Arquitetando técnicas de intimidade com Deus

Por que ser íntimos de Deus? 

Aquele que sempre existiu desejou dar-nos também a vida para simplesmente nos amar, cercando-nos de um lindo universo, pensando em cada detalhe… Por que não ser íntimos de Deus, que Se inclina para nos olhar, e Se interessa pelos nossos atos (cf. Sl 32,14-15)? Ele, que cuida de cada fio de cabelo (cf. Mt 10,30) e nos conhece desde antes de nossa concepção (cf. Jr 1,5)!

Ao sermos íntimos d´Ele, somos plenos e felizes, aumenta o amor próprio e o amor pelos outros. Mas, para que essa intimidade se sustente, precisamos estar atentos às adversidades. É como uma construção, que precisa de bom alicerce, resistir às intempéries, ao “peso próprio” dos elementos construtivos, às infiltrações e corrosões. Em cada indivíduo, essas adversidades atuam de maneira diferente. Por isso, faz-se necessário conhecer-se bem. Quem sustenta essa busca torna-se até mais belo, pois reflete o próprio Cristo (Esposo que atrai todas as almas).

Alicerce: Deixar-se seduzir 

“Provai e vede como o Senhor é bom, feliz o homem que se refugia junto dele” (Sl 33,9). Ao experimentarmos o Amor de Deus, Seu cuidado, proteção e providência em nossas vidas, somos capazes de nos comprometer com Sua amizade.

Encontremos o Amado nas atividades comuns, como nos ensina Santa Teresa D´Ávila: “Em meio às panelas também se encontra o Senhor”. O ideal é que nos alimentemos de Sua Palavra logo pela manhã e, através dela, nos relacionemos com Ele. Aquilo que Deus falou orientará as próximas orações e ações frente à vida. Ao fim do dia, é possível contemplar os frutos.

Nos trajetos, elogiá-l’O por Suas obras; lamentar pela degradação humana ou da natureza; acolher Cristo nas pessoas que cruzam nossos caminhos; imitar Jesus, Maria e José, “peregrinos” que, por onde passavam, deixavam curas, bênçãos, amor.

Fazer perguntas para Deus. A Seu tempo e modo, Ele responde (cf. Jr 33,3). Recorrer ao Seu auxílio, até mesmo nas pequenas coisas. Isso não é “abusar de Sua paciência”, mas é dar-Lhe a oportunidade de revelar Seu amor nos pequenos detalhes. Anotar o que Ele fala e realiza em nossas vidas, fazer memória.

Experimentemos “exultar de Alegria” no Espírito. Participar de grupos de Oração nos ajuda a provar de Seu Amor e Poder. Cercar-nos de amizades com quem possamos compartilhar a ação de Deus em nossas vidas mantém abrasada a chama da fé.

Pedir auxílio do próprio Deus, da Virgem Santíssima, dos santos e do nosso Anjo da Guarda, por esta “empreitada” de buscar maior intimidade com Deus. Rezar o Santo Terço, mergulhando em cada Mistério. Quanto mais conhecemos Deus, mais nos apaixonamos por Sua Verdade. : “Quem come a minha carne e bebe meu sangue permanece em mim e eu nele” (Jo 6,56). Quer maior intimidade do que essa união? Adoração: oportunidade de nos relacionarmos em espírito, alma e presença física.

Estruturando o “peso próprio” 

Nossa humanidade requer cuidados físicos; necessitamos de afetos humanos; carregamos “marcas” em nossas memórias; somos fracos para resistir ao pecado… Tudo isso influencia nossa vida de oração. Resta-nos identificar, em cada área de nosso ser, aquilo que mais nos atrapalha a intimidade com Deus. Podemos anotar estes pontos, estabelecendo metas, prazos e meios para combatê-los (1).

Santa Teresa D´Ávila nos ensina que, diante das distrações na oração (causadas por paixões, vícios, apegos), não devemos lutar contra elas, mas ignorar e ofertar ao Senhor. Usá-las para manter o diálogo com Deus.

