Como lidar com a tristeza?

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A tristeza é inerente ao ser humano. Muitas vezes, diante de situações ou experiências pelas quais passamos, somos tomados por esse sentimento que nos coloca para baixo podendo, ser breve ou mais duradouro. Como cristãos, somos chamados a viver a alegria, mas como seres humanos, estamos suscetíveis aos mais variados sentimentos. Como então podemos lidar com a tristeza?

Todos nós já ficamos tristes em algum momento de nossas vidas, é uma condição natural. Se olharmos para os Evangelhos, veremos que Jesus também esteve triste em algumas situações, por exemplo quando foi orar com Pedro, Tiago e João no Getsêmani poucas horas antes do início de Sua paixão. A tristeza O tomou de tal maneira que chegou a suar sangue[1]. Também se entristeceu e chegou a chorar quando seu amigo Lázaro morreu[2].

Isso nos mostra que todos estamos suscetíveis à tristeza e precisamos aprender a lidar com ela de alguma forma, dar sentido a ela a fim de que não tome conta de nós, o que pode desencadear outras situações, como a depressão, por exemplo.

Como cristãos, precisamos nos esforçar para viver a alegria, pois aquele que fez a experiência do amor de Deus em sua vida exulta de alegria à sombra de Suas asas[3]. Não há como negar: a experiência de Deus nos torna pessoas felizes, pois descobrimos a fonte de toda alegria, Aquele que é capaz de nos saciar plenamente.

tristeza

Mas isso não significa que não iremos passar por situações difíceis, como doenças, perdas de entes queridos, desemprego, problemas familiares e financeiros, crises, etc. Como seres humanos estamos suscetíveis a tudo isso, situações que certamente nos causam tristezas, medos, preocupações e angústias, porém, como cristãos, não podemos deixar que as tempestades e o mar agitado retire de nós a certeza d’Aquele em quem depositamos nossa esperança. Não podemos, como os discípulos, deixar que o medo, a tristeza e o desespero tome conta de nós, pois ainda que pareça que o Senhor está dormindo no barco[4] da nossa vida, precisamos lembrar que Ele está no barco, que Ele governa a nossa vida, que Ele possui toda a autoridade, que Lhe foi dada pelo Pai, e que precisamos ter a audácia de acordá-lO e deixar com que Ele conduza o barco, ordenando que toda tempestade cesse, que toda agitação do mar se acabe. Ou seja, precisamos confiar que Ele tem cuidado de nós, que nada pode nos abalar, e que “ainda que eu caminhe pelo vale tenebroso, nenhum mal temerei, pois estás junto a mim”[5], pois “o Senhor é  minha força e meu escudo, é n’Ele que meu coração confia”[6], a minha vida está em Suas mãos. Ainda que a tristeza queira me dominar, eu nada temerei, pois mesmo que eu sofra as demoras do Senhor, eu permanecerei firme na certeza de que, em Deus, serei capaz de vencê-la.

“Perseverai na oração…” [7]

Viver na certeza de que Deus cuida de tudo exige de nós a confiança n’Ele. Essa confiança só existe se tivermos intimidade com o Senhor, pois só através dessa intimidade somos capazes de fazer uma leitura daquilo que vivemos pelos olhos da fé. A condição para vivermos na intimidade com Deus é a vida de oração, sem ela é impossível perceber o agir do Senhor, sem ela torna-se difícil fazer a experiência do cuidado de Deus e deixá-lO ser o nosso sustento, nossa fortaleza em momentos de tristeza. Por isso, por mais difícil que seja, precisamos nos relacionar com Deus, clamar para que Ele nos ensine a viver a alegria em meio às dores, o sacrifício do louvor.

“Por tudo dai graças…” [8]

Em meio às tristezas, precisamos aprender a encontrar as pequenas alegrias do nosso dia a dia. Ter um coração agradecido a Deus por tudo aquilo que Ele tem feito, pela Sua providência em nossas vidas, pelo Seu cuidado, por cada dia que nasce, enfim, perceber os pequenos sinais e manifestações do amor de Deus por nós em cada momento e ser grato a Ele por tudo o que nos proporciona viver e experimentar, seja o sorriso de uma criança, a beleza da criação quando contemplamos a natureza, a alegria dos filhos que Ele nos confiou, o “bom dia” de um desconhecido, a refeição preparada com amor, a providência divina manifestada pelo meu trabalho e tantas outras situações.

Quando vivemos a experiência da gratidão e do louvor, percebemos que temos muito mais motivos para sermos felizes e que, até mesmo em meio às tristezas, eu sou capaz de louvar a Deus, pois tenho plena convicção do Seu cuidado e do Seu agir a cada instante.

“… E punham tudo em comum…” [9]

Por fim, não se isole. Muitas vezes, diante da tristeza, temos a tentação de nos isolar dos outros, de nos escondermos para que o outro não veja as minhas misérias, os meus sofrimentos. Queremos resolver nossos problemas sozinhos e acabamos por viver, além da tristeza, a solidão. Não podemos ter receio de buscar auxílio dos nossos irmãos, de um sacerdote e até mesmo de um profissional que nos auxiliarão, seja com sua experiência de vida, seja com sua paternidade espiritual ou com seu conhecimento técnico a dar os passos necessários para vencermos toda tristeza.

Peçamos ao Senhor a graça de vencermos as tristezas através da alegria que a experiência com Seu amor nos leva a viver. Sejamos perseverantes na busca de intimidade com o Senhor, para que tenhamos a certeza do Seu cuidado e do Seu agir a cada instante.

Esforcemo-nos em encontrar as pequenas alegrias do nosso dia a dia, para que tenhamos um coração agradecido por tudo aquilo que o Senhor realiza em nossas vidas.

[1] Evangelho de São Lucas 22, 44
[2] Evangelho de São João 11, 35
[3] Salmo 62, 8
[4] Evangelho de São Mateus 8, 27
[5] Salmo 23, 4
[6] Salmo 27, 7
[7] Colossenses 4, 2
[8] I Tessalonicenses 5, 18
[9] Atos dos Apóstolos 2, 44

Allan Oliveira
Consagrado da Comunidade Pantokrator

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