Desafie-se: Faça algo novo

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Vivemos numa realidade social na qual o novo é facilmente confundido com o repetitivo. Soa paradoxal, mas é verdade, há uma tendência cultural – advinda principalmente da globalização, e consequentemente das redes sociais – de padronização dos comportamentos, pensamentos, modos e nesse movimento todos se sentem muito inovadores, quando na realidade só há uma reprodução. Na era dos influenciadores, ser fiel ao novo é muito difícil.

Mas o novo que eu falo é sinônimo de original, e original não é necessariamente sinônimo de diferente. A etimologia de original remete a origem de algo, à raiz que leva a identidade, então há aqui a construção da lógica que vai guiar a nossa relação com o novo – já que buscando a origem podemos fazer o diferente. Logo, fazer o novo é ser fiel a verdade da minha identidade, tomando rumos diferentes. Por isso é tão difícil fazer o novo, porque no meio de tantas influências nos perdemos daquilo que somos, há tantas falsas verdades que é difícil encontrar a origem.

A palavra como alimento para o novo

A resposta para como podemos ser novos sendo fiéis a nós mesmos, está em mergulhar em Cristo. A palavra nos diz isso, em 2 Coríntios 5,17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Ele é a verdade que nos revela a nossa verdade, a nossa origem e como diz São Paulo, n’Ele, e pela inspiração do Espírito Santo, somos novos.

Dessa mesma forma, é pela ação do Espirito que somos inspirados a saber o que mudar. E isso abrange todas as áreas da nossa vida, pode ser nos estudos, em aprender algo novo, ou a ter uma atitude diferente nos relacionamentos, uma atitude nova no trabalho, ou a ter coragem para procurar um novo, investir tempo e recurso em algo inédito na sua vida, naquilo que faltava ousadia para fazer.

Mas é necessário, além de mergulhar na intimidade com Jesus, autoconhecimento e decisão. Porque como já foi dito, realizar o novo tem uma relação intrínseca a nossa identidade, o Espirito nos conduz, mas precisamos ter uma noção daquilo que somos para nos permitir ser guiados. Ademais, para querer o novo é preciso coragem, pois significa que haverá o fim de um lugar velho e que um padrão antigo será quebrado.

Perseverar e não se autossabotar

Sabendo disso, poucas vezes sair da zona de conforto é agradável, por isso a tendência de voltar para o velho, retroceder e logo abandonar a nova decisão é muito comum e recorrente. Esse imã ao retrocesso é chamado de autossabotagem. Nós sabemos que precisamos mudar e que o novo será o melhor, mas pelo esforço que a mudança exige, sabotamos a nossa alegria, nosso crescimento e amadurecimento simplesmente por preguiça e pelo medo do impacto que isso terá. A autossabotagem é o retardo do crescimento, do autoconhecimento e de ter vida em abundância, é impedir a ação de Jesus, é negar ser uma nova criatura n’Ele.

E o antônimo de autossabotagem é a perseverança, aquele que persevera abraça as dificuldades, assume as incertezas, mas sabe que na mudança e no desejo do novo está o melhor. Ele dá um passo de decisão, mas se coloca à deriva e à ação de Jesus, está n’Ele e se permite ser uma nova criatura. Perseverar hoje numa realidade imediatista é ir contra o mundo. É confiar, não só em si mesmo, mas que no novo está o divino. E a perseverança encontramos na intimidade com Cristo que se concretiza na vida de oração.

Ana Clara Gonçalves
Engajada na Comunidade Católica Pantokrator

 

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