Criai em mim um coração que seja puro

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“Criai em mim um coração que seja puro!” (Sl 50).

O nosso primeiro contato – e o basilar – para a construção de um coração puro se encontra no Batismo, quando o Espírito Santo nos concede o dom de imitar a pureza de Jesus, e é apagada em nós toda marca do pecado original. Hoje, a vivência da pureza e a busca por ela em nossos corações se torna cada vez mais complexa, já que ela é apresentada para nós como algo retrógrado, arcaico, brega e até frouxo. Ser puro, pela lógica do homem contemporâneo, é ser ingênuo e possuir um cabresto.

É preciso que fique claro para nós que a pureza é sinônimo de força, não de frouxidão ou de ignorância. Ser puro não significa desconhecer o que acontece no mundo, desconhecer a sua carne, suas vontades, afetividade ou sexualidade; o puro abraça a sua carne, suas limitações e, tendo conhecimento delas, escolhe a Jesus. Não podemos confundir pureza com puritanismo. Puritano é aquele que quer se desvincular da carne e ser totalmente espiritualizado, mas se o próprio Cristo Se fez carne, como nós podemos querer abandonar aquilo que Jesus escolheu? Não sei para vocês, mas para mim, se ser puro é ser contrário ao que é pregado pela maioria, acredito que não há maior ato de coragem atualmente do que ir contra a maré do mundo.

Puros de coração 

Apenas os puros de coração enxergarão a glória de Cristo. A pureza é condição prévia para o Céu e permite que a beleza divina seja vista em todas as suas manifestações; ela garante o corpo como templo do Espírito Santo. Mas apenas com a graça de Deus ela será conquistada, pois estamos sempre suscetíveis à corrupção do pecado. Alcançaremos tal coração puro pela virtude e pelo dom da castidade, pela pureza de intenção, pela pureza do olhar e pela oração.

Para tal conquista, é fundamental o pudor. A pureza exige essa parte integrante da temperança – como diz o Catecismo da Igreja Católica. O pudor preserva a intimidade do ser, está sempre ordenado à castidade e é o responsável por orientar as ações, os gestos e os olhares de forma que a nossa dignidade e a do outro seja sempre preservada. Ajuda na garantia em amar com um coração reto e indiviso, preservando a castidade; é primordial para que o homem seja visto com o fim verdadeiro, com a pureza de coração e pela disciplina dos sentimentos e da imaginação na pureza do olhar. Ele é o equilíbrio e garante a busca do coração puro.

coração

Há uma cultura em crer que a pureza limita e é contrária à liberdade; às vezes podemos acreditar que ela é impositiva, restritiva ou até toxica, baseada em uma crença em que tudo é negado. Mas o pudor garante a autenticidade e respeito ao coração puro, endossa a liberdade individual, pois assegura a clareza para protestar contra a exploração do corpo humano, da curiosidade, dos modismos e principalmente – no campo das ideias – em resistir e ponderar às ideologias dominantes. Em uma sociedade regida pela aparência, tem esse ponto de equilíbrio garantido pela pureza, é mais uma expressão da liberdade e da alegria que vem de Deus.

Precisamos pedir para o Espírito Santo a graça de termos um coração puro, expressão de fortaleza e firmeza. Pela oração, pelos Sacramentos e pela intimidade com Jesus, podemos crescer nessa escolha de vida, que nos traz muita alegria no agora, mas que nos aproxima ainda mais da vida no Céu.

Ana Clara Gonçalves 
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator 

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