cultura posta nos diz que filhos custam caro e dão trabalho. São seres com vontade e temperamentos próprios, que fogem ao nosso controle. Filhos demandam responsabilidades e exigências. Precisam de tempo para serem educados e de dedicação diária. Animais: seres irracionais, com instintos internos, incluindo memória, mas sem inteligência e vontade; não podem discutir ou contestar; não te confrontam com sua própria verdade e demandam um grau de compromisso bem menos exigente que um filho.

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A cultura contemporânea contaminada pela ideia marxista de que somos nós que damos conta das nossas necessidades através da nossa força de trabalho, tira do homem a confiança no Deus que tudo provê, que ama e cuida de seus filhos. Tira também a responsabilidade de doar sua vida pelo outro, a responsabilidade de continuar a obra da criação em estado de caminho, pois Deus não fez uma obra acabada, Ele quis contar conosco.

A mesma cultura marxista luta contra a família! Seu objetivo primordial é acabar com a referência da sagrada família. Alimentam o pessimismo e a falência do modelo de família nuclear.

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Numa sociedade egoísta e hedonista, que busca seu próprio prazer acima de tudo, não é difícil entender a motivação por tal escolha. A dimensão do sofrimento como algo inerente ao viver, que a todo custo tenta-se amortecer, ignorar ou entorpecer, a escolha por se relacionar com animais do que humanos é bem compreensível.

O criador, Deus Pai Todo Poderoso, não abandona a criação à sua própria sorte, mas Se revela e orienta, cuida e zela por todos os seus filhos, os instrui e alimenta.

Os mandamentos de Deus e ensinamentos de Cristo são para que aqui na Terra possamos encontrar felicidade, rastrear o caminho do céu, nos santificar. Deus Pai que se comunica com Seus filhos, mostra o caminho, envia Seu Filho amado, que por nós escolhe morrer e morrendo, vence a morte, nos diz: “Porque o que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas o que perder a sua vida por amor de mim e do Evangelho, salvá-la-á” (Marcos 8, 35). Gastar nossa vida com os filhos: que grandiosa missão e que maravilhosa escolha! Escolher dar continuidade a criação e sermos com Deus co-criadores!

A beleza e a verdade de uma maternidade e paternidade responsável, refletem o plano de Deus para nós. A fecundidade reflete a generosidade com a vida, a escolha diária pelo sacrifício, pela porta estreita, pelo caminho da verdade e da vida; nos afastam da solidão, nos levam a vivência de uma vida em comunhão. Filhos são dons de Deus!

Para o mundo relativista, no qual tudo depende do ponto de vista, estes argumentos podem parecer um tanto radical, no entanto, a verdade existe. Com um pouquinho de empenho e raciocínio pode-se chegar a ela. Sim! A verdade existe! Como isso pode ser motivo de escândalo num cenário pós-moderno!

Muito antes de escrever esse artigo, já refletia sobre os casais que são enganados pelas mentiras do mundo e descobrem tarde demais que o tempo passou, que se fecharam à vida e de como isso no final pode se voltar contra eles próprios, colhendo a tristeza da solidão que plantaram.

Thaís  Casarini
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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