Celibato Consagrado, um chamado de Deus

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Todos nós passamos pela experiência de um dia olharmos mais atentamente para o  nosso coração e questionar sobre nossos verdadeiros anseios, sobre o que realmente nos faz felizes e plenos. Para alguns, não basta a resposta da descoberta da vocação enquanto profissão: “é muito bom ser médico, engenheiro, professor, arquiteto e tantas outras profissões, mas ainda é pouco para mim, meu coração necessita de mais, mais e mais; e não é uma necessidade só de receber algo, mas necessidade de dar mais e melhor, dar o que eu tenho de melhor, que é a minha vida e tudo o que sou.

Esta pode ser a hora da resposta radical a um chamado muito maior do que podemos compreender, porque a vocação celibatária se trata de chamado de Deus, de eleição, que, uma vez feita, não volta atrás.  Jesus, o próprio amor, coloca certo incômodo no coração daqueles que chama a uma intimidade maior com Ele e os atrai a Si; e misteriosamente implanta nestes corações uma busca de amor que só Ele é capaz de satisfazer.

A vocação celibatária ou celibato consagrado é essa experiência de amor, em que Jesus atrai e realiza na alma e no coração do homem uma transformação profunda, uma realização de vida que é inédita e plena. Quero me deter um pouco neste conceito de plenitude porque vejo que na vocação celibatária isso é real e profundo. Pleno significa que está cheio, completo, sem restrições, total, inteiro, absoluto e perfeito.

O celibatário é capaz de uma realização plena porque o Amor de Jesus Cristo é tudo isso: preenche os vazios, completa e, de modo especial, é um amor realmente perfeito, porque n’Ele todas as realidades são perfeitas e essa graça é capaz de perpassar toda a existência daquele que Ele escolhe para esta vocação.

Em Mt 19, 29, podemos ver uma das experiências e sinais desse chamado de Cristo: este versículo é o final do texto do diálogo de Jesus com o jovem rico, em que Jesus deixa claro que, para ele, a perfeição é deixar tudo e todas as coisas e depois segui-l’O.

Mais adiante Jesus diz: “E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna.” Essa promessa de Jesus é ao mesmo tempo exigente, porque pede muitas renúncias, mas é também animadora, porque oferece bens muito superiores.

Este cêntuplo que Jesus nos promete é uma verdade que até podemos tocar com as mãos e com o coração; ele nos é oferecido a cada momento que renunciamos a tudo pela causa d’Ele e do Seu Reino de amor.

Vocação celibatária: esse chamado de Deus é causa de alegre realização e de uma vida plena, considerando a força e o poder d’Aquele que conquistou e seduziu.

Sandra Borges
Celibatária e Consagrada da Comunidade Pantokrator 

4 COMENTÁRIOS

  1. Sandra Borges exala o perfume do celibato. Um “cheirinho de mãe”. Sim, a maternidade ( ou paternidade) é muito própria do autêntico celibatário. Trata-se da maternidade espiritual que é a disposição de acolher os filhos de Deus, ouvi-los, interagir com eles, formá-los, educá-los, alegrar-se com suas vitórias…Interessante como este ” cheirinho de mãe” atrai. Os celibatários estão sempre rodeados de pessoas, sempre disputados para conversas.
    Saudades de vc. Sandrinha e do seu bom perfume.
    Marcia – Missão Santos.

  2. Realmente o chamado ao Celibato é essa realização plena, é um chamado de alegria, mesmo em meio a tantas renúncias. Mas a alegria de tee sido conquistada e seduzida por Ele nos faz não olhar para as renúncias e sim na alegria em ser totalmente plena Nele e por Ele.
    É assim que me sinto. Plena, feliz e realizada, sendo celibatária!

    Obrigada Sandra pelo maravilhoso testemunho de entrega, que toca o meu Sim tão concretamente.
    Belíssimo texto!

    Bjos

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