Como tirar um bem de uma crise?

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Acredito que essa é uma das várias perguntas que não querem calar em nossos corações ao longo de nossa vida. Especialmente neste cenário em que nos encontramos: tempo crise, de quarentena, tempo de viver o inesperado, tempo de desafios, tempo de amadurecer na Fé e Esperança.

É verdade que ao longo de nossa vida passamos por várias crises: financeiras, existenciais, profissionais e de relacionamentos. Crises causadas por nós mesmos, outras que são causadas por pessoas próximas e outras que surgem não sabemos da onde e quem as causaram. Todas acabam impactando nossa vida de forma direta.

Temos histórias de crises com sucessos e fracassos para testemunharmos.

É fato! As crises fazem parte da nossa vida. Assim como é fato também que diante delas devemos fazer uma escolha: vivê-las na graça ou desgraça.

A forma como encararmos e vivermos um momento de crise fará toda a diferença na colheita dos frutos quando a crise findar. Essa escolha é livre. Essa escolha é minha, é sua!

Temos toda a liberdade para escolher louvar ou murmurar, rebelar-se ou acolher com docilidade e sabedoria, buscar a paz ou o desassossego.

É possível tirarmos um bem MAIOR de qualquer crise. Somos filhos amados de Deus, herdeiros das promessas do Deus Todo Poderoso, do Altíssimo.

Deus confere graças para todas as situações em nossa vida, especialmente, os momentos de crise.

Louvar a Deus sob toda circunstância!

Em todas as circunstâncias, dai graças, porque esta é a vosso respeito a vontade de Deus em Jesus Cristo.” (I Tessalonicenses 5, 18).
Deus é muito claro nas Sagradas Escrituras quando diz que graças receberemos quando O louvarmos  tanto na alegria quanto na dor.

O louvor atrai a compaixão do Pai. Creio piamente, que o coração do Pai se derrama sobre o filho que, mesmo em prantos e na dor, abre seus lábios para louvar a glória de Deus: “Quando me invocar, eu o atenderei; na tribulação estarei com ele. Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.” (Sl  90, 15) ou como em outra tradução que gosto muito: “… ao seu lado Estarei em suas dores.”

O coração pode estar destroçado, o corpo pode estar enfermo, mas o louvor quando feito com sinceridade e reta intenção, atrai o colo e o consolo do Pai. E, conseqüentemente, as graças de Deus.

Louvar a Deus num momento de crise e dor lança-nos no abandono e confiança em Deus.

Eis por que sinto alegria nas fraquezas, nas afrontas, nas necessidades, nas perseguições, no profundo desgosto sofrido por amor de Cristo. Porque, quando me sinto fraco, então é que sou forte.” (II Coríntios 12,10).
O louvar sob toda circunstância impulsiona-me a viver num perene abandono e confiança em Deus e em Seus desígnios e mistérios.

E quão maravilhoso é quando conseguimos confiar no Deus Todo Poderoso, Pai amoroso, que somente quer nos amar e salvar. É experimentar uma alegria e liberdade sem fim! Principalmente, num momento de crise. O gesto de lançar-se em Deus coloca a “crise” no seu devido lugar, ou seja, Deus é MAIOR que tudo em minha vida. E não há crise alguma que possa me separar do Amor de Deus. “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação? A angústia? A perseguição? A fome? A nudez? O perigo? A espada?” (Romanos 8,35)

Acolher a crise como A oportunidade para amar a Deus e amadurecer

Os santos ensinam-nos que tudo em nossa vida é oportunidade para amar a Deus. Em tudo podemos ofertar nosso coração. Nenhum sofrimento é em vão se o ofertarmos a Deus. Logo, a crise é a oportunidade para amarmos a Deus e amadurecermos.

Testemunho com muita tranquilidade que as grandes oportunidades que tive de amadurecer como mulher, profissional e filha de Deus, foram nos momentos de crise.

A crise, quando vivida em Deus, com graça, docilidade e sabedoria, eleva-nos. Ajuda-nos a transcender nossas limitações e dores. Ajuda-nos a descobrir que a fé realmente move montanhas. Ajuda-nos a descobrir a nossa essência (autoconhecimento). Toda crise desafia-nos a encarar nossos medos, tira-nos da zona de conforto, coloca-nos em movimento, impele-nos a escolher novos rumos e encoraja-nos a ter novos sonhos.

Sim! A crise é a oportunidade de mudança, de conversão, de amar, de se santificar!

Existe uma graça que precede tudo o que Deus permite que vivamos. Deus é providente e fiel. A meu ver, tudo isso é tirar um bem maior de uma crise.

Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam”.  (I Coríntios 2,9). Pode parecer poético, porém, eu creio nisso! Creio no poder do Cristo Ressuscitado que venceu a morte e pode vencer qualquer situação em minha vida e em sua vida.

Crescer na constância e serenidade

O ser humano é um ser inquieto por natureza à procura da perfeição. Somos imagem e semelhança de Deus. Temos sede de plenitude que leva-nos a almejar novos sonhos, novos planos e novas realizações; que geram ansiedades, agitações interiores e mudanças.

Cultivar a constância e serenidade em todo processo de mudança é importante porque nos ajuda a centrar no que é essencial e prioritário.

As crises, geralmente, expõem nosso temperamento, nossas vaidades, nossas fragilidades e impõem mudanças à nossa vida. Logo, são oportunidades ímpares de ascese para crescermos na constância e serenidade. Sem constância, não conseguimos superar obstáculos e concluir a meta estabelecida. Sem serenidade, corremos o risco de atropelar as fases comprometendo os resultados finais. Com isso, manter a serenidade e cultivar a constância é fundamental para a vivência do cotidiano e para superar os momentos de crise sem perder a paz.

Faz-se necessário uma vida de oração fecunda. A vida de oração é o grande sustento para nos centrar no que é essencial, equilibrando nossos pensamentos, sentimentos e sentidos. A ascese da oração ajuda-nos a crescer na constância e serenidade.

Não permitir que a crise o paralise! É preciso transcender a crise “enxergando” toda situação que se apresenta com os olhos do Espírito Santo.

Quando estamos no meio do furacão, mergulhados na dor de uma crise somos tentados a permitir que os medos e inseguranças nos paralisem. Com o auxílio do Espírito Santo é possível superar nossos medos e inseguranças e enxergar o lado bom de uma crise. Temos em nossa alma o desejo de transcendência que impulsiona o nosso ser a lutar e reagir. Diante de uma crise é necessário clamar a presença e ação do Espírito Santo para nos ajudar a dar os passos necessários rumo à superação dos nossos medos e desafios.

Cremos em um Deus Trinitário, vitorioso e glorioso. Não há o que temer!

Estamos em tempos de Páscoa, de Ressurreição e Vida Nova!

É tempo de graça! Graça que nos auxilia a olharmos para as crises, convictos que, com Deus tudo podemos! “Mas, em todas essas coisas, somos mais que vencedores pela virtude Daquele que nos amou”. (Romanos 8,37)

Assim como fez São Tomé, que possamos também, diante das nossas crises, proclamar com nosso coração e alma: “Meu Senhor e meu Deus!” Amém!

Marcia Maria Tognetti Correa
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator

1 COMENTÁRIO

  1. Bom saber que não estou só nesse , pensamento , procuro sempre tirar um aprendizado de todas as circunstâncias da vida , obrigada pela partilha paz e bem

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