Coronavírus e a Obediência a Igreja

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Diante da decisão de nosso Arcebispo, Dom João Inácio, em ter cancelado as Missas na cidade de Campinas em função de uma determinação da Prefeitura Municipal, juntamente com a reação de indignação de muitos católicos, faço a seguinte reflexão:

Se, por um lado, as circunstâncias do surgimento e disseminação do Covid-19 (coronavírus) geram algumas desconfianças de manipulação da China, conforme algumas especulações, e, quem sabe, das forças globalistas, por outro lado, temos evidências – ou no mínimo, uma significativa possibilidade – testificadas pelas as autoridades públicas, e pelo que observamos nos países da Europa, de que estamos diante de uma pandemia global.

A gravidade não é a letalidade, mas o alto grau de contágio e o grave risco de colapso do sistema de saúde. A população mais vulnerável – em grau de letalidade séria – é a idosa.

Estando ainda sem uma opinião formada sobre como me posicionar diante de tudo isso, partilhei com minha mãe – que é idosa em idade – e ouvi dela algo que me fez refletir: “Vocês jovens que estão criticando as atitudes de prevenção estão sendo altamente egoístas. Não são vocês que estão em risco, mas nós idosos. É fácil para vocês acharem que tudo é exagerado. Porém, nós, idosos, estamos correndo risco de vida.”

Com o cancelamento temporário das Santas Missas (em Campinas), tendo na memória as palavras de minha mãe e o ímpeto de certa revolta, lembrei-me do que disse Jesus: “Se estás, portanto, para fazer a tua oferta diante do altar e te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa lá a tua oferta diante do altar e vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; só então vem fazer a tua oferta” (Mt 5, 23-24). Fiquei pensando o que significa exigir as celebrações da Santa Missa, lugar da “oferta diante do altar” no contexto atual, deixando meus irmãos idosos vulneráveis a esse mal. Isso não seria um egoísmo terrível, condenado por nosso Senhor Jesus Cristo? Se celebramos o culto para amar a vida, não seria incoerência nos aglomerarmos para celebrar, colocando os nossos irmãos idosos em risco? O que é ser seguidor de Jesus Cristo nessa hora?

Talvez, outros interesses e necessidades sociais e econômicas não sofram as mesmas sanções, parecendo uma desproporcionalidade. Parece haver certa intolerância religiosa velada. Mas, se eles colocam interesses sociais e econômicos acima da caridade, podemos fazer o mesmo em nome da fé? O mundo hoje é pagão e tem suas loucuras. Nós somos cristãos e zelamos pelos mais fracos.

Interessante, nesse contexto, refletir se nossa postura firme em relação à condenação da eutanásia é no fundo uma ideologização da fé, ou é um zelo pela verdade e a vida, sendo um verdadeiro amor àqueles que se encontram numa existência fragilizada, merecedores de todo amor e cuidado.

Decisão da autoridade civil ou religiosa 

Estamos em um momento confuso e caótico; e ser autoridade civil ou religiosa, sendo obrigado a tomar decisões difíceis, cujas consequências podem ser desastrosas, não é fácil. Fico pensando o drama dos Bispos diante desse dilema. Por um lado, o valor da Santa Missa e tudo o que está por trás disso; por outro, a imposição das autoridades civis. E pior: há sinais muito fortes de que estamos diante de uma pandemia (ainda que estando muito cético, duvidando da Organização Mundial de Saúde, que declarou oficialmente como pandemia). É fácil um católico exigir a sua Missa sem que isso implique maiores responsabilidades. Essa atitude pode parecer louvável, sendo como que um guardião da fé em meio ao secularismo sufocante. O difícil é ter nas suas mãos decisões que terão seríssimas consequências tanto para a fé (impedir os fiéis de celebrar a Santa Missa), e muito provavelmente para muita gente, que poderá ter suas vidas ceifadas pela sua falta de prudência como autoridade.

Apesar de tudo isso, não condeno – quem sou eu para fazê-lo? – os católicos indignados, e até compreendo, porque têm suas razões. Porém, se não pela obediência, mas também pela justiça e caridade, é preciso ter compreensão e respeito pela decisão do nosso Arcebispo. Nessa hora lembro a chocante frase de São Bernardo: “Entrega-se aos demônios aquele que, buscando a piedade, desobedece aos seus superiores”.

Lembro que as Santas Missas não estão sendo canceladas, o que seria inaceitável. O Santo Sacrifício do Altar está sendo realizado (de forma privada pelos sacerdotes), e por isso o céu desce à terra. Portanto, nós, aqui nesse mundo, mesmo sem ir à Santa Missa, podemos e devemos viver as piedades cristãs das maneiras possíveis nesse momento, sabendo que, em tudo, a única coisa que será eterna é a caridade.

Deus abençoe a todos.

André Luis Botelho de Andrade
Fundador e Moderador Geral da Comunidade  Pantokrator

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