Apanhar um alfinete por amor pode converter uma alma

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“Apanhar um alfinete por amor pode converter uma alma. Que grande mistério!” Santa Teresinha do Menino Jesus.

Belíssima a afirmação de Teresinha! Pena que hoje diríamos algo do tipo: “Quem foi que derrubou esse alfinete aqui?! Não sou empregada de ninguém para ficar pegando as coisas que vocês derrubam”, ou ainda, “que desajeitado que sou derrubando as coisas no chão.” Pouco provável que teríamos esse pensamento dela. Evidentemente, não olharemos para a frase de Teresinha prestando atenção apenas às evidências das palavras nem pensemos que ela era uma pessoa alienada, vivendo em um mundo desconexo da realidade. Convido vocês a refletirem comigo no mistério contido nessa afirmação para juntos bebermos da graça da Verdade trazida por nossa amiga Teresinha e que podemos perfeitamente traduzir para a nossa vida.

Os escritos e a vida de Teresinha são amplamente conhecidos e difundidos pelo mundo. Ela é uma das santas mais populares da Igreja, então, não precisamos falar muito sobre isso aqui. Porém, há um aspecto que penso ser importante destacar: o fato de ela ter sido uma monja de clausura. Mas afinal, o que uma monja de clausura tem a nos ensinar sobre o amor e ser de Deus no século?

Bom, você pode ser uma pessoa comum assim como eu que trabalha, estuda, sai com os amigos, vê filmes/séries, ouve música, vai à missa, enfim, bem diferente de Teresinha que alternava sua vida entre rezar, cuidar dos afazeres do Carmelo, rezar, ter um tempinho de lazer, rezar e por aí vai. Apenas uma coisa nós temos em comum com nossa amiga, uma coisa chamada ROTINA. Temos uma rotina secular e Teresinha tinha uma rotina carmelitana. A grande sacada é que nossa amiga não se tornou santa porque era carmelita, e sim, por fazer do seu amor a Deus uma rotina. E é dessa rotina, impregnada de desejo ardente de união com Deus, que brota a frase: “Apanhar um alfinete por amor pode converter uma alma. Que grande mistério!”

Ser pequeno

Santa Teresinha quer nos ensinar que não tem problema se não somos pregadores top e sensacionais, músicos sublimes, eruditos, intelectuais, pois nada disso faz diferença em nosso caminho de santidade. A diferença está no amor com que realizamos qualquer coisa que precise ser feita, não importa onde estejamos.

É comum que façamos muitas das nossas tarefas cotidianas no automático. E não vamos ficar pensando ou dizendo toda hora: “vou te amar, Senhor, lavando louça”, “estou te amando, Jesus, nessa tarefa chata e complexa do meu trabalho”,… nem Deus quer isso da gente. O que desejo chamar a atenção aqui é para aprendermos com Teresinha a colocar o amor no “automático”.Quando mergulhamos em Deus em nossa oração, nos encontramos com o Amor e, portanto, devemos nos configurar ao Amor e transformar em movimento rotineiro os nossos atos de ser Amor e semear o Amor em nossa vida e em tudo que a envolve.

Deus ama a simplicidade e usou da voz de Teresinha para relembrar isso ao mundo e nos convidar mais uma vez a trilhar esse caminho. Não seremos santos por sermos bem-sucedidos ou por determinada função que exercemos ou pelo cargo que ocupamos, pelos dons que temos. A Santidade será alcançada na medida em que fazemos tudo isso por amor, com amor e para o Amor!

É fácil viver dessa forma? Certamente que não. E eu que o diga! São tantos caminhos alternativos oferecidos hoje em dia, tantos tipos de amor por aí, mas o ÚNICO caminho a ser percorrido nessa aventura de ser de Deus é o do amor-oferta, onde tudo, exatamente tudo, desde as alegrias aos sofrimentos são usados como oportunidade de amar mais a Deus. Esse foi o caminho trilhado por todos os santos que nos precederam no céu, cada um na singularidade da sua vida rotineira, mostrando a nós que é perfeitamente possível ser amor e semear o amor em todas as nossas ações cotidianas.

E agora, após refletirmos sobre essa dinâmica do amor contida na frase de Teresinha, você aceita o desafio de buscar recapitular as ações, falas, pensamentos a partir dessa perspectiva?

Peçamos, humildemente, a graça do Espírito Santo e a ajuda da Virgem Santíssima para fazer da nossa rotina uma verdadeira rotina de quem deseja ardentemente amar a Deus sobre todas as coisas.

Deus nos abençoe!

Fernanda Guardia
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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