Amamentação: algo que vai além da alimentação

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amamentação

Falar sobre amamentação não é novidade. Desde muito tempo os benefícios do aleitamento materno são reconhecidos e a importância da prática é bastante divulgada. No entanto, para algumas mulheres, a realidade talvez seja bem difícil.

Quando falamos de amamentação, a imagem que me vem à mente é aquela das campanhas que trazem uma linda e sorridente mamãe amamentando de forma tranquila e serena. Mas, no meu caso, não foi assim… ao menos no começo. E o que era sonho para mim enquanto mãe, quase se tornou um pesadelo.

É muito estudado e difundido que o leite materno traz benefícios nutricionais e imunológicos extraordinários e incapazes de serem reproduzidos pelo leite formulado, por melhor que esse seja. Ele é essencial ao crescimento e desenvolvimento do bebê, com vantagens a curto, médio e longo prazo. No entanto, o ato de amamentar não tem apenas a função de nutrir ou saciar o bebê. Suas “funções” vão muito além da alimentação.

Benefícios

Não é à toa que a mulher tem os seios na parte da frente do corpo e o bebê pode se alimentar olhando nos olhos da mãe. Para os demais mamíferos, as mamas estão mais na parte posterior e seus filhotes não veem o rosto da mãe enquanto se alimentam. É um ato puramente instintivo, eles estão “matando a fome”. Para o ser humano não funciona dessa maneira.

A fase da amamentação é responsável por gerar um vínculo afetivo entre mãe e filho. Aquele vínculo que começou a existir durante a gestação, agora se torna real, concreto, palpável. No momento em que estamos amamentando, conseguimos olhar nos olhos do bebê, tocá-lo, senti-lo e ele também nos sente. Ele pode sentir nosso cheiro, nosso calor, ouvir a nossa voz, olhar-nos nos olhos. Nesse instante, cria-se de alguma forma uma comunicação entre nós, mesmo que silenciosa. Esses são os primeiros gestos que ajudarão seu filho(a) a se sentir amado, acolhido e seguro.

Especialistas sugerem que esse gesto deva ser feito inclusive por aquelas mamães que por razões autênticas não conseguem amamentar. Segurar os filhos no colo, trocar olhares, senti-lo e se deixar sentir; pequenos gestos que são como sementes de amor plantadas no coração da mamãe e do bebê.

Amamentação: um ato de amor

Ficou bem evidente que a amamentação traz benefícios muito maiores que o de nutrir (esses também são extremamente importantes!). Entretanto, como eu disse, para algumas mulheres o ato de amamentar torna-se muito difícil por diversas razões. Dentre elas, acredito que a falta de informação seja a mais prejudicial.

Temos muita informação a respeito das vantagens, porém, pouco se fala acerca das dificuldades que surgem. Como a dor que às vezes se sente ou a dificuldade em conseguirmos a “pega” ideal. Mesmo fazendo cursos para gestantes e lendo muito sobre o assunto, a realidade pode ser bem diferente. No meu caso, eu sentia muita dor ao amamentar. Quando minha filha pegava para sugar, o meu corpo inteiro doía e eu tinha vontade de tirá-la na hora.

Há muitos mitos e informações erradas a respeito de como segurar o bebê, como lidar com as rachaduras, sobre a alimentação da mãe, onde procurar ajuda e etc. Geralmente, nessa fase, com o intuito de ajudar, muitas pessoas dão sugestões, o que pode atrapalhar. Tudo isso, associado ao que a nova mamãe já está passando, gera muito estresse e cobranças, fazendo com que muitas mães desistam de amamentar.

O ideal é procurar um profissional. Normalmente as maternidades têm um banco de leite e lá as enfermeiras ensinam a mamãe o modo correto de o bebê pegar a mama. Visitei duas vezes o banco de leite da Maternidade de Campinas e foi lá que encontrei ajuda oportuna. Após dois meses, pude então desfrutar do momento da amamentação. Não foi nada fácil, mas valeu a pena. Vale lembrar também que não estamos sós, procure conversar com pessoas que são a favor da amamentação, existem vários relatos de superação que nos ajudam muito.

Nesses dois longos primeiros meses, quando mesmo sentindo tanta dor eu decidi continuar tentando, pude viver a oportunidade de encontro com Cristo que deu a vida por mim. Era a hora da minha oferta de amor. Ali eu derramava todo o meu amor pela minha filha sem que ela nem mesmo pedisse e acolhia todo o amor de Deus por mim. Caso você esteja passando por isso, vai passar ou conhece alguém que esteja amamentando, lembre-se: não perca a chance de lançar-se no colo de Deus e fazer ofertas generosas de amor.

Deus os abençoe!

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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