Como viver a santidade no Tempo Comum?

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Viver a santidade nos dias de hoje pode ser mais simples do que pensamos. Existem muitas pessoas que colocam dúvidas e questionamentos neste propósito de vida.  Porém, acredito que seja muito mais por falta de conhecimento e também de uma forte decisão em fazer a vontade de Deus na sua vida.

E no Tempo Comum, como seria essa vivência? Primeiro, é importante saber o que é o Tempo Comum. Ele começa quando termina o Tempo de Natal, com a solenidade do Batismo do Senhor, e dura até a terça-feira – incluindo a festa pagã Carnaval –, recomeçando na segunda-feira depois de Pentecostes e terminando no sábado anterior ao 1º domingo do Advento. Temos aí cerca de 33 a 34 semanas, que representam o Tempo em que o Povo de Deus caminhou pelo deserto, durante quarenta anos, em direção à Terra Prometida.

É o Tempo de uma longa caminhada, mas cheia de esperança, perseverança e fé!  O povo de Deus se reúne numa forte unidade e celebra a própria fé, tendo o domingo como a Páscoa semanal, buscando o reencontro com o Cristo ressuscitado. Cada Tempo litúrgico tem o seu próprio valor e não é diferente no Tempo Comum. Neste, Deus continua nos santificando e fortalecendo. Vem até nós, pois é um grande momento vivido no deserto e que nos possibilita buscar a santificação. É no deserto que Deus realiza maravilhas em nossas vidas. Um Tempo de silêncio e busca de conversão, mudança de vida e vivência da fidelidade e a santidade.

Neste Tempo cabe a nós vivermos uma intensa busca da graça do Espírito Santo de Deus. Se pedirmos essa graça, ela virá até nós e o Espírito Santo realizará grandes coisas em nossas vidas. Se vivermos desta maneira, conseguiremos obter e viver a santidade que tanto Deus nos pede e, em cada liturgia, a Palavra de Deus nos conduzirá para a concreta vivência desta santidade. Devemos deixar que a Palavra penetre em nossos corações e realize mudanças reais em nossas vidas.

Se vivermos bem este Tempo Comum, vamos colher muitos frutos de santidade, amor, paz, harmonia e de unidade comunitária. A unidade mantém a Igreja em pé e com passos firmes em direção à Terra Prometida, que é o céu!

Precisamos ter um propósito firme de fé e estar sempre em unidade com a Igreja e, através da liturgia que ela nos propõe, viver essa santidade tão almejada. Quando vivemos uma vida centrada na fé em Cristo, vivemos o verdadeiro valor dos sacramentos e da Santa Eucaristia.

Tempo de conversão

Neste Tempo comum, busquemos sempre fazer a vontade de Deus, para que em cada situação ordinária de nossas vidas e em cada gesto que fazemos, possamos viver a verdadeira fé! Para isso precisamos clamar a graça da conversão e sermos firmes na decisão de mudança de vida. Esta graça que Deus nos concede pode nos fortalecer e nos dar condições verdadeiras para nos convertermos!

O que é a conversão? A conversão consiste em um giro de 180 graus na vida de uma pessoa e para nós, cristãos, é sair da vida de pecado e entrar numa busca intensa de salvação.  É eliminar os ídolos e adorar somente a Deus, a todo instante. É um despertar de quem está morto espiritualmente levando-o ao reconhecimento da vida em Jesus Cristo. Viver essa conversão nas coisas ordinárias do dia a dia, nos faz valorizar todos os momentos e dar firmes passos, rumo à verdadeira vida.

Celebrando a liturgia do Tempo comum na simplicidade e louvor, fazemos com que os nossos dias normais se tornem dias especiais e de grandes bênçãos e graças! Os evangelhos nos mostram a vida cotidiana de Jesus, Seus caminhos, Sua convivência com os discípulos, Sua vida de oração e tudo o que Ele viveu.

A Igreja nos faz recordar que os domingos são a nossa Páscoa semanal, o Dia do Senhor!  É quando a comunidade se reúne em torno do altar, para escutar a Palavra e partilhar o pão. Assim agindo, podemos compreender a vida de Cristo e a importância do seu significado.

O Tempo Comum nos conta cada instante da vida pública de Jesus. Caminhamos junto com Ele durante o ano, abrindo o nosso coração para acolher o anúncio da Boa Nova em nosso cotidiano. Como o Tempo Comum começa após o Batismo de Jesus e vai até Pentecostes, podemos refletir sobre a sua vida, sua missão e sobre a caminhada da Igreja em sua contínua sua missão, agora iluminada pelo Espírito Santo.

Hoje vivemos uma grande riqueza litúrgica, que é a distribuição dos evangelhos ao longo de três anos. Assim sendo, cada ano tem um ciclo, que é determinado pelas letras por A, B e C. O conteúdo de cada Evangelho desenvolve a vida e a pregação de Jesus. Isto faz com que, ao final de três anos, os católicos terão ouvido e proclamado – nas primeiras e nas segundas leituras das Missas Dominicais em que participam – todos os evangelhos com as devidas ligações entre o Antigo e o Novo Testamento.

A vida de Jesus nos é revelada a cada dia e é quando nos convida a buscar na fonte, a Sua presença, que é a Água Viva que nos transforma e nos faz viver como verdadeiros cristãos. Conhecendo melhor a Jesus, sua vida e a profundidade de Sua Palavra, podemos amar este Filho de Deus, que se fez homem e habitou entre nós.

A partir daí, somos então enviados e este mundo para que possamos evangelizar, no cotidiano, de modo novo e eficaz. Somos os apóstolos que têm a consciência da própria pobreza e das necessidades da Igreja. Em Lucas 5,5 podemos ler: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não apanhamos nada”, mas tomamos posse do poder da “Sua Palavra” e cremos que podemos encher as nossas barcas, com uma pesca milagrosa e trazer grandes frutos de santidade e transformação de vida aos homens.

Convido você meu irmão e você minha irmã a seguir a Cristo no seu dia a dia, e aproveitar o Tempo Comum para viver a fidelidade de forma plena e permanente.

Que possamos ser fiéis à missa dominical!  Mas quando possível, participemos também da missa diária, para que a força de Cristo penetre em nossos corações, transformando-nos e nos convertendo a cada instante, até mesmo nas coisas mais simples de nossas vidas. Assim, iremos sentir uma extraordinária mudança, iluminada pelas celebrações litúrgicas, uma profunda sensibilização dos nossos corações, nos levando a acolher cada vez mais Aquele que sempre nos conduzirá ao Pai, Nosso Senhor Jesus Cristo.

Leila Engels
Consagrada da Comunidade Católica Pantokrator 

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