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Castidade: viver até o casamento?

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Quando pensamos no termo “castidade” imediatamente lembramos de abstinência sexual. Até mesmo o dicionário apresenta para nós um significado de castidade que está muito aquém daquilo que ela realmente significa. Vejamos, “total abstinência dos prazeres sexuais; abstinência completa de todas as paixões”¹. Perceba como a cultura atual nos coloca a vivência da castidade como algo pesado, negativo, ultrapassado, dentre outros “adjetivos” que não levam em conta a profundidade e a beleza dessa virtude.

Se a castidade como virtude a ser corajosamente vivenciada em nossa juventude já é, para o mundo, loucura, o que dizer então da castidade vivida no âmbito matrimonial? Afinal, essa virtude deve ser “perseguida” por nós, sendo possível (e necessária) em todos os estados de vida.

Aos “olhos” do mundo

Como dissemos acima, a sociedade em que vivemos tem uma visão deturpada do significado da castidade. Vemos declarações, reportagens, “estudos”, opiniões sobre o tema que comprovam que tais pessoas, influenciadores da mídia, youtubers, blogueiros, enfim, toda essa multidão de “intelectuais da internet” sequer conhecem o verdadeiro significado da castidade.

Pouco se esforçam para se aprofundar naquilo que realmente ela é, emitindo superficialmente suas “preciosas” opiniões, conselhos e ideias, difamando e deturpando os ensinamentos da Igreja. Apenas reproduzem a “verdade” incontestável que receberam de seus “gurus”, professores e “intelectuais” já contaminados pela cultura mórbida que há muito quer destruir os valores morais e cristãos da nossa sociedade. Reduzir o conceito de castidade a ideia de não fazer sexo é algo superficial diante da realidade que existe por detrás desta virtude, deste conselho evangélico.

Diante de toda essa realidade nos lembramos das palavras de São Paulo aos Coríntios, porém muito atuais para a atualidade: “Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens”².

A castidade deve brilhar aos nossos olhos!

A castidade nos encaminha para a intimidade com Deus. Por meio dela somos enxertados no seio da Santíssima Trindade, onde o amor flui reciprocamente entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Deus é amor, e nós somos Sua imagem e semelhança, por isso precisamos transbordar este amor a todas as pessoas. Ele nos criou para o amor, existimos para amar e sermos amados. Desta forma, pela castidade nos tornamos “um” com o próprio Deus. Aquele que amamos com todo o nosso coração e com todas as nossas forças.

Diante disso percebemos que a castidade não priva a nossa liberdade, não anula a nossa sexualidade. A nossa sexualidade é dom de Deus, é por meio dela que nos tornamos seres relacionais, que podemos nos abrir ao outro, estabelecendo comunhão.

Jesus Cristo é para nós o perfeito modelo de castidade. Por meio d’Ele compreendemos que ser casto é viver plenamente o dom de si e a abertura ao próximo na totalidade da nossa capacidade de amar. Ele se doou inteiramente, sem limites, entregando-se numa cruz, nos amou até as últimas consequências. Assim, a vivência da castidade nos leva ao exercício de dominar nossas paixões para que possamos, pela força do Espírito que habita em nós, conquistar a verdadeira liberdade e dignidade.

A castidade matrimonial

Diante disso já é fácil perceber que a castidade não é algo a ser vivida apenas enquanto estamos solteiros. Pois não se reduz apenas a abstinência sexual, viver a castidade é viver o amor, assim nos ensina São João Paulo II ao afirmar que “a castidade não pode ser compreendida sem a virtude do amor” (Amor e Responsabilidade, 1982).

Pela castidade aprendemos a tecer relacionamentos maduros e sadios, algo fundamental para a harmonia conjugal. Sem a castidade nosso relacionamento conjugal é “interesseiro”. Ou seja, permeado de atitudes utilitaristas, onde o outro é apenas um objeto que só possui valor enquanto sacia a minha necessidade de prazer. A castidade nos leva à consciência de que nosso corpo, e o corpo do outro, são instrumentos de amor, templos vivos de Deus.

Quando estamos noivos ou namorando vivemos a castidade também como continência. Essa vivência nos levará, quando chegarmos ao matrimônio, à descoberta do respeito mútuo, da fidelidade.

Quando nos casamos comprometemo-nos diante de Deus a viver este amor que é reflexo do amor divino, do amor ágape, ou seja, “entrega incondicional que alguém faz de si mesmo pelo bem da pessoa amada” (Thomas G. Morrow – O Namoro Cristão). Trata-se de uma doação de si mesmo, o mesmo amor que Cristo pregou e viveu. Trata-se de um amor perene, ou seja, para toda a vida. De um amor exclusivo, ou seja, para uma pessoa apenas. Um amor público, ou seja, um compromisso vivido diante dos outros, e de um amor fecundo, ou seja, que gere vida.

Se o amor que vivemos no matrimônio é tão intenso, profundo e responsável, como não dizer que a castidade é fundamental no casamento? Ela nos leva e ser dom, a se doar inteiramente. O sexo, no matrimônio, simboliza esse compromisso, que pode dar origem a filhos “concebidos e educados na estável comunidade de amor que é o matrimônio” (Thomas G. Morrow – O Namoro Cristão).

A castidade matrimonial leva o casal a crescer em um relacionamento sadio. Purificando-os da visão utilitarista, libertando-nos da cultura tão presente no mundo de hoje onde o que importa é saciar uma necessidade momentânea de prazer. Enxergando o outro como um objeto a ser utilizado de maneira egoísta, podendo inclusive ser “descartado”.

Diante de toda essa realidade percebemos que, ao contrário daquilo que o mundo quer nos fazer acreditar, a castidade, vivida no matrimônio, não restringe a nossa capacidade de amar. Pelo contrário, nos eleva ao verdadeiro amor, nos faz reconhecer que o amor é nossa vocação, nos torna amor e nos faz transbordar este amor de Deus como testemunho de um matrimônio santo e puro.

Allan Oliveira
Consagrado da Comunidade Católica Pantokrator

1 Dicionário Michaelis On-line

2 I Carta de São Paulo aos Coríntios, capítulo I, versículo 25.

Vanessa Cícera
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

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