Fugir das situações de pecado. Buscar sempre a Confissão. Isso “abre nossos olhos espirituais” à Luz de Deus e ao Sopro do Espírito. É como uma construção de amplas aberturas: ao receber boa iluminação e ventilação, torna-se mais salubre.

Nem sempre experimentaremos emoções prazerosas na oração. O que importa é a fidelidade de estarmos com Deus. Recorrer a jaculatórias, leitura orante, músicas, contemplação da Cruz e imagens sagradas, tudo isso pode nos ajudar. Fora dos momentos de oração: filmes, livros e pregações nos ajudam a retornar ao “primeiro amor”.

Resistindo às intempéries 

As circunstâncias exteriores merecem nossa atenção. Não devemos nos deixar abalar pelas “tempestades” da vida: é momento de intensificar as orações. Quando Deus permite “chuvas de bênçãos”, corremos o risco de nos distrair tanto com a alegria, que deixamos de lado o próprio Deus!

Um dos maiores desafios atuais é encontrar tempo para estar com Deus em meio ao “furacão” da correria. Sigamos o exemplo de Maria, irmã de Marta, que “escolheu a melhor parte” (cf. Lc 10, 42). Podemos contar com a ajuda de alarmes, em determinados horários, para deixar brevemente nossos afazeres e nos dirigir a Ele. Escolher melhor local para facilitar essa intimidade: o silêncio.

Combatendo infiltrações e corrosões 

Expulsar de nossos corações: ódio, ressentimento, vanglória pelos dons e santidade crescentes (pela maior intimidade); eliminar o legalismo (mero cumprimento de preceitos, sem amor); acabar com o “cupim” do “posso tudo pelos meus esforços”, sem contar com auxílio da Graça (cf. Santa Teresa D´Ávila).

A Beleza de ser íntimos 

Toda essa busca gera maturidade espiritual. Mas, nunca nos acomodemos.

Aderir à vontade de Deus (dispostos às “loucuras” a que Ele nos convida) torna-nos íntimos como com laços de sangue (cf. Mt 12,50)!

Sejamos guardiões da Verdade em nosso meio, zelando pela Igreja e pelas coisas do Reino, como um herdeiro zela pelas coisas de seu pai.

Santa Teresinha nos ensina a ofertar florzinhas a Cristo (pequenos sacrifícios, jejuns, dores e tristezas), unindo-nos com o Crucificado. Ensina-nos também a compartilhar coisas boas com o Amado, como comer lindas uvas.

Porque amamos, gostamos de fazer Deus sorrir, utilizando-nos de bom humor e bom senso. Cada um descobre, ao longo do tempo, meios para se defender daquilo que o afasta de Seu Amado. O próprio Deus nos inspira a criatividade necessária. Convidamos você, leitor(a), a compartilhar suas técnicas nos comentários deste site, colaborando com a edificação dos demais leitores e autora deste texto. Mãos à obra!!!

Luiza Torres
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator 

REFERÊNCIAS:

  1. Cf. NOGUEIRA M. E.; LEMOS S. M. Tecendo o Fio de Ouro: Itinerário para o autoconhecimento e a liberdade interior. Aquiraz: Shalom, 2013
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Category: Artigos Pantokrator

Comentários (2)

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  1. Maria Amélia Paviotti disse:

    Nossa!!! Estou devorando tudo que a Comunidade Pantokrator me encaminha por e-mail….salvo tudo em uma pasta para não correr o risco de perder.
    Leio, imprimo e marco os pontos que me impressionam. Aprendendo dia a dia a amar cada vez mais Aquele que me ama tanto.
    Obrigada…agradeço intensamente por tudo.
    Um grande abraço à todos da equipe.

    • Comunidade Católica Pantokrator disse:

      Olá, a paz!
      Essa mensagem nos alegra muito.
      Reze por nós para que continuemos a ouvir e expressar a vontade de Deus em nossos textos.
      Conte com as nossas orações no dia de hoje.
      Abraço fraterno.

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