Confiança, um grande desafio

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Aventurar-se na vida com Deus, decidir-se por viver os planos que Ele tem para cada um de nós, exige de nós algo desafiador que se chama confiança.
 
A Palavra de Deus está repleta de exemplos de homens e mulheres que tiveram grande confiança em Deus e, justamente por isso, experimentaram em suas vidas as grandes graças que só os que confiam, alcançam. Para ilustrar, podemos citar dois, dentre inúmeros: Abraão e a Santíssima Virgem.
 
Abraão, conhecido como “nosso pai na fé”, aos setenta e cinco anos de idade, foi chamado por Deus a deixar terra, família, casa, pai, para conquistar uma nova terra desconhecida (cf. Gn 12). Junto ao chamado, Deus fez uma promessa de bênção a Abraão, até então chamado pelo nome de Abrão, de que dele seria feita uma grande e abençoada nação. Ao lermos sobre a vida desse grande homem, nos encantamos com tudo o que Deus fez a partir do seu sim. Contudo, conseguimos mensurar o tamanho da confiança que Abraão precisou ter em Deus?
 
Hoje, ainda que seja apenas intelectualmente, sabemos quem é Deus. Para Abraão, assim como para todo o povo que com ele convivia, Deus era desconhecido, o que tornava sua confiança ainda mais exigente. Ainda assim, ele ousou confiar e se lançou, em meio a muitos desafios. Confiou na palavra, na promessa de Deus para ele, e não voltou atrás na resposta que deu ao chamado recebido. Sua história não deixa dúvidas do quanto ele foi abençoado, bem como todos os seus descendentes, incluindo você e eu, seus filhos na fé.

O “sim” de Maria

A Virgem Maria foi visitada pelo anjo Gabriel, ainda muito nova, estando prometida em casamento a José, como lemos no evangelho segundo São Lucas 1,26-38. No entanto, diferente de Abraão, Maria Santíssima, quando visitada pelo anjo, já conhecia quem era Deus e esperava a vinda do Salvador. O que ela não sabia é que havia sido escolhida, desde sempre, para participar da obra de redenção da humanidade. Como poderia uma virgem conceber um filho sem, ao menos, ter estado com um homem? O que seria de sua vida a partir daquele momento?
 
Após dialogar com o anjo e ser convencida de que tudo se daria pela graça de Deus, Nossa Senhora diz seu sim. Desta forma, pela graça do Santo Espírito, recebe em seu ventre Deus feito homem, que Se encarnou para salvar a todos nós.
 
O sim da Virgem, sua confiança na palavra de Deus dita pelo anjo, fez dela “bendita entre todas as mulheres” e proclamada “bem-aventurada (feliz) entre todas as gerações” (cf. Lc 1,42.48).
 
Vemos nestas duas situações que aderir à vontade de Deus, optar por Seus planos, requer de nós abrirmos mão de muitas coisas que planejamos para nossas vidas. Para, assim abraçarmos algo que é “apenas” uma promessa, num primeiro momento.
 

Confiança, um passo de fé

Diante de uma promessa, a confiança é indispensável, pois lidamos com algo que ainda não vemos, que não é palpável.
 
“A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê (…) Ora, sem fé é impossível agradar a Deus, pois para se achegar a ele é necessário que se creia primeiro que ele existe e que recompensa os que o procuram” (Hb 11,1.6).”
 
Se sabemos, por revelação das Sagradas Escrituras e até mesmo por experiências que muitos já tivemos, que Deus é um Pai que deseja dar coisas boas para seus filhos (cf. Mt 7,11), “fiel em suas palavras” (cf. Sl 144,13) e que “Deus não é homem para mentir, nem alguém para se arrepender. Alguma vez prometeu sem cumprir? Por acaso falou e não executou?” (Nm 23,19), por que não nos lançarmos com confiança em Sua vontade e nos planos que Ele tem para nós?
 
Assim como Abraão e a Virgem Maria, só colheremos as bênçãos de Deus e seremos bem-aventurados, felizes, se confiarmos que o plano que Deus traçou para cada um de nós é infinitamente maior e melhor do que tudo o que podemos desejar.
Confiemos, sem medo, na bondade do Senhor. Lancemo-nos com confiança e digamos com nossa Mãe: “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
 
Edvandro Pinto
Discípulo da Comunidade Católica Pantokrator

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