Home Artigos Pantokrator O cristão pode ir ao psicólogo ou isso é falta de fé?

O cristão pode ir ao psicólogo ou isso é falta de fé?

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O homem atual vivencia um cotidiano cheio de compromissos e responsabilidades que fazem o tempo cronológico parecer pouco diante das tarefas. Não fazemos tudo o que queremos ou que imaginamos precisar fazer, “não temos tempo!”. O homem apresenta contradições imensas: preso em si mesmo, sente-se livre; cheio de inúmeras tarefas, encontra-se num vazio interiormente; rodeados por tantas pessoas, sente-se sozinho. Na ânsia de lidar com a realidade atual, aumenta o número de métodos e tratamentos oferecidos para que o homem se sinta melhor ou, pelo menos, consiga completar suas tarefas diárias. Uma possibilidade que não é tão nova é a psicoterapia. Atualmente, o consultório de um psicólogo está lotado de homens e mulheres de todas as idades tentando lidar com a vida, com as angústias e com os sofrimentos deste tempo.

A psicoterapia caracteriza um momento destinado ao CUIDADO de si mesmo. Compreende uma relação próxima com um profissional capacitado para acolher, compreender e ajudar na resolução de conflitos, sofrimentos e angústias psíquicas, emocionais, comportamentais e relacionais do individuo, abrangendo todas as idades e sexos. A psicoterapia é indicada para o homem e a mulher que sofre. Mas, quem não sofre?

Ainda hoje, existem inúmeros mitos sobre a psicoterapia, de quem precisa de terapia ou porque se deve ir ao psicólogo. Tais como: psicólogo é coisa de doido; não preciso de psicólogo, posso conversar com meus amigos Ou ainda: não sei o que dizer, então não vou ao psicólogo; o que ele (psicólogo) vai achar de mim. E também: vou à igreja, não preciso de psicólogo; se eu for ao psicólogo, vou perder a fé; posso me confessar (sacramento) para um padre, não preciso de psicólogo; preciso ir ao psicólogo, mas, ele tem que ser cristão, se não ele não entenderá o que eu vivo.

“Pois é do Altíssimo que vem a cura”

No livro do Eclesiástico 38,1-15, o próprio Deus, através do autor, diz que o médico é obra de sua criação para que a ciência dos homens honre sua glória. No versículo 11, diz que devemos buscar, clamar, suplicar ao Senhor pela cura, e o Senhor promete que não deixará de estender a mão e dar a cura. Mas, por último, reforça, mesmo assim, que procure o médico, pois Ele o criou. A Igreja nos ensina que não há desencontro e conflito entre fé e razão, de modo que uma é auxílio e complemento para a outra, dois caminhos que nos levam ao mesmo local: Deus.

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Não trairemos a Deus em buscar auxílio da ciência para um tratamento visando uma cura, nem seremos descrentes ou infiéis em confiar nas orientações dos profissionais, pelo contrário, seremos prudentes e cuidadosos com nosso corpo, que é templo do Espírito Santo. Se não estamos bem física, emocional e psiquicamente, como poderemos dar o melhor para Deus em nossas atividades? Como dar o melhor onde Deus nos pede para estar? O cuidado próprio é um zelo tão necessário como o cuidado daqueles que o próprio Deus nos envia. Precisamos buscar o Senhor com toda a nossa força e intenção, mas é prudente buscar o médico. Aqui a palavra médico representa todos os profissionais que prestam cuidados do corpo e da mente.

Psicólogo e fé

No entanto, precisamos estar atentos a profissionais que demonstram qualquer ação contrária nossa fé. O psicólogo, por uma questão ética, não pode inferir qualquer opinião pessoal, a partir de suas convicções, em relação a qualquer tema, e a fé é um desses. Não há obrigatoriedade em manter um atendimento no qual se sente violado em suas convicções. Na verdade, precisa encerrá-lo e buscar outro psicólogo que lhe atenda. Infelizmente tem que estar atento, pois, há profissionais ruins em todas as áreas. Mas essa questão não deve ser empecilho para buscar a psicoterapia.

A primeira coisa que precisamos entender em relação à psicoterapia, que é um espaço de cuidado no qual há a necessidade de se sentir acolhido, confortável, confiante, seguro, entendido pelo profissional. Ele ajudará a encontrar novos caminhos para lidar com os problemas, novas maneiras de encarar os conflitos e desafios. Ele ajudará a se aceitar e a conviver melhor consigo, com a família, com a sociedade. É grande facilitador, em um processo bem realizado, para o seu crescimento na fé e no amadurecimento emocional e pessoal. Ele estará junto quando você chorar, contar sobre aquele momento triste e difícil vivido. Certamente, com o auxílio dele você poderá dar novo sentido à sua história.

Júlio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

Julio Della Torre
Postulante da Comunidade Católica Pantokrator

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