Abraçando a minha feminilidade

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feminilidade

Feminilidade: você sabe o que é?

Definição no dicionário: é o modo de ser, de viver, de pensar, as características que fazem a mulher ser feminina e que envolve o ser feminino.

Desde a história da criação, em Gênesis, vemos como Deus tratou a criação como uma grande obra de arte, em seus mínimos detalhes, e por fim criou a mulher: “Então, o Senhor Deus mandou ao homem um profundo sono; e enquanto ele dormia, tomou-lhe uma costela e fechou com carne o seu lugar. E da costela que tinha tomado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher, e levou-a para junto do homem.” (Gn. 2,21-22).

“Eva não foi uma criação tardia, ela se tornou a coroa da Criação, o toque final na obra prima que foi a criação do mundo, ela preenche um lugar no mundo que nada e ninguém podem preencher, toda mulher traz em si esse papel único dentro de si”. (Livro: Em busca da alma feminina, pag.42)

Portanto, feminilidade é uma vocação, um dom que Deus plantou no coração de toda mulher desde a criação, e que nos acompanhará durante toda a existência. O pulsar desse coração, que por natureza é parecido com o de Deus, nos faz sermos ternas, atraentes, vulneráveis, misericordiosas, mas também impetuosas, guerreiras e vibrantes. São através dessas características que Deus nos conduz à descoberta do ser feminino, independente da idade, profissão ou estado de vida.

Infelizmente, nos dias atuais, muitas mulheres têm se deixado convencer de que, para que possam ser respeitadas pelos homens (e também por outras mulheres), devem abrir mão de sua feminilidade. São pressionadas psicologicamente de que precisam “superar os homens”, de forma a buscar o sexo em vez do amor, o trabalho em vez da geração e da educação dos filhos, o racionalismo em vez da fé, a igualdade de pensamento e de obrigações sociais em vez da complementaridade.

Não podemos agir com ingenuidade, trazemos em nós as marcas do pecado original e somos muitas vezes enganadas, como Eva, criando um combate interior muito grande: mulheres que se acham inferiores porque guardaram seus diplomas para cuidar da casa e dos filhos, tornando isso motivo de murmuração, e, por outro lado, mulheres que vivem um pesadelo ao deixarem suas casas para dar o sustento necessário e sofrem por se acharem as piores mães do mundo, ao deixarem os cuidados de seus filhos com terceiros. Começam a dar ouvidos ao maligno, desconfiando do Amor de Deus e, ao dar margem a essas más inclinações, ocultam toda a beleza que deveriam revelar.

“À sua descendência, Adão e Eva transmitiram a natureza humana ferida pelo seu primeiro pecado, portanto privada da santidade e da justiça originais. Essa privação é chamada de «pecado original». Como consequência do pecado original, a natureza humana ficou enfraquecida nas suas forças e sujeita à ignorância, ao sofrimento e ao domínio da morte, e inclinada para o pecado – inclinação que se chama «concupiscência».” (CIC 417/418)

É fato inegável que a perda da feminilidade está afetando profundamente a sociedade e as famílias como um todo.  Isso porque, ao contrário do que se tem dito atualmente, a feminilidade não é a fraqueza da mulher, mas justamente sua força, “toda mulher tem uma beleza a ser revelada, há um esplendor escondido em seu coração do qual o mundo desesperadamente precisa”. (Livro: Em busca da alma feminina, pag.60)

Revelando a beleza da feminilidade

Por isso é tão importante abraçarmos a feminilidade. Quando ingressei no caminho vocacional, percebi traços de feminismo na minha história, pequenas coisas que me faziam ser controladora nos meus relacionamentos, com meu esposo e filhos, e principalmente no meu relacionamento com Deus. Tudo tinha que ser do meu jeito, e foi muito difícil reconhecer e partir para as mudanças necessárias, mas posso testemunhar que hoje vivo uma liberdade que nunca havia experimentado: em minhas relações humanas, deixar que as pessoas cuidem de mim, ser vulnerável, deixar que toquem nas minhas realidades e limites, e, na relação com Deus, confiar que Ele me ama e cuida de tudo, revelar a beleza para a qual fui criada.

Deus te chama a assumir a sua feminilidade, você tem algo de muito belo que precisa ser revelado ao mundo (se ainda não foi). Viva seu ser mulher onde Deus lhe chama, seja em uma carreira bem sucedida, nos cuidados do lar, no escondimento de um convento, na paróquia ou em uma nova comunidade.

Edith Stein, filósofa, religiosa e mártir, conhecida como Santa Tereza Benedita da Cruz, escreveu algo que resume muito bem como devemos viver a feminilidade:

“A alma da mulher deve ser ampla a tudo o que é humano. Deve ser cheia de paz, porque as fracas chamas se apagam na tempestade; deve ser quente para não enregelar as pequeninas sementes; deve ser luminosa para que, nos cantos escuros, não cresçam ervas daninhas; deve ser reservada, porque as interferências externas podem pôr em perigo sua vida íntima; deve ser vazia de si para deixar amplo espaço para os outros. Deve ser, acima de tudo, dona de si e do próprio corpo para que sua personalidade esteja sempre pronta a servir em cada necessidade”.

Veja quantos outros exemplos: Ester, que com sua feminilidade salvou seu povo do genocídio;  Gianna, médica e mãe; Mônica, a intercessora de um filho de tantas lágrimas, o grande Santo Agostinho; Teresinha, religiosa, viveu sua juventude no Carmelo; Teresa de Calcutá, que doou sua vida para os pobres; Joana d’Arc, a mulher forte que libertou a França; Teresa d’Ávila, que renovou o Carmelo; e o maior de todos os exemplos: a Virgem Maria, que recebeu o convite para ser a mãe do Salvador e não hesitou em responder sim, viveu do anúncio ao calvário com toda a humildade, delicadeza e firmeza de uma mulher de fé. Poderíamos aqui citar muitas mulheres que viveram bem sua feminilidade, afinal, quem não conhece uma mulher que revelou, com a sua vida, a beleza de Deus?

Que Deus nos ajude a ser como elas e, abraçando verdadeiramente a nossa feminilidade, sejamos um sinal da beleza de Deus no mundo!

Mônica Laura dos Anjos Tavares de Andrade
Discípula da Comunidade Católica Pantokrator

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