Almas Vigilantes e comprometidas com a conversão

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Você já parou para pensar no que significa conversão? Quando alguém diz “eu me converti”, o que isso realmente significa? Conversão significa mudança de valores, de hábitos, de visão, em termos práticos, significa mudança de rumo, de direção; é sair de um determinado caminho para trilhar outro.

Diferente do que muitos imaginam, quando alguém diz “eu me converti” isso não significa que, do dia para a noite, aquela pessoa se transformou em uma pessoa perfeita, sem qualquer defeito, pois como nos ensina São Josemaria Escrivá: “a conversão é coisa de um instante, a santificação é obra de toda a vida”[1].

Converter-se significa que, em um determinado momento, tivemos uma experiência com Deus, que nos marcou profundamente e que nos fez, daquele dia em diante, decidir “mudar” de rumo, trilhar outro caminho que nos levará a crescer, a cultivar novos valores e virtudes, a abandonar certas condutas, a enxergar nossas fraquezas e limitações esforçando-nos para superá-las. Conversão é decidir-se por trilhar o caminho que nos leva à santidade, estrada que, a curto, médio ou longo prazo, nos levará para o céu.

Assim, podemos concluir que a conversão é o primeiro passo para a santidade, ou seja, é o início de um longo processo. Para trilhar este caminho é preciso comprometer-se, esforçar-se e vigiar constantemente para não cairmos na tentação de voltar para aquela outra estrada, que pode até parecer bonita, segura, interessante, com belas paisagens, mas que não passa de uma estrada que nos levará à condenação.

A virtude da constância

É preciso estar vigilante! O processo de conversão, de santidade, exige constância, ou como diz Santa Teresa, uma “determinação determinada” em atingir a meta da santidade, “ter uma grande e muito decidida determinação de não parar enquanto não alcançar a meta, surja o que surgir, aconteça o que acontecer, sofra-se o que sofrer, murmure quem murmurar”.

A constância é a virtude que nos faz persistir diante dos obstáculos que encontramos no caminho de conversão, obstáculos que nos colocam à prova, mas que por esta santa virtude, somos capazes de superar. A constância nos mantém firmes diante das provações, e “feliz o homem que suporta a provação, porque depois de ter sido provado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam” (Tg 1, 12).

Como cristãos, encontramos nas provações e tentações uma oportunidade para viver a santidade, a conversão diária. As dificuldades se tornam desafios, são como a forja, que nos purificam, e que, pela constância, transformam pecadores em santos, homens miseráveis e frágeis em grandes vocações, misérias e limitações em virtudes sólidas. Mas para que isso aconteça é preciso compreender que os sofrimentos que encontramos no caminho, e eles virão, pois o próprio Senhor nos disse “se alguém quer vir após mim, tome a sua cruz e me siga” (Jo 19, 30), não são “pedras de tropeço”, mas degraus da escada que nos leva para o céu.

Comprometer-se diariamente!

Mais do que palavras bonitas, é fundamental perceber essa dinâmica do processo de conversão, que se dá pela constância, no nosso cotidiano.

No nosso dia a dia, no trilhar do nosso caminho de conversão, é natural nos depararmos com grandes ou pequenas dificuldades, ou melhor, grandes e pequenos desafios. São oportunidades de crescer na generosidade, na mortificação, no autodomínio, no amor, na compreensão, no perdão, na doação, no carinho, na correção, etc. Para cada uma dessas situações há um obstáculo, uma “pedra de tropeço”, uma provação ou tentação que pode nos fazer retroceder ou até mesmo cair, o desejo de reter-se, de guardar para si, do prazer, da falsa liberdade, do ódio, da incompreensão, da dificuldade do perdão, da indiferença, da condenação, etc.

A virtude da constância, pela graça de Deus, transforma esses obstáculos em degraus, em oportunidades de crescimento, de santificação, de conversão concreta. Quando vivemos assim somos purificados a cada instante, em cada situação, somos lapidados, e aquela pedra bruta que éramos, lá no início da nossa conversão, vai se transformando em um lindo diamante.

Novamente, São Josemaria Escrivá nos ensina a importância dessa dinâmica:

“Não te queixes se sofres, lapida-se a pedra que se estima, que tem valor. Dói-te? Deixa-te lapidar, com agradecimento, porque Deus te tomou nas suas mãos como um diamante, não se trabalha assim um pedregulho vulgar”[2]

Peçamos ao Senhor que nos dê a graça de sermos perseverantes e constantes em nossa caminhada, comprometidos com nosso processo de conversão. Roguemos à Santa Teresa e ao São Josemaria Escrivá que nos ensinem a viver a determinação determinada e a santidade comum nos pequenos e grandes desafios do nosso cotidiano.

Allan Oliveira
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

[1] ESCRIVÁ, São Josemaria. Caminho. Ed. Quadrante.

[2] ESCRIVÁ, São Josemaria. Sulco. Ed. Quadrante.

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