Amo meu trabalho ou sou escravo dele?

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O trabalho dignifica o homem! Você certamente já ouviu esta expressão. Mas, qual o significado disso?

A verdade é que o trabalho eleva o homem a uma condição de dignidade, ou seja, ele é essencial no processo de construção do ser humano, pois através dele o homem pode realizar grandes coisas, não só para si, mas também para aqueles que o cercam, sejam eles subordinados ou superiores. Mas entenda que, quando me refiro ao homem, eu o faço enquanto criatura, criado por Deus à Sua imagem e semelhança, e não o ser do sexo masculino.

Sendo, então, essa expressão uma verdade, podemos entender que o trabalho é uma missão, algo que eu devo realizar com amor. Santa Teresinha do menino Jesus é a mestra nisso. Em sua passagem por este mundo, ela conseguiu descobrir este pequeno caminho para alcançar o coração de Deus; em tudo o que realizava, tinha como meta o amor.

Mas o que temos visto acontecer com as pessoas com quem convivemos dia a dia em nosso local de trabalho?

Certamente encontramos pessoas felizes, livres, realizadas em suas funções, não é mesmo?

Na verdade, não! O que encontramos muitas vezes é uma relação de escravidão entre as pessoas e seu trabalho. Elas não têm mais controle sobre suas vidas, dedicam horas a fio em busca da excelência, em busca de melhores resultados e, por que não dizer, de reconhecimento, seja ele financeiro ou de crescimento profissional; por que não os dois?

Colocam o trabalho como o fim último, passando, então, a ser a razão da sua vida, não importando que tenham que trabalhar 12, 14 ou 16 horas seguidas! O que importa é a excelência, o que importa é o lucro, o que importa é crescer e se destacar, não é?

Muitos sacrificam sua família, filhos, casamento, saúde, em busca do tão almejado sucesso profissional.

Também há aqueles que pela manhã picam o cartão pensando no fim do expediente, começam o dia tendo como meta a hora de voltar para casa; a sua meta é sobreviver até a hora do almoço e depois até a hora de ir embora. Para ele, happy hour é sexta feira às 18 horas, quando chega a hora de ir embora para casa ou outro lugar qualquer. O trabalho é um castigo, culpa de Adão, talvez, quando comeu o fruto proibido. Ele trabalha única e exclusivamente pelo salário, o que ele quer não é reconhecimento, excelência, o que ele quer é que o dia, a semana e o mês acabem, pois somente assim ele receberá o tão merecido prêmio chamado salário.

Esse pobre coitado não tem perspectiva alguma de crescimento, ele também não percebe, mas vive é uma relação de servo e senhor, ou seja, também é escravo, escravo do seu salário, escravo de uma vida medíocre, escravo de uma visão apequenada do que é o trabalhar e qual o seu verdadeiro sentido na vida.

Na passagem de Mc 2, 27-28, diz Jesus “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado, e para dizer tudo, o Filho do homem é senhor também do sábado.”

Vale lembrar que os discípulos de Jesus estavam sendo acusados de trabalhar em dia de sábado, já que colheram espigas de milho enquanto caminhavam pelo campo, o que para o judeu era proibido, mas, qual é a mensagem que Jesus deseja nos ensinar?

Ele quer restabelecer a ordem das coisas. Jesus diz que o sábado foi feito para o homem, assim como todas as coisas criadas foram feitas para que nós possamos delas desfrutar numa relação de liberdade. Só é livre quem consegue colocar o amor naquilo que faz; só é livre quem compreende que o trabalho não é um fim em si mesmo, ou um fardo a ser carregado pelo qual eu recebo um mísero salário no final do mês, não! O amor livre faz do meu trabalho lugar de missão.

Bem, isso muda tudo, muda a maneira como eu me relaciono com as pessoas com quem eu trabalho, pois entendo chamado e me relaciono de maneira cortês, gentil e educada com todos. Isso muda a forma como eu me relaciono com a minha função enquanto membro de uma equipe, pois sou membro de um corpo jurídico que é a empresa, assim realizo com excelência o meu trabalho, busco o melhor que eu posso dar, busco ajudar os meus colegas, por amor.

Que possamos descobrir nossa missão e que o Senhor abra nossos olhos para que sejamos em nossos trabalhos verdadeiramente livres e não mais escravos.

Guilherme Granja 
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator 

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