Cristo Rei

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A solenidade de Cristo Rei encerra o Ano Litúrgico como síntese dos mistérios de Cristo comemorados no curso do ano, significando que toda a vida da Igreja aponta para Cristo. Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim, para quem tudo foi criado. Ele é o Filho, o Logos eterno que Se encarna, entra na história humana para governá-la e capsulá-la. Vivendo como homem, assume a vida humana, redime todos os gestos humanos reordenando-os segundo os desígnios do Pai. Ele é o Pantokrator, Aquele que governa todas as coisas, e todas as coisas Lhe estão submetidas.

Nessa solenidade, Cristo entra em nossa vida para ser O Senhor. Mas esse Rei é diferente. Quem O faz seu Senhor, participa de Sua realeza. Em Sua realeza governamos o mundo, o interior a nós e o exterior. Viver a realeza cristã é, em primeiro lugar, vencer o combate do mal, do pecado dentro de si. Então, animados pela graça desse Rei em nós, participamos no exercício do poder com que Ele atrai a Si todas as coisas e as submete, com Ele mesmo, ao Pai, para que Deus seja tudo em todos (cf. 1 Cor 15, 28; Jo 12, 32) [1].

Papa Pio XI dizia: “A atitude do cristão não pode ser de mera passividade em relação ao reinado de Cristo no mundo. Nós desejamos ardentemente esse reinado. É necessário que Cristo reine em primeiro lugar na nossa inteligência, mediante o conhecimento da sua doutrina e o acatamento amoroso dessas verdades reveladas. É necessário que reine na nossa vontade, para que se identifique cada vez mais plenamente com a vontade divina. É necessário que reine no nosso coração, para que nenhum amor se anteponha ao amor de Deus. É necessário que reine no nosso corpo, templo do Espírito Santo; no nosso trabalho profissional, caminho de santidade… Convém que Ele reine!” [2]

Então, se na sua vida algo está desgovernado, dentro ou fora de você, é hora de submeter-se a esse Rei: escute e acolha a Sua Palavra, deixando-se conduzir pelo Seu Espírito, fazendo Sua vontade.  Se o fizer, tenho certeza de que você vai se admirar juntamente com os Apóstolos: “quem é esse homem que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8, 27)

[1] Cf. JOÃO PAULO II, Exortação Apostólica Pós-Sinodal Christifideles laici, 1988, n. 14.
[2] PIO XI, Encíclica Quas Primas, 1925.

André. L. Botelho de Andrade
Fundador e Moderador da Comunidade Pantokrator 

